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Domingos Abrantes, histórico do PCP e Conselheiro de EstadoO perigo fascista é, hoje, um perigo real

. Solidariedade é uma marca do Barreiro

Domingos Abrantes, divulgou que o Museu da Resistência e da Liberdade, no Forte de Peniche, será inaugurado no próximo dia 27 de abril de 2019.

O Museu vai mostrar às novas gerações que a Liberdade foi conquistada. Um Museu que deve ter uma função democrática de estimular a luta pela Liberdade, salientou Domingos Abrantes.

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Domingos Abrantes, histórico do PCP e Conselheiro de Estado O perigo fascista é, hoje, um perigo real

Por Jornal Rostos

Domingos Abrantes, Conselheiro de Estado, militante histórico do Partido Comunista Português, hoje à tarde, na Cooperativa Cultural Popular Barreirense, no decorrer de um Encontro-Convivio promovido pela URAP - União dos Resistentes Antifascistas Portugueses, começou por recordar o contributo dos jovens, mito particularmente dos jovens do Barreiro, nas lutas, no levantamento da Vila Operária, na defesa da Liberdade e na luta contra o fascismo.
A propósito do dia 11 de Novembro, recordou que neste dia são evocados três acontecimentos da história da resistência- o 11 de Novembro do fim da 1 ª Guerra Mundial, o 11 de Novembro de Alpiarça, que juntou milhares de jovens de todo a país em luta pela paz; o 11 de Novembro, do Luso do Barreiro, que deu origem à prisão de muitos barreirenses, entre Alpiarça e o Barreiro, que foi em 1967, há uma diferença de 11 anos.

Solidariedade é uma marca do Barreiro

Sublinhou que, o 11 de Novembro, no Barreiro, foi já na fase final do arranque para o derrube do fascismo, foi uma jornada que teve um impacto, com uma mobilização e um entusiasmo, marcada pela solidariedade.
Recordou que a prisão de dirigentes do Luso e muitos barreirenses, gerou uma onda de solidariedade – “a solidariedade é um outro aspecto do Barreiro”, aqui, sempre que barreirenses foram presos – “ solidariedade foi uma constante na vida do Barreiro, a luta pela libertação dos presos políticos”.
“No Barreiro temos coisas magníficas, durante os anos da luta antifascista”, disse

Uma guerra imperialista

“Nós, hoje, comemoramos os 100 anos do fim da 1ª Guerra Mundial. Uma guerra imperialista, uma guerra onde se sacrificaram milhares de vidas de portugueses, e não só, para defender interesses imperialistas.”, sublinhou.
Recordou a influência da 1ª Guerra Mundial no nascimento do fascismo, situação que, disse, nos dias de hoje, deve levar a uma reflexão, porque a guerra seguinte começa no dia que acaba a 1ª, foi assim, e, hoje temos enormes preocupações.
“O fascismo e a guerra são duas coisas que têm estado sempre associados. Nós, hoje, vemos o perigo fascista é um perigo real”, afirmou.

Fascismo é uma ameaça muito séria

Salientou que, na União Europeia, estão 17 estados dos 27 estados, que, neste momento têm ou fascistas no governo, ou no parlamento, com representações significativas.
Referiu que na Alemanha, só havia um estado, onde, ainda os fascistas não estavam representados, mas, nas eleições, na semana passada, os fascistas entraram no último estado – “isto é uma ameaça muito séria, porque com a corrida armamentista que, neste momento, está em franco aceleramento, num quadro em que os Estados estão cada vez mais fascizados, isto torna-se um perigo enorme para a humanidade.”.

Uma organização cada vez mais ser dominada por fascismo

Domingos Abrantes, considerou que uma questão que se vai colocar ao país, é, se, neste contexto, se, é legitimo Portugal Democrático, manter-se no quadro de uma organização, em que a tendência será cada vez mais ser dominada por fascismo.

Destruição dos símbolos do fascismo

Domingos Abrantes, recordou que no próximo ano vão ser comemorados 45 anos do 25 de Abril.
Sublinhou que passados 45 anos, continua a não existir um Museu da Resistência e da Liberdade, nem temos um símbolo do 25 de Abril, referências que evoquem a resistência do povo português.
“Antes pelo contrário, estamos a assistir a um sistemático, apagamento, liquidação e destruição dos símbolos do fascismo”, disse.

São profundos os sentimentos antifascistas no nosso país

Recordou que, há dois anos, estivemos muito próximos de ver liquidado um dos últimos símbolos que resta da repressão fascista – o Forte de Peniche, onde criam criar um Hotel.
“Isso foi impedido, de ser feita a liquidação do maior símbolo da repressão fascista, isso foi defendido, devido à mobilização dos antifascistas. Foi uma enorme vitória, que mobilizou um número enorme de pessoas, e, mostrou como ainda são profundos os sentimentos antifascistas no nosso país”, disse.

Período mais negro da repressão fascista

Domingos Abrantes, referiu que após a 1ª vitória, de preservação daqueles paredes, daqueles edifícios e daqueles símbolos, valem por si, quem visita, associa ao período mais negro da repressão fascista, e, o Forte de Peniche é, sem dúvida, o símbolo mais negro, no Continente.
Agora, ali, vai nascer o Museu da Resistência e da Liberdade, que será inaugurado no dia 27 de Abril de 2019.
Salientou que esse dia, 27 de Abril, é simbólico – “é uma data de uma enorme importância, porque o 27 de Abril, de certo modo, significa a primeira grande derrota do spinolismo”.
Recordou que o plano de Spínola era manter o essencial, manter a policia, a PIDE e os presos na cadeia, por isso, o 27 de Abril significa a primeira derrota de Spínola de querer manter intacto o estado fascista.
“Vamos comemorar o 25 de Abril e essa derrota do spinolismo”, disse.

Lembrar às novas gerações que o fascismo existiu

Sublinhou que o Museu da Resistência e da Liberdade – “será uma realidade, e, se já tinha importância, no quadro actual do renascimento do fascismo, assume uma importância ainda maior”.
O Museu não vai só lembrar, às novas gerações, que o fascismo existiu.
“Eu costumo dizer que os resistentes são uma camada em vias de extinção, como é evidente, o desaparecimento dos resistentes, significa que continuamos a viver em Liberdade. Mas, o fascismo não foi derrotado para todo o sempre, o fascismo não é uma coisa conjuntural, e, portanto, todo o que seja alertar para as raízes, para as causas e para a natureza do fascismo, é importante”, sublinhou.

Liberdade foi conquistada

“A Liberdade que temos foi uma Liberdade conquistada, não foi uma Liberdade dada, foi uma Liberdade que implicou enormes sacrifícios, para, hoje, estarmos aqui, e, não esquecemos que houve muitos que não viveram o 25 de Abril, foram torturados até à morte, foram assassinados nas ruas, são sacrifícios que o Museu vai mostrar, uma forma, também de educação democrática, voltada para as novas gerações, para que saibam que a Liberdade foi conquistada.
Um Museu que deve ter uma função democrática de estimular a luta pela Liberdade. “, afirmou Domingos Abrantes.

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