Mausoléu Alfredo da Silva - BarreiroUm monumento a visitar em pleno centro do Parque Empresarial da Baía do Tejo
Alfredo da Silva faleceu a 22 de Agosto de 1942, ele que lançou as bases de um dos maiores empreendimentos industriais da Península Ibérica, que tinha como lema - "O que o País não tem, a CUF Cria".

Por Jornal Rostos
Hoje à tarde, num dia calmo, um sol que aquecia os nervos, resolvi parar e visitar o Mausoléu de Alfredo da Silva, ali, em pleno centro do Parque Empresarial da Baía do Tejo.
Recordei, que ainda não há muitos anos, os barreirenses não tinham acesso directo ao espaço, dado que o Parque Empresarial estava encerrado com portarias, de um lado e do outro, sendo um território que não se ligava ao tecido urbano da cidade do Barreiro ou à Vila do Lavradio.
Foi no dia 19 de Julho de 2009 que a partir das 9 horas da manhã, foi aberta a nova via que liga o Barreiro ao Lavradio, cruzando o território na altura ainda Parque Empresarial da Quimiparque, marcando a abertura da zona empresarial ao tecido urbano do concelho. Há, portanto, cerca de 7 anos e meio.
Foi a partir dessa data que, diariamente quem circula, hoje, pela rede viária do Parque Empresarial da Baía do Tejo, pode observar aquele imponente monumento – Mausoléu Alfredo da Silva, que muitos, ainda nos dias de hoje desconhecem.
E, quem quiser, pode, dar um passeio pela zona industrial do Barreiro, visitar o Mausoléu e, até, dar uma visita ao Espaço Memória e ao Museu Industrial do Barreiro. Deviam existir, alguns domingos por mês, ou periodicamente, realizarem OPEN DAYS, para que os barreirenses ou pessoas da região visitassem aqueles espaços, encontrando por ali, alguma animação cultural e pontos de interesse para conviver.
Hoje, até a antiga Fábrica da Sotinco merecia ser referenciada como um espaço a visitar, onde a arte moderna se encontra com as memórias industriais.
Bom, mas este registo era para divulgar o Mausoléu de Alfredo da Silva, pois, afinal, em 2017, assinalam-se 75 anos da morte de um nome que foi um dos «patrões» que marcou e se inscreveu nas memórias e na história do concelho do Barreiro. Alfredo da Silva faleceu a 22 de Agosto de 1942, ele que lançou as bases de um dos maiores empreendimentos industriais da Península Ibérica, que tinha como lema - "O que o País não tem, a CUF cria".
S.P.
Mausoléu Alfredo da Silva
Em respeito à vontade expressa em vida por Alfredo da Silva, a Companhia União Fabril mandou erigir um mausoléu no cemitério do Barreiro em homenagem ao seu fundador. Sepultado no cemitério oriental de Lisboa, Alfredo da Silva viria a ser trasladado para o Mausoléu erigido para o efeito no então cemitério do Barreiro, no dia 20 de Agosto de 1944.
O projeto para este Mausoléu data de 1943, e é fruto da parceria entre o arquiteto Luís Cristino da Silva e o escultor Leopoldo de Almeida.
No plano arquitetónico, o monumento foi erigido sobre uma base de alvenaria, em forma de círculo, a qual será limitada no espaço mediante dois semi-círculos, um voltado a Norte, outro voltado a Sul. No centro da base de alvenaria, à qual se tem acesso por uma escadaria, inscreve-se a pirâmide (pilone), a qual cumpre a função de capela mortuária. À semelhança dos semi-círculos, a pirâmide foi construída em granito. O acesso ao interior é feito através de uma porta de dois batentes construída em bronze, à qual corresponde, no lado oposto (lado Sul), uma fresta em forma de cruz. O envasamento no qual se inscreve o monumento é rematado por dois plintos, decorados com os baixos-relevos de Leopoldo de Almeida, recebendo no cimo duas taças, também em bronze, para incenso.
Sobre a pirâmide, e assente em quatro leões, uma urna simbólica, tudo construído em granito. A porta que dá acesso ao interior, é encimada por uma cruz e por uma coroa de louros em bronze. Posteriormente, viria a ser colocada ao lado da porta o símbolo da CUF construído no mesmo material. Sem data, apresenta a seguinte inscrição: «Homenagem dos empregados da CUF e empresas associadas».
Merecem particular destaque os baixos-relevos de Leopoldo de Almeida. Símbolos da Indústria, Agricultura e Pesca, os baixos-relevos como que ilustram o contributo da ação desenvolvida por Alfredo da Silva para o desenvolvimento nacional nas suas mais variadas vertentes económicas.
Ambos os baixos-relevos apresentam a mesma tipologia, ou seja, dois planos, um superior e outro inferior. As personagens do plano inferior encontram-se todas elas ajoelhadas, enquanto as do plano superior permanecem de pé. O baixo-relevo do lado esquerdo apresenta uma variante, já que nele aparece representada uma sétima personagem (no lado direito apenas seis), ainda para mais uma criança, numa provável alusão à Maternidade, um dos valores mais caros à ideologia do Estado Novo. Ponto em comum em ambos é o facto de todos os olhares estarem dirigidos para a mesma direção, isto é, para o interior da pirâmide, onde repousam os restos mortais do Industrial.
O baixo-relevo esquerdo, além da alusão à Maternidade já anteriormente mencionada, representa uma cena agrícola, onde os trabalhadores aparecem em pleno momento da ceifa, ilustrando a importância da CUF para o desenvolvimento agrícola do País, através do abastecimento de adubos químicos.
O baixo-relevo situado do lado direito apresenta uma cena de carácter industrial, com os trabalhadores representados a empunhar os mais variados instrumentos de trabalho. Não podemos esquecer que Alfredo da Silva era, aquando da sua morte, o detentor do maior complexo industrial do País, sendo que só nas fábricas do Barreiro tinha sob a sua direção milhares de operários.
Fonte - CMB
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