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Barreiro – «As naus que lá não estão»Um dia que faz parte das memórias inscritas no território

Hoje, olhei o Tejo e, pensando com Fernando Pessoa, senti «as naus que lá não estão».
Olhei e imaginei a beleza das velas rasgando o vento, ali, navegando e partindo rumo à barra do futuro.

2 min de leitura
Barreiro – «As naus que lá não estão» Um dia que faz parte das memórias inscritas no território

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, quando olhava o Tejo, percorri o tempo por dentro da memória, recordei que há 21 anos atrás, o Barreiro viveu uma das páginas que vai ficar inscrita na sua história e na história de Portugal.
Celebravam-se nesse dia, aqui, nesta margem sul, os 500 anos da partida do Tejo das Naus comandadas por Vasco da Gama, rumo à descoberta do caminho marítimo para a India.

Foi José Caro Proença que deu um contributo único para que essa efeméride fosse celebrada aqui no Barreiro.
A Marinha Portuguesa encheu de vida e, ali, junto ao Tejo, na Avenida Bento Gonçalves, foi vivido um imponente desfile a celebrar os 500 anos, neste dia 8 de de Julho, uma efeméride que faz parte da história da humanidade.
Hegel, na sua História da Razão, escreve que os descobrimentos –esta epopeia dos portugueses – marcaram o começo da história da modernidade.

José Caro Proença trouxe a temática dos descobrimentos e Álvaro Velho para as memórias do Barreiro, nomeadamente os Fornos da Mata da Machada, e, no seu dizer, que a verdadeira Ribeira das Naus, ficava no Rio Coina,
Só que, diga-se em abono da verdade histórica, como sublinha António Ventura, nesse tempo das descobertas todo o território da Mata da Machada e matérias ligadas à epopeia histórica não era Barreiro, era Alhos Vedros.

O facto é que, nos dias de hoje, os Fornos da Mata da Machada, a Telha ou o Rio Coina, são parte integrante do concelho do Barreiro e, portanto, é uma história inscrita neste território, real, que é, hoje, o concelho do Barreiro, razão que motivou José Caro Proença a inscrever a temática dos descobrimentos nas memórias do território do concelho do Barreiro.

Muito ainda está por ser feito sobre esta matéria, muito por investigar e ligar o Barreiro a essa porta que se abriu e marcou o começo da modernidade.
No dia de hoje, quando se celebram 521 anos da partida das naus comandadas por Vasco da Gama, do Rio Tejo, rumo à India, aqui fica este registo…porque uma terra que esquece a história inscrita no seu território, esquece a sua memória.

S.P.

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