Tomar café nas freguesias – Barreiro / LavradioAlexandre Teixeira da CDU - há muita pobreza escondida na freguesia
É natural de São Julião da Barra, concelho de Oeiras, viveu no Brasil e desde os 20 anos que vive no Barreiro. É um activista de causas sociais.

Por Jornal Rostos
Alexandre Nuno Teixeira, é dirigente associativo, preside à Direcção da SDUB “Os Franceses”, vive intensamente os problemas da interculturalidade, que transporta das suas raízes. Seus pais saíram de Angola, após a independência. Viveu no Brasil durante dois anos, onde sentiu a energia dos movimentos sociais. Licenciou-se em Direito no ano 2004.
No Barreiro as suas relações familiares abriram a porta para sentir o 25 de Abril, a forma como era vivida cada celebração daquela data histórica, com lágrimas e muita emoção. Cada 25 de Abril era sempre retomado com uma nova energia, comenta.
Há uma memória muito grande de resistência
Recorda o avô da sua esposa Irina, comunista convicto, conhecido por «Chico Sono».
“Uma coisa é ser comunista, outra coisa é ser comunista no Barreiro”, refere, sublinhando que, aqui, há uma memória muito grande de resistência, de luta pela Liberdade e pela democracia.
Sentiu as força dessas ideias e a convite de Carlos Humberto, integrou as listas da CDU nas eleições de 2017, sendo então, como independente, eleito para a Assembleia Municipal do Barreiro, actividade politica que suspendeu por razões profissionais, dado ter-se envolvido na dinamização de diversos projectos entre países europeus e protocolos com São Tomé e Guiné-Bissau.
Após a vitória do PS, tomou a opção de filiar-se no PCP.
Um activista social. Um dos rostos do Barreiro do projecto «Bairros Saudáveis”.
Na luta activa de cidadania
Alexandre Teixeira, refere que vive na Rua Almirante Reis, no Barreiro, e trabalha na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. O homem da República. E curiosamente nasceu no dia 5 de Outubro, Dia da República. Uma cultura de democracia.
Sublinha que a sua rua, é uma rua do centro do Barreiro Velho, uma zona que está em degradação, uma rua que liga o Barreiro e entra pela Quinta Braamcamp. Essa realidade motivou-o para a intervenção cívica, envolveu-se na luta activa de cidadania, essencialmente, por ter sentido uma ausência completa de diálogo, pela forma como era abordado património e a história do Barreiro.
Refere que nesse envolvimento em torno do tema da Quinta da Braamcamp, sentiu o que é ser resistente à actuação do município e até à actuação da freguesia, que foi uma caixa de ressonância do município.
“Quando hoje olhamos para a acção da Junta de freguesia do Barreiro e Lavradio o que vemos é uma colagem às obras do município” refere.
Comenta que a junta de freguesia na sua página só divulga os cabazes e as obras da Câmara, os cabazes são as vulnerabilidades socias, mas não percebemos que politicas existem para combater essas vulnerabilidades.
Inexistência de diálogo das autarquias com a comunidade
O candidato da CDU salienta que nas muitas reuniões que tem efectuado com associações e movimentos da cidade e nos muitos contactos de rua, o que regista é a inexistência completa de diálogo das autarquias com a comunidade.
“As pessoas falam, umas com maior abertura, outras condicionadas pelo apoio que recebem, apoios que são quase vinculativos, obrigam a certos alinhamentos”, sublinha.
“As pessoas precisam de se encontrar nos cantos para conversar abertamente sobre coisas concretas”, refere.
Actuação devia começar na acção das associações
Alexandre Teixeira, sublinha que na freguesia há muita pobreza escondida, há funcionários das autarquias a receber cabazes alimentares, a pandemia veio afectar a vida das pessoas – “isto é dramático”.
Refere que na SDUB «Os franceses« funciona uma cantina Social, que de 60 refeições pessoas passou, em alguns momentos a servir 80 e 90 refeições. Existiram pessoas que numa semana eram voluntários de acção social e semanas depois começaram a ser beneficiários receber apoios.
Sublinha que os serviços sociais da Câmara fazem um trabalho excepcional – “mas não houve diálogo com as instituições, nem definição de politicas concretas”.
A Câmara muitas vezes substituía as instituições que estão no terreno, quando devia potenciar as dinâmicas locais das instituições. A actuação devia começar na acção das associações, dar apoio às pessoas, articulando com a junta de freguesia e câmara os apoios logísticos.
Refere a acção da Cooperativa Mula, como um exemplo de acção da sociedade civil.
“Há no Barreiro Velho pessoas a viver dentro de carros, no Bairro das Palmeiras há quem viva em Garagens”, salienta.
Vias principais estão arranjadas e as ruas interiores estão degradadas.
Alexandre Teixeira, lamenta que o projecto da Escola Conde Ferreira que era um pulsar de culturas, de comunidades, tenha sido abandonado.
Salienta que o Lavradio está ao abandono. As vias principais estão arranjadas e as ruas interiores estão degradadas.
O trabalho da Junta de Freguesia é eleitoralista, agora está tudo na rua a limpar e arranjar jardins.
Lamenta que exista muitos trabalhadores precários na Junta de Freguesia, contratos com Centro de Emprego, que andam de junta em junta, vivem nesta situação precária. Neste tempo de desafogo económico das autarquias, contrário aos tempos da troika, devia-se valorizar os trabalhadores da autarquia, que já foram heróis, mas agora começam a ser substituídos por empreas.
Gostava que existissem as duas freguesias
Alexandre Teixeira refere como prioridade da junta de freguesia intervir na área cultural, nas duas freguesias, que são duas realidades diferentes, por aqui passa a intervenção das pessoas na vida da freguesia. É preciso ouvir as pessoas. Retomar tradições. Valorizar a nossa identidade – do Lavradio e do Barreiro. Recordou a cultura ribeirinha, ou o bastardinho do Lavradio.
“Gostava que existissem as duas freguesias”, sublinha.
Outra intervenção será na área social, este período pós pandemia, exige que planifiquemos acção nesta vertente, dinamizando projectos.
Recorda que perdemos população, que há envelhecimento da população, esta realidade, exige que olhemos para esta realidade e sejamos exigentes, em matérias como saúde e apoio a cuidadores.
Escola Adães Bermudes ao serviço da população
Sobre a Escola Adães Bermudes, no Lavradio – “aquele espaço tem que ser colocado ao serviço da população”.
É preciso criar espaço para proporcionar condições de trabalho a novas associações que estão a nascer, para que possam ganhar asas e crescer.
Defende a urgência de ser feito um levantamento das instalações dos edifícios do movimento associativo de forma a valorizar esse património.
É preciso colocar os alunos das nossas escolas a perceber o Barreiro, a sentir o Barreiro, o seu património, a sua história.
Sublinha que a realização do DIA B, era importante retomar, porque mobiliza todos para sentir a vida da freguesia, são formas de participação no fazer cidade.
As questões de habitação são terríveis.
Recorda que existem problemas de habitação, o parque habitacional é caríssimo. As questões de habitação são terríveis.
Esta uma área que era urgente de intervir. Há refugiados que vivem em quartos, isto alerta-nos para a importância de termos politicas de multiculturalidade.
Tem que haver intervenção da junta reivindicativa junto a entidades.
Urgência de um programa de intervenção da barra-a-Barra
O candidato da CDU, salienta a urgência de um programa de intervenção da barra-a-Barra, aquele espaço carece de arranjos e de um plano de recuperação.
Objectivo eleitoral ganhar as eleições na União
Sublinha que a CDU tem como objectivo eleitoral ganhar as eleições na União de Freguesias Barreiro e Lavradio, para por em prática aquilo que vamos ouvindo das pessoas, mais que grandes promessas, é fazer o que as pessoas se queixam – limpar o lixo, recuperar os jardins, dar vida ao Mercado do Lavradio, ter um projecto para intervir – “isto só é possível se vencermos as eleições”.
Refere que estamos num cenário eleitoral com muitos partidos, um cenário extremado e alicerçado numa batalha digital, um clima de entricheiramento, os bons e os maus, os que fazem e os que não fazem, os evoluídos e os retrógrados – “isto não é saudável para um debate esclarecido”.
Sublinha que tem estado na rua a conversar com as pessoas, encontra pessoas que critica os comunistas, mas, depois de conversar referem – são só vocês que vejo na rua ao longo do ano a conversar com as pessoas.
António Sousa Pereira














