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Vladimir Tarasov uma das figuras maiores do jazz no BarreiroUm concerto «divinal» na abertura do OUT.FEST

O Festival Internacional de Música Exploratória – OUT.FEST – arrancou hoje com a sua 15ª edição.
O Edificio 4, na Baía do Tejo, foi o local escolhido para o pontapé de saída deste evento que já é uma referência no país e de projecção internacional.

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Vladimir Tarasov uma das figuras maiores do jazz no Barreiro Um concerto «divinal» na abertura do OUT.FEST

Por Jornal Rostos

As duas iniciativas na tarde de hoje, dia 5 de Outubro, contaram com um público interessado que não arredou pé e viveu com entusiasmo, primeiro a participação de Anton Nikkilã, músico e compositor finlandês, que apresentou – “Literal Translation”, uma obra audiovisual – “um filme sem filme” - que, pelo referido, é a sua interpretação histórica do vanguardismo artístico soviético.

Uma obra que se caracteriza por um texto de enquadramento epocal e conceptual, onde se cruzam sonoridades industriais, sons de máquinas, que suscitam movimentos, num crescendo sonoro, onde se misturam pela diversidade de ritmo e intensidade. Por vezes com carga de agressividade que faz sentir, fortemente, o ambiente industrial de um estaleiro, ou de metalomecânica. Um autêntico «jacussi» sonoro que nos faz mergulhar na força dos sons.
Uma sonoridade que, ironicamente, no decorrer da projecção foi quebrada pelo choro de um bebé, e, diga-se sentiu-se a docilidade do momento.
Diga-se um momento para rasgar o «ventre dos sons» que se escondem na nossa interioridade. Cada um navega naquele turbilhão sonoro com a sua consciência e educação musical. É preciso ouvir para sentir.

O segundo momento foi marcado com a presença de Vladimir Tarasov, reconhecido como uma das figuras maiores do jazz, para além da «cortina de ferro» . Russo de nascimento, de nacionalidade lituana. Já editou mais de 100 discos, entre trio, orquestras e solo.
Apresentou a sua peça de percussão – “Thinking of Khlebnikov”, referida como um diálogo imaginado entre Tarasov e o poeta Velimir Khlebnikov, do movimento futurista russo do século XX.

Um concerto que só pode ser adjectividade por uma palavra – “divinal”. Não conheço o nome técnico dos instrumentos, mas deliciei-me com a sua sonoridade, que proporcionou momentos de leveza e purificação dos sentidos. É mesmo poesia sonora.
Uma viagem marcada pelos sons da bateria, pelos gong`s “tibetanos”, pela doçura dos “espanta espíritos”, pelo timbre dos “guisos”.
Os sons brotam das mãos como água correndo nos nervos. Tocando a natureza. Deixamo-nos levar, no ritmo e na intensidade sonora e, de súbito, parece que estamos a dançar em África, pulsando o coração, ao ritmo da percussão da bateria, ou a meditar, levitando, por dentro dos sons, numa viagem ao encontro de um sentimento «budista».
Foi mesmo lindo. Como comentou o Rui Pedro Dâmaso, e, subscrevo ali estava um «altar de sons».

O OUT.FEST 2018 vai continuar esta noite, pela noite dentro na ADAO e, amanhã, dia 6 de Outubro, nas ruas do centro da cidade e em diversos espaços.
Consulte programa - www.outfest.pt

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