No dia 4 de Outubro de 1910 um grupo de republicanos no BarreiroHasteou a bandeira da República nos Paços do Concelho
Um grupo de republicanos do Barreiro anunciou a criação da Junta Revolucionária, e promoveu o hastear da bandeira – verde e vermelha - republicana nos Paços do Concelho.

Por Jornal Rostos
O Jornal “O Mundo”, de 4 de outubro de 1910, deu a notícia do acontecimento no Barreiro.
Existe um exemplar desse jornal no Arquivo Municipal, localizado no Parque Empresarial da Baía do Tejo.
De referir que de acordo com os vários documentos existentes no Arquivo Municipal, neles existem referências que “durante a madrugada do dia 4 de Outubro de 1910, algumas localidades a sul do Tejo antecipam a vitória do movimento republicano”.
O Barreiro foi uma delas, a vila operária e ferroviária. Terra de ferroviários e corticeiros. Gente culta. Gente que abraçava valores que foram transmitidos por muitas gerações. Os valores da Liberdade os valores da ética republicana.
A vila do Barreiro onde a linha do Sul e Sueste ligava, como se «fora um rio», esta terra onde a CUF começava a nascer e as fábricas de cortiça, como sublinhou um dia o historiador António Camarão, marcava o tecido urbano da vila, nos seus quarteirões, nas suas relações de vizinhança, colocando as fábricas no pulsar da vila e a vila no pulsar das fábricas.
É nesse Barreiro, feito de gente de trabalho, essencialmente na época, ferroviários e corticeiros, que são plantadas sementes da revolução republicana, unindo na mesma causa operários, comerciantes e profissionais liberais, - “pessoas para quem o fim da Monarquia significava não só a mudança de regime, de sistema político, mas a utopia que iria tornar verdadeiras as aspirações sociais, resolver os problemas económicos, eliminar as doenças que minavam a sociedade portuguesa: miséria, analfabetismo, o caciquismo político e o subdesenvolvimento”, escrevia-se numa nota divulgada o ano passado pela Câmara Municipal do Barreiro.
Onde se acrescenta – “para eles a «República» era sinónima da palavra «progresso».
Nas vésperas da revolução, um pequeno grupo de republicanos barreirenses já sabe o que se está a preparar. O grupo inclui ferroviários e comerciantes, mas ainda um empregado de escritório, José Bento Esteves, um farmacêutico, José Luís da Costa e um professor primário Ricardo Rosa y Alberty. No início da madrugada de 4 de outubro, estão à beira rio na praia norte da vila e tal como noutras localidades a sul do Tejo, é com grande agitação que se reage aos tiros disparados dos navios. Seguem-se tiros de espingarda e metralhadora enquanto mais gente se junta na praia. A multidão a dar «vivas» à República, segue para os Paços do Concelho onde depois de uma tentativa frustrada de arrombar a porta, consegue subir por uma escada para a varanda. No interior da sala de sessões é escolhida uma Junta Revolucionária enquanto João Santos Pimenta hasteava uma bandeira verde e vermelha na varanda para delírio da multidão presente”
É, por essa razão que aqui, no Barreiro, a implantação da República comemora-se a 4 de outubro!














