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No Teatro-Estúdio António Assunção em AlmadaSupertudo - uma inteligente super-sátira para miúdos e graúdos

A 54ª produção do Teatro Extremo, Supertudo apresenta-se como uma inteligente e divertida paródia do universo dos heróis de banda desenhada. Trata-se do tipo de sátira levada a cabo com uma dose suficiente de seriedade para entreter o público mais jovem num primeiro impacto, ao mesmo tempo que usa o humor como ferramenta para levantar questões interessantes que não passarão despercebidas aos mais velhos.

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No Teatro-Estúdio António Assunção em Almada Supertudo - uma inteligente super-sátira para miúdos e graúdos

Por Jornal Rostos

Escrito em 1973 pelo dramaturgo catalão Josep Maria Benet i Jornet, o texto, como se vê, não é novo, mas é reinterpretado para uma nova contemporaneidade. As críticas à sociedade do consumo, presentes na obra original, assumem aqui uma nova dimensão, ou não estivéssemos atualmente envoltos numa cultura de entretenimento dominada por histórias de super-heróis.

Com efeito, é possível ler nesta produção uma crítica velada à «indústria» dos super-heróis, com expoente máximo nas histórias de banda desenhada da Marvel, que usam os seus personagens como principal arma para a venda de merchandising e produtos adjacentes, e que encorajam as massas a consumir acriticamente o que os grandes conglomerados lhes impingem.

É uma leitura que, decerto, não seria a intenção original do autor há quase cinco décadas atrás, mas que comprova que, tal como outros grandes textos, este Supertudo resiste à passagem do tempo, podendo inclusive ser reanalisado anos mais tarde sob uma nova perspetiva, e mesmo assim manter a sua relevância.

Desengane-se, no entanto, quem pense que estamos perante uma peça cínica ou negativista. Pelo contrário, é possível depreendermos um grande respeito pelo mundo das histórias de quadradinhos, e uma vontade de tentar ao máximo recriar as suas principais características no palco.

Do guarda-roupa exagerado até à interpretação, os atores dão vida aos personagens em poses exageradas, como as dos desenhos num painel de BD. Imprimem-lhes uma fisicalidade própria da banda desenhada, com as cenas de ação a serem por diversas vezes interpretadas em câmara lenta, dando ao público a possibilidade de acompanhar cada detalhe da coreografia. Ao mesmo tempo, a peça faz uso extensivo de suporte audiovisual, como projeções e video halls. Destaque ainda para o uso de técnicas expressionistas, de sombras e silhuetas, que conferem aos personagens uma irrealidade própria do mundo que habitam.

Supertudo é, como se disse, uma peça para toda a família, para miúdos e graúdos. As crianças desfrutarão de uma história tradicional de heróis e vilões, romance, traição, e da luta do bem contra o mal. Já os pais, se espreitarem por detrás da cortina, encontrarão aqui uma sátira perspicaz, que nos leva a levantar questões pertinentes sobre a atualidade, e sobre as próprias histórias de super-heróis.
Supertudo tem encenação de Fernando Jorge Lopes, e interpretação de Afonso Guerreiro, Bibi Gomes, César Melo, Jaime Soares (no papel titular) e Luzia Paramés. A peça estará em cena até ao dia 16 de maio no Teatro-Estúdio António Assunção, em Almada.

André Antunes

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