«DAS ENTRANHAS DA TERRA, BROTA SAÚDE PÚBLICA»Lição Jubilar do médico Mário Durval do Rosário
Por Luís Nascimento
Barreiro

Por Jornal Rostos
É uma evidencia que há um País real que raramente não faz as parangonas dos jornais, um País onde acontecem coisas de Gente, de Gentes que se dedicam à Causa Pública, numa verdadeira entrega que vai muito para além do que são as funções do Estado, no sentido formal. Uma dessas pessoas, a meu ver é o Mário Durval Rosário. Médico, que na tarde da última sexta-feira, no Fórum Lisboa, deu uma Licão Jubilar, para mais de trezentas pessoas entre amigos, colegas, utentes, cidadãos anónimos. Uma tarde muito mais que de memórias partilhadas, uma tarde de cultura, de expressão artística, nas mais diversas modalidades, a que “o “Mário esteve e está ligado há mais de quatro décadas. É um homem multifacetado, não veste apenas a bata branca de clínico ou fato como quadro nas altas responsabilidades que teve nos últimos anos na ARSLVT (Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo). É actor, poeta, e dinamizador de acções cívicas e sociais. Foi o promotor de uma iniciativa inédita, uma rede social designada "Cidade dos Afectos" que integra sete cidades, que combina a acção de técnicos de saúde, agentes sociais, culturais docentes, famílias e as suas crianças. Porque para uma boa Saúde Publica são necessários afectos. Ficámos a conhecer nesta grande Lição Jubilar do Dr. Mário Durval Rosário.
Recordações de quando era jovem médico, destacado em meados dos anos 1970 para a região de Aljustrel, os graves problemas de insalubridade e saúde publica e quase não havia medicina no trabalho. Doenças graves dos mineiros, que os técnicos de saúde fizeram questão de diagnosticar, inclusive com acompanhamento no fundo ddas minas. A falta de saneamento nas aldeias. Um mergulho num Portugal triste, doente, ainda desconhecido, que faz falta contar, narrar, e que a equipa de produção e realização deste evento, tão bem mostrou à assistência.
Percursos de Mário Durval por esses territórios e colegas, ainda antes da instituição do Serviço Nacional de Saúde em 1978. Mas também uma sessão em que este homem de Avis, muito ligado as suas raízes, fez questão de vestir o capote, e contar e estórias das terras alentejanas.
Foi uma tarde de emoções e também muita gratidão por alguém que conseguiu revolucionar a organização dos centros de saúde do Arco Ribeirinho Sul nos últimos anos, num modelo de autogestão, que suplanta as burocracias e os constrangimentos financeiros e integra os aspectos sociais dos utentes.
Crónica de Luís Nascimento, jornalista














