Barreiro - «Memórias de Portugal – dois séculos de fotografia»Mestre Augusto Cabrita integra a viagem pela história de Portugal

Por Jornal Rostos
Tenho vindo a adquirir, semanalmente, com a revista «Sábado», uma colecção com o título «Memórias de Portugal – dois séculos de fotografia».
Registei que entre essas fotografias que vão dar a conhecer as memórias fotográficas de Portugal, vão constar fotografias do Mestre Augusto Cabrita.
Fiquei orgulhoso quando li o seu nome entre os nomes que fazem parte da história de dois séculos de fotografia em Portugal.
Tenho um especial carinho por Augusto Cabrita, homem com quem partilhei momentos da minha vida que estão guardados dentro de mim, nesse canto onde, cada um de nós sabe bem, só lá entra quem se inscreveu dentro dos nervos e do sangue que faz o nosso sentir e pensar o tempo vivido. Augusto Cabrita está nesse canto, ali, onde, sinto o seu eterno sorriso.
No ano de 2000, foi editado o meu livro «Sobre o Ritmo, Sobre a Vida...Augusto Cabrita», uma obra através da qual prestei a minha homenagem ao Mestre, com quem descobri recantos do Barreiro, com quem esperei sentado num canto de Alburrica, horas e horas, para ver o instante especial do sol a brilhar, com quem partilhei o olhar sobre as gaivotas da sua janela, onde ele acordava a ver o mais belo sonho do mundo , ter o Tejo à sua frente.
Foi ali, aliás, junto àquela janela, naquela mesa redonda, onde partilhei poemas e palavras que nasciam por dentro do seu olhar sobre o mundo, que este livro nasceu...
A sua edição foi o realizar um seu desejo, que, afinal, nunca desisti de concretizar e, na verdade, a sua edição foi uma realidade.
Uma parceria com a Escola Secundária Augusto Cabrita , que contou com o apoio da DREL, do Governo Civil de Setúbal e da Secretaria de Estado da Administração Educativa, com todo o contributo e paixão do meu amigo Anselmo Costa, e da sua empresa a Intermezzo. Os poemas foram ilustrados pelo meu amigo Kira.
Foi no dia 1 de Fevereiro de 1993 que o Mestre Augusto Cabrita partiu para a eternidade. Aqui recordo, esse homem ímpar de grande humildade, culto, humano, voluntarioso, que fazia o que gostava, que trabalhava por prazer e pelo gozo de dar ritmo aos dias e à vida, com a ternura do seu olhar...
Um olhar que se estendia na natureza, no ser humano, nos lugares e paisagens.
Um olhar que voava nas asas de uma gaivota sobre o Tejo, ali, em Alburrica, em contra-luz, em planos difusos onde a palavra eternidade era escrita em cliques feitos com muito amor.
Obrigado Mestre, pela simplicidade dos seus actos, pelo amor ao Barreiro, pela paixão à vida...pela poesia que está no seu legado, de luz, ritmo e vida.
António Sousa Pereira














