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Eleições autárquicas 2021Salvar o património histórico do Barreiro é preciso

É com tristeza que tenho vindo a assistir à degradação do património histórico da nossa terra. O estado de abandono da estação ferro-fluvial e do Barreiro Velho na última década espelham a indiferença relativamente à preservação do património cultural no concelho.

5 min de leitura
Eleições autárquicas 2021 Salvar o património histórico do Barreiro é preciso

Por Jornal Rostos

A estação ferro-fluvial é seguramente o mais belo monumento da cidade. Construída no reinado do rei D. Luís, em 1884, permanece intacta na memória dos barreirenses. O pior é mesmo a realidade. O monumento foi vandalizado e está à beira da ruína total.
O Barreiro Velho tem casas que remontam ao século XVI e uma vista única para Lisboa. No entanto, algumas ruas metem medo a quem visita e habita o local. Não existe nos concelhos vizinhos um tão mau exemplo de má conservação de uma zona histórica como no Barreiro.

Aproximam-se as eleições autárquicas que vão definir o futuro do Barreiro nos próximos quatro anos. É um momento crucial

Fui desafiado pelo meu amigo António Sousa Pereira, diretor do jornal Rostos, para questionar os candidatos. Escolhi a área do património.

A minha pergunta é a seguinte: Olhamos para o Seixal, olhamos para Sesimbra, olhamos para a Moita e vemos as zonas históricas bem preservadas. A antiga estação dos barcos, e o casario do Barreiro Velho estão ao abandono. Qual a política dos candidatos em relação à preservação do património histórico? Todos os partidos responderam, colocando o tema da preservação do património cultural na agenda. E ainda bem.

O atual presidente e candidato do PS, Frederico Rosa, explica que “durante décadas, o Barreiro Velho foi abandonado ao seu destino. A recuperação do Moinho Pequeno e das zonas envolventes constitui desta visão cabal exemplo. Assim que se recuperou o património público e se lhe atribuiu um novo uso, logo os proprietários lançaram empreitada para recuperar os seus imóveis.”

O problema é que a controversa recuperação do Moinho Pequeno e das zonas envolventes, invocadas pelo candidato do PS, não são suficientes para se reconhecer que houve no último mandato um esforço para inverter a decadência do Barreiro Velho. Frederico Rosa fala numa proposta de 5.000.000€ para a “para a recuperação do espaço público do nosso casco histórico que foi inexplicavelmente bloqueado por quem no passado nada fez.” Ou seja, nada foi feito naquele bairro que em alguns locais se assemelha mais a uma zona de guerra, com pessoas a viver em carros e prédios a cair aos bocados.

Por fim, o candidato socialista refere que teve o orgulho de liderar a resolução do “imbróglio herdado com a obra da 5ª Esquadra da PSP” junto do Ministério da Administração Interna.
A inauguração da importante esquadra está prevista para agosto, mas dificilmente estará pronta a tempo. Basta olhar para lentidão da obra.

Em relação “à antiga estação dos barcos”, o candidato do PS enjeita responsabilidades, referindo que “as Infraestruturas de Portugal continuam a dialogar com os privados” para a concretização de um investimento de milhões na requalificação da frente ribeirinha.

No meu entender, a Câmara não devia esperar eternamente pelo desenlace desse “diálogo”. Devia tomar a iniciativa e liderar a operação de restauro. A velha estação não pode esperar nem mais um dia.
O monumento foi vandalizado e continua esquecido à beira rio. Na outra margem do Tejo assistimos com admiração ao restauro da estação Sul e Sueste por parte da Câmara de Lisboa.

Quem atravessa o rio de barco para o Barreiro depara-se com uma estação fantasma. De que está à espera a Câmara do Barreiro para salvar este monumento? Em vez de um depósito de sucata ferroviária e vidros partidos, os barreirenses merecem que a antiga estação seja restaurada como fizeram e bem as câmaras de Lisboa e Aveiro com equipamentos idênticos.
A estação podia ser usada em complemento ao atual terminal, ou num museu ferroviário.

Por sua vez, o candidato da CDU defende a preservação do património. Apesar das boas intenções de Carlos Humberto é preciso reconhecer que a desativação da estação antiga em 2008 foi claramente um erro.
Quanto, às políticas de inversão da decadência do Barreiro Velho é necessário que deixem de ser meras intenções. O candidato do PSD, Bruno Vitorino, também quer a preservação deste património histórico demonstrando que há vontade e muito trabalho pela frente.

Independentemente de quem vença as eleições, os partidos deviam trabalhar em conjunto, aproveitando os contributos uns dos outros, no sentido de resolver os problemas do concelho.
O mesmo se poderá dizer das propostas dos candidatos Daniel Bernardino, Bloco de Esquerda, Hélder Leal Rodrigues, CDS-PP, Lurdes Santos, PAN, Marta Trindade, CHEGA e Jorge Martinho do LIVRE. Todos suscitam questões importantes, revelando que este tema deve ser encarado como uma prioridade nas próximas eleições autárquicas.

O Barreiro Velho está muito pior do que no tempo dos nossos pais e avós. Disso não há a mínima dúvida. Ocupações ilegais, insegurança e casas degradadas são o pão nosso de cada dia na zona histórica da cidade. Este triste cenário devia encher de vergonha o poder local que tarda em lançar um verdadeiro plano de salvação. A estação ferro-fluvial do século XIX não está melhor. São apenas dois exemplos, mas há mais.

Não se compreende como é que o magnífico bairro operário da CUF continua escondido do resto da cidade, a Quinta do Braamcamp ao abandono, para não falar da perda do antigo campo do FC Barreirense, vendido em leilão por 1,6 milhões de Euros e agora transformado num deprimente descampado no centro da cidade. De facto, o executivo que vencer as próximas eleições tem aqui uma oportunidade de ouro para fazer história, salvando o património do Barreiro da ruína.
Vamos acreditar que é desta!

ASF

Aqui fica o comentário e o agradecimento do jornal «Rostos» a Armando Seixas Ferreira, pelo seu contributo nesta reflexão sobre o Barreiro, o património histórico e as eleições autárquicas. Obrigado!

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