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Bairro Operário da CUF – BarreiroUm espaço onde as memórias se cruzam com o futuro

O Bairro Operário da CUF, também conhecido por Bairro de Santa Bárbara, porque foi construído junto aos terrenos do Alto de Santa Bárbara, onde existia a Ermida, do século XVII, que invocava esta Santa, é uma das áreas urbanas mais belas do património industrial do Barreiro.

4 min de leitura
Bairro Operário da CUF – Barreiro Um espaço onde as memórias se cruzam com o futuro

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, dei uma volta pelos recantos do Bairro Operário da CUF. Enquanto percorria aqueles espaços, recordava momentos e pessoas. Recordava o José Picoito, com o qual integrei a Comissão Organizadora dos Jogos Juvenis do Barreiro.
Recordava as noites de cinema na Casa da Cultura. Recordava os ensaios que assisti do extinto Grupo Coral da Quimigal.
Recordava os espaços animados pelo Jardim Infantil do Baitolas. Recordava as conversas com Rostos no Restaurante Palácio Alfredo da Silva.
Um Bairro cheio de memórias. Que faz parte da história de muitas gerações de barreirenses.
Um espaço que, apesar de tudo, continua com vida, que não se sente no espaço público, mas existe, por dentro – na Escola Bento Jesus Caraça, na Persona, na S.energia, na Universal, nos Laboratórios, nas diversas empresas que ali funcionam e nas vivências de algumas famílias que, ali, mantêm as suas raízes.

Um espaço bem limpo. Onde as cores fazem recordar aldeias do nosso país. Um micro mundo no território da Baía do Tejo.
Enquanto por ali, percorria os lugares, pensava, idealizava, sonhava. Fico com os sonhos.
Era um bom espaço para promover o nosso “turismo industrial” – diferente do chamado “turismo rural”, proporcionando habitação tradicional a muitos que se deslocam a Lisboa e, aqui, podiam “viver” uns dias, num espaço único na Área Metropolitana de Lisboa. Os inventores e investidores de projectos que sonhem. Eu estou apenas a delirar.
Fica este registo de um passeio matinal, ao encontro das memórias, sentindo que, afinal, as memórias do passado podem cruzar-se com as memórias do futuro.

S.P.

Património Industrial

O Bairro Operário da CUF situava-se inicialmente junto aos terrenos de uma Ermida do século XVII, cuja invocação era Santa Bárbara e por esse facto durante muitos anos assim foi denominado.
Entre 1909 e 1927 ficam concluídas as moradias da Rua dos Óleos, Rua do Ácido Sulfúrico, Rua dos Superfosfatos, Rua do Dinheiro, Rua da Juta e as Travessas da Glicerina, da Oleína, da Estearina, da Pirite e do Azeite de Oliveira. Como se pode verificar existiu a preocupação de relacionar a toponímia do bairro com os produtos gerados nas fábricas.
Do bairro faziam parte alguns serviços de carácter social, destinados apenas aos operários como o Lavadouro junto ao Depósito de água, os Balneários, a Despensa (Mercearia), o Armazém, a primeira Escola Primária do bairro para ambos os sexos aberta em 1927 e o Chalet do Diretor. Esta parte do Bairro já não existe atualmente.
A partir de 1932 a CUF adquiriu todos os terrenos envolventes ao Alto de Santa Bárbara e após a demolição da Capela, dá início ao alargamento do Bairro Operário.
Foram então construídas as moradias para técnicos e outro pessoal dirigente da Companhia e mais alguns blocos para operários, perfazendo o total de 312 moradias. Esta zona que ficaria conhecida como o Bairro Novo e incluía a Rua da Companhia União Fabril, Rua Dalton, Rua Berthelot, Rua Liebig e Rua Lavoisier.
Nesta fase a predominância da toponímia vai para figuras da ciência ligadas à Física e à Química.
O Bairro Operário da CUF enquadra-se na tipologia de construções para operários, na primeira metade do século XX. Em banda de piso único, organizada em quarteirões, apresentando algumas variações tipológicas ao nível dos vãos das fachadas e nos quintais.
As moradias do pessoal técnico apresentam-se geminadas ou isoladas, com dois pisos ou mais, e grande variação ao nível dos vãos e elementos decorativos das fachadas.
É esta última fase de construção do bairro que permanece atualmente.

Fonte - CMB

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