As crianças são assimPor Ana Isabel Castro
Barreiro

Por Jornal Rostos
Quando a memória clareia, muitos adultos sonham em voltar a ser as crianças que um dia foram, revivendo em pensamentos a sua forma de brincar com bonecas e carrinhos de corrida e a facilidade de se surpreenderem com as simplicidades que hoje desprezam.
Conheço crianças que querem ser adultas para realizarem os seus desejos. Talvez pensem que depois de crescer o caminho até ao sonho seja mais facilitado, ou acreditem que esse trilho diminua em concordância com o tempo que deixam para trás. Todavia, ao contrário do que acontece na atmosfera dos adultos, enquanto se é criança, todos os sonhos são reais e nenhum é impossível de realizar. Cada noite motiva um dia especial e imenso que possibilita ser cabeleireira ao amanhecer e polícia ao pôr-do-sol. Nadar como uma sereia nas profundezas de um mar sem fim, ou voar sem ter asas nos dias de tempestade.
As crianças são assim. Confiam naquilo que existe, para além do que se vê e naquilo que se sente, para além do que se consegue pronunciar. Distinguem-se dos adultos pelos olhos brilhantes com que dão cor a quem as olha. Sentem-se bem de trancinhas e de cristas, porque as faz lembrar uma princesa ou um futebolista, sem que sejam julgadas pela maldade impercetível à pureza do seu doce olhar. Também os seus sorrisos são feitos de mel, envoltos do amor que harmoniza as mais sinceras gargalhadas.
É tudo isto que me leva a crer que os adultos felizes são aqueles que continuam a esperar que, de cada noite, um novo sonho se rompa para dar flor no dia seguinte. E no fim de contas, o verdadeiro sonho de uma criança deveria ser nunca se perder no adulto que um dia se vier a tornar.
Ana Isabel Castro














