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Postais

Cacilhas, a pré-LisboaPor André Antunes
Almada

Ao fim da tarde, o barulho da cancela ecoa, e as portas do terminal abrem. A multidão sai do cacilheiro, pisando a terra firme das origens, retornados da outra margem. O vento forte do rio traz consigo as memórias do dia que acaba, e a promessa dos que estão por vir. Lisboa acena do outro lado, tão próxima que a podemos ver, talvez até tão próxima que já ultrapassa a fronteira do Tejo e nos assimila.

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Cacilhas, a pré-Lisboa Por André Antunes Almada

Por Jornal Rostos

Assim é Cacilhas, um entreposto onde se cruzam culturas antigas e vivências novas. Vista daqui a ponte é mais do que um elo de ligação entre duas realidades. Torna-se um monumento, ao progresso, à indústria, à união, a um mundo tão perto e tão longe, e acima de tudo ao sonho de Lisboa que, para muitos, começa aqui.

As ruas carregam os ares de uma velha Almada, que muito viu e muito tem para contar. Esta Almada cruza-se com um admirável mundo novo, que traz consigo pessoas de origens distintas, uma verdadeira diáspora do mundo que orbita a capital e cujo percurso as leva até à periferia.

Os cacilheiros estão para os de hoje como as caravelas para os de ontem – uma embarcação que rasga o rio com destino ao mundo lá fora. Esse mundo lá fora é hoje a própria Lisboa, e os que se encontram pela primeira vez em Cacilhas voltam a cruzar-se lá, formando parte da tapeçaria multicultural que hoje associamos à capital portuguesa.

É lá que está a vida, mas é sempre a Cacilhas que regressam quando finda o dia e chega a hora de pôr a vida em pausa. É então que as ruas se animam, e que nos cafés, cervejarias e restaurantes podemos assistir à multiplicidade de histórias, desde os que regressam a casa ao fim de um dia de trabalho, até aos turistas que encontram a sul do Tejo um repouso para si (e para a sua carteira).

Cacilhas é um ponto fundamental em Almada, que precisa de ser protegido e estimado. Está envelhecida e necessita de uma requalificação que a modernize, mas que não apague as raízes do que veio antes. Casa dos que cá estão, e terra acolhedora dos que vêm de fora. Assim é Cacilhas, a pré-Lisboa, uma mescla de existências.

André Antunes
IPS

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