Barreiro - Armando Seixas Ferreira no regresso à sua Escola Secundária de CasquilhosSabiam que D. João VI venceu Napoleão?

Por Jornal Rostos
Foi nos Casquilhos que estudei jornalismo pela primeira vez. Frequentei esta escola do 10º ao 12º ano, já lá vão cerca de 30 anos. Tive bons colegas. Fiz amigos. Tínhamos uma professora de alemão que ia de bicicleta para as aulas e um professor de Sociologia que jogava à bola connosco nos torneios. A escola estava bonita. Toda arborizada. Pouco mudou. Atravessei o corredor ao ar livre em direção à biblioteca, cheio de recordações. À minha espera tinha os alunos do 11º ano e as professoras que me deram as boas vindas. A apresentação começou com uma introdução do diretor da escola, Luís Rino, que passou a palavra a uma aluna. A Maria já tinha lido a obra e fez-me uma excelente entrevista sobre os 200 anos viagem de D. João VI para Portugal e a independência do Brasil, o tema do meu livro.
Os alunos estavam curiosos. Deviam estar a pensar por que razão um jornalista decidiu investigar factos que aconteceram há dois séculos?
Expliquei que havia um certo vazio em relação ao regresso da família real do Brasil. O que aconteceu durante os 68 dias de viagem entre o Rio de Janeiro e Lisboa? Como é que a corte foi recebida pelos liberais e pelo povo, após quase 14 anos de ausência no Brasil? O que fiz foi usar as ferramentas do jornalismo ao serviço da História. Investiguei manuscritos e fontes inéditas da época, como os diários de bordo dos navios que fizeram a viagem. Conhecemos bem como foi a ida para o Brasil, mas desconhecíamos completamente o que aconteceu durante o regresso a Portugal. Percebi que ainda ninguém tinha feito esse trabalho. Foi essa a minha principal motivação quando comecei a escrever.
O livro também dá a conhecer o papel crucial que D. João VI desempenhou num dos momentos mais difíceis da nossa História, quando Portugal foi invadido pela força de dois exércitos, o francês e o espanhol. Considero que D. João teve razões suficientes para tomar a decisão enérgica de transferir a corte para o Brasil. Não se tratou de uma fuga, como escreveram os jornais franceses. Foi uma decisão estratégica à frente do seu tempo. É preciso entender que essas “fake news” de Napoleão denegriram a imagem do rei até aos nossos dias.
Acusavam o soberano de ter fugido com medo. Naquela altura, o Brasil fazia parte do império português. Se a família real fosse aprisionada, perdíamos a independência e Portugal. O filho de D. Maria I arriscou tudo, desafiando o imperador dos franceses. No Brasil, a corte estava em território nacional e em segurança. Ao transferir a capital do império para o hemisfério sul, D. João VI destruiu os planos de Napoleão na península e ganhou a guerra… Boa leitura.
Armando Seixas Ferreira














