Grupo de Teatro Projéctor – Barreiro«Ano após ano a luta pelo desengano»

Por Jornal Rostos
Na sessão foram entregues lembranças evocativas da efeméride, saboreou-se o bolo de aniversário, cantou-se os parabéns e brindou-se ao teatro e à vida.
Luciano Barata, encenador e fundador do Projéctor, fez uma intervenção marcada de sentimento e emoção, cujo texto transcrevemos de forma integral.
Ano após Ano na luta pelo Desengano!
De facto este ano de 2018 tem sido um ano difícil para o Teatro Projéctor. E digo difícil porque circunscreveu um caso de rutura com a atual União de Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, autarquia local, com a qual mantínhamos um protocolo de cooperação desde 2014 e que nos possibilitava o uso do Auditório da Verderena para ensaios, workshops e espetáculos. Mas eis que através de um telefonema, no dia 28 de Fevereiro de 2018, de um membro do executivo, alegando necessidade de pinturas no auditório e noutra sala contígua, nos propõem, de forma obrigatória, a retirada das nossas coisas, por um período de 4 a 6 dias. As nossas coisas, além de alguns elementos de cenário da peça anterior, eram 1 estante com 1 metro de altura por 1,5 metro de largura, 1 secretária, um pequeno maple, uma salamandra pequena, um pequeno móvel, tipo camiseiro, 2 cadeiras, e mais ou menos 2 centenas de livros, que faziam parte integrante da cenografia da peça “Jogo da Salamandra” e que iriamos estrear durante o mês do teatro, Março de 2018. Ainda ao telefone, argumentei que tudo se conseguia administrar durante as pinturas: que colocávamos tudo numa das salas enquanto os pintores pintavam a outra e que depois transferiríamos tudo para a outra sala e eles pintariam a anterior. Mas a resposta trazia alguma premeditação: não podia ser, que precisavam das 2 salas livres, para melhor aproveitamento do trabalho dos pintores. Já com algum desespero propus arrumarmos tudo no palco e já as duas salas ficariam livres em simultâneo. Mas a resposta foi, que queriam também o palco livre, para o pintarem. De repente comecei a entender que aquela falta de razoabilidade e de entreajuda para resolver uma situação tão incómoda para nós, teria por trás outras orientações e que não era oportuno explicar. Argumentei então que não tínhamos meios, nem técnicos nem humanos, para fazer uma tal retirada das nossas coisas, somente em dois dias úteis, quinta e sexta, pois as pinturas estavam agendadas para a segunda-feira seguinte: “Só se pusermos as coisas à porta”, seria a solução. A resposta para esta minha afirmação foi imediata: façam o que quiserem mas retirem daqui as coisas do teatro, até segunda-feira. E pronto, depois de vários telefonemas no dia seguinte e através de muita ginástica de meios, e de boas vontades, vieram 2 viaturas da União de Freguesias da Baixa da Banheira e nos ajudaram a carregar e a transferir tudo o que era nosso, para a SIRB “Os Penicheiros”.
Só deixámos no Auditório de Freguesia da Verderena, o palco e o armário para arrecadação, que construímos, com muito suor e muitas horas do nosso tempo precioso.
A 26 de Março recebemos um email da UFASSAV a questionar-nos se não tínhamos nenhuma proposta de alteração do protocolo para 2018, para ser analisada e posteriormente assinada. Nesse mesmo dia, respondi em nome do Teatro Projéctor, dizendo que era nossa intenção assinar o protocolo de cooperação, mas que só o faríamos depois de participarmos numa reunião onde estivesse presente o Sr. Presidente da UFASSAV, Dr. Carlos Raposinho.
E até hoje, não recebemos nenhuma resposta daquela União de Freguesias.
Mas as dificuldades em 2018, ainda não ficaram por aqui: a 2 de Julho deste ano contactamos a Sra. Vereadora da Cultura, Dra. Sara Ferreira, para lhe perguntar, visto ter terminado o ano letivo 2017/18, quando poderíamos começar a pensar em ocupar as salas de aulas da Escola nº 4, na Rua Joaquim Vivente França, equipamento que nos está prometido desde a equipa camarária anterior, intenção subscrita pela Sra. Vereadora, Sara Ferreira. Ao que nos informou que as obras da nova Escola nº3, que irá albergar todos os alunos da Escola nº 4 e torná-la desocupada e disponível, estariam atrasadas e com toda a certeza só terminarão no final do ano letivo em curso, ou seja em Junho de 2019. Portanto a nossa ida para as respetivas salas da Escola nº 4 só será possível, se tudo correr bem, no próximo ano letivo de 2018/2019.
Mas eis que a vida continua! E nós arrancámos bem com a 7ª Festa de Teatro da Cidade do Barreiro, numa noite invernosa, mas com uma simbólica sessão solene onde se cantaram os Parabéns pelo nosso 22º Aniversário e onde estiveram presentes todos os elementos do Teatro UBU, da Caparica, que não tiveram oportunidade para representar a “Ilha do Sumiço” por cancelamento, devido ao Furacão Leslie, e também a presença do jornalista e amigo, Director do Jornal Rostos, António Sousa Pereira, entre outros. Mas haverá mais 3 sábados com 4 peças, pois o Teatro UBU voltará, que proporcionarão bons espectáculos. E já no próximo sábado 20 será a vez do Grupo de Teatro Palha de Abrantes da Cidade de Abrantes, que nos trará a peça “O Aniversário”
O nosso agradecimento especial:
Ao mentor e responsável por mais esta estatueta que ilustra a nossa 7ª Festa de Teatro, Abílio Apolinário; à SIRB “Os Penicheiros” pela partilha de coabitação neste espaço; ao Jornal Rostos pelos exemplos de Cidadania, de sensibilidade e de promoção das nossas atividades; à pastelaria Transmontana que ao longo dos anos nos oferece o bolo do nosso aniversário; também à Century 21 pela partilha promocional; e por último à Camara Municipal do Barreiro, que nos apoia protocolarmente.
E ainda ao nosso público que nos prazenteia com a sua presença regular.
Obrigado a todos!
Barreiro, 13 de outubro de 2018
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