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Barreiro é uma terra onde «em cada esquina há um amigo»O cravo simboliza o nosso coração

Cantámos a Grândola Vila Morena. Eu disse-lhes: «Vocês já reparam nos vossos dias, que o nosso Barreiro, é uma terra onde, ‘em cada esquina há um amigo’.»
Um ergueu o dedo e disse: “É verdade, eu no domingo fui ao cinema ao Forum e encontrei lá um amigo”.

4 min de leitura
Barreiro é uma terra onde «em cada esquina há um amigo» O cravo simboliza o nosso coração

Por Jornal Rostos

Hoje, pela manhã, participei no programa «Histórias Vividas e Contadas do 25 de Abril», numa iniciativa que decorreu na Escola do Ensino Básico nº 7, na Verderena.
Há vários anos que sou convidado para, nestes dias de Abril, conversar com alunos sobre essa data memorável que se escreve com a palavra Liberdade.
Ali estava de novo, frente a 23 alunos, com idades entre os 9 e 10 anos.

Comecei por dizer que mais que conversar com eles sobre o que foi o dia 25 de Abril, gostava que eles sentissem e conhecessem o significado do dia 25 de Abril, nos dias de hoje.
Levei comigo um cravo. Coloquei o cravo junto ao meu coração e disse-lhes que era ali, no coração, que cada um de nós tinha que sentir o 25 de Abril, nos dias de hoje, este cravo é o nosso coração a bater, e, perguntei-lhes se estavam a escutar o que ele dizia, quando está a pulsar dentro do peito.
Tentem escutar. Eles colocaram as mãos no coração e, suavemente, começaram, baixinho, muito baixinho, comigo a sentir e a escutar a voz do coração que dizia: “Liberdade. Liberdade. Liberdade”.
Repetiam todos, em coro ténue, suavíssimo, aquele som que nascia de um cravo a bater no coração : Liberdade! Liberdade! Liberdade!

É este o significado do 25 de Abril nos dias de hoje, foi isso que nos legou, esse direito de podermos ser homens e mulheres livres, com direitos e deveres. A Liberdade é o sangue da democracia, disse-lhes.
Recordei-lhes o que era Portugal, antes do 25 de Abril, um país em guerra, um país com censura na imprensa, um país onde não existia democracia. Fui explicando, de forma simples, com exemplos diversos. Eles perceberam. Escreveram frases e fizeram desenhos, no decorrer da conversa, num pequeno livrinho, que foi passando de mão em mão, onde, afirmaram, por palavras deles, que – 25 de Abril é Liberdade! 25 de Abril é Amor!
Porque Abril é uma palavra que começa com «A» de amor e termina com «L» de Liberdade!

Sim, no meio está o «B» de Barreiro. Cantámos a Grândola Vila Morena. Eu disse-lhes: «Vocês já reparam nos vossos dias, que o nosso Barreiro, é uma terra onde, ‘em cada esquina há um amigo’.» Somos uma terra pequenina onde quase todos nos conhecemos.
Um ergueu o dedo e disse: “É verdade, eu no domingo fui ao cinema ao Forum e encontrei lá um amigo”.
Outro disse, todo feliz: “Eu fui ao Parque do Barreiro. Ali, ao voltar uma esquina, é verdade, encontrei um amigo”.
Nós somos amigos. Na nossa rua temos amigos.
Então, falamos que o 25 de Abril, também é importante, nos dias de hoje, para que exista amizade. Ser amigos nas diferenças. Respeitarmo-nos uns aos outros.

“O cravo simboliza o nosso coração”, é uma das frases escritas no caderno que, disse-lhes : “vou guardar este caderno, para ler as vossas palavras quando o 25 de Abril celebrar 50 anos.”.
Espero que, também eles, festejem os 50 anos do 25 de Abril e, também, que comemorem o 25 de Abril nos 900 anos de Portugal.
É este o meu país, que pulsa, com um cravo no coração.
Somos um país lindo, dos mais antigos do mundo, com uma das línguas mais faladas pela humanidade.
Eles gostaram da conversa. Alguns acompanharam-me até ao portão e abraçaram-me. Senti a vossa ternura a bater no meu coração. Obrigado!
Não esqueçam, Abril está vivo no nosso coração: BOM DIA!

António Sousa Pereira

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