Moita / Baixa da Banheira - «Sai do partido, mas os amigos ficaram no meu coração»Luta pela Liberdade e Democracia.
Recordou que era da Baixa da Banheira, que os jornais «Avante!», clandestinos, saíam rumo às fábricas e para o Alentejo.

Por Jornal Rostos
Staline Rodrigues, com 85 anos, não resistiu à emoção e «rasgando» o protocolo pediu a palavra, no decorrer da sessão de evocação do 34º aniversário da Vila da Baixa da Banheira, no âmbito da qual foi apresentado o livro «A Resistência Antifascista na Baixa da Banheira – Preservar a Memória», de José Brito Apolónia.
Staline Rodrigues sublinhou que nos seus 85 anos, dorme tranquilo e espera viver mais 20 anos para continuar a sentir o estado emocional que naquele momento sentia, ao escutar as muitas memórias evocadas dos tempos de luta pela liberdade.
Fui um revolucionário
Recordou que muito da sua vida foi ligada à Baixa da Banheira, onde manteve em funcionamento uma empresa ligada ao sector de móveis que tinha no seu quadro 50 trabalhadores.
“Fui um revolucionário”, disse.
Referiu o momento da sua vida que marcou o seu destino de resistente e lutador antifascista.
No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, as pessoas saíram à rua para festejar o fim da guerra – “os operários foram a minha casa buscar-me e levaram pelas ruas aos ombros”. Ele era o rapaz Staline.
Sublinha que esse foi um momento que o marcou, tinha então 13 anos. Depois aos 15 anos começou a trabalhar de carpinteiro.
Aos 17 anos já agia politicamente – “sempre tive vida politica”, sublinhou.
Refere que as causas que abraçou e tudo o que fez dão-lhe bastante alegria – “sinto que fiz a minha obrigação”.
Taberna onde era recebido o jornal «Avante!»
Recordou que em 1957 filiou-se no Partido Comunista Português.
Comentou diversas situações. A Taberna à entrada da Baixa da Banheira, onde, eram entregues os jornais «Avante!», clandestinos, que depois dali era entregue a outros quer os levavam para as fábricas e para o Alentejo.
Recordou as actividades que eram realizadas no Ginasio da Baixa da Banheira, onde o nomearam como Presidente da Comissão de Honra para a realização de obras.
Tenham calma esta é a nossa revolução
Referiu as reuniões no sótão de uma casa, onde alguém lhe dizia : “Eu sou comunista, mas não sou comunista do seu partido”.
Staline Rodrigues percorreu a memória, com emoção, recordou os dias após o 25 de Abril, que ele e outros já esperava e, quando aconteceu, muitos estavam preocupados e, então, disse para os seus amigos- “Tenham calma esta é a nossa revolução”.
Recordou os dias que assumiu a presidência da Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Moita.
Os amigos ficaram no meu coração
Referiu que abandonou o Partido Comunista Português em 1985.
“Sai do partido, mas os amigos ficaram no meu coração”, afirmou.
Hoje, considera que a sua luta politica se escreve com dias palavras –a luta pela Liberdade e Democracia.














