Procissão de Nª Srª do RosárioDezenas de barcos pelos Rios Coina e Tejo com milhares de pessoas nas margens
A Procissão de Nª Srª do Rosário, Padroeira do Barreiro, faz parte da história da comunidade barreirense e, muito particularmente da sua raiz camarra, dos pescadores e gente do Tejo e da pesca da barra.

Por Jornal Rostos
Há mesmo quem defenda que a origem do nome Barreiro terá raiz nessa realidade antropológica de pescadores da barra, cujo barco, para pesca era a Muleta.
Foi na Muleta que o andor de Nª Srª do Rosário foi transportado pelas águas do Tejo, num cortejo que juntou o mais diverso tipo de embarcações, de pesca, recreio e desporto.
Com partida do cais da Doca Seca da CP, agora mais conhecida pela «Doca d’Os Camarros» o cortejo entrou pela zona da antiga Mercantil, depois rumou para o Rio Coina, navegando até à Praia da Copacabana, na Quinta da Lomba.
Regressou pelas margens da zona do POLIS e Avenida da Liberdade, ao longo das margens centenas de pessoas se aglomeraram para viver aquele momento único de cortejo de dezenas de barcos a acompanhar a Muleta, onde seguia o andor de Nª Srª do Rosário, acompanhado pelo Padre Luís, e, noutro barco o andor de S. Pedro, acompanhado pelo Padre Tiago.
Na Muleta seguiam as altas individualidades do concelho autarcas e convidados, entre eles o historiador José Pacheco Pereira, da associação Ephemera.
Após a navegação pelo Rio Coina o cortejo marítimo navegou junto à margens de Alburrica, Mexilhoeiro, Avenida da Praia, onde, a Muleta «Álvaro Velho» atracou no cais do Clube da Vela do Barreiro.
No cais os andores de Nª Srª do Rosário e de S. Pedro regressaram a terra, onde iria decorrer o «encontro de andores» com a procissão terrestre que entretanto, tinha feito o percurso da Igreja de Nª Srª do Rosário, até à Praça de Santa Cruz.
No final da procissão, na Igreja de Nª Srª do Rosário, o Padre Luis expressou a sua alegria pela forma como decorreu esta celebração religiosa e recordou que foi graças á acção do Padre Rodrigo que a procissão de Nª Srª do Rosário que, durante alguns anos não se realizou, desde 1995, voltou a sair pelas ruas do Barreiro.
O Padre Rodrigo e o Padre Valdemar acompanharam o cortejo no seu percurso terrestre tradicional pelas ruas do Barreiro Velho, Avenida Alfredo da Silva e Rua Miguel Bombarda.
O Padre Rodrigo deu graças por ter, mais uma vez, marcado presença na procissão de Nª Srª do Rosário e sublinhou a importância da nova vertente marítima.
Como é habitual são barreirenses e pessoas da região que se deslocam ao Barreiro, anualmente, neste dia 15 de agosto, Feriado Nacional, para participar nesta cerimónia da religião católica. Uma procissão com tradição quase tri-centenária.
De referir que nos últimos anos, a procissão fazia uma paragem junto às águas do Tejo, para a bênção aos pescadores.
Há dois anos atrás, por proposta da associação de Pesca – Os Camarros foi feito um cortejo marítimo que foi interrompido devido aos tempos de pandemia, tendo regressado este ano.
Foi um evento marcante vivido com emoção, permitindo a fruição da beleza do Tejo, e para os crentes, uma forma diferente de expressarem a devoção à Padroeira do Barreiro. Estão de parabéns a associação Os Camarros e a Comissão de Festas do Barreiro, pela forma como o evento decorreu, vivo e humano.
Da nossa parte agradecemos à associação «Os camarros» o convite de podermos observar e viver, no Coina e no Tejo, este dia de humanismo e religiosidade.
António Sousa Pereira
Sobre a Procissão de Nª Srª do Rosário
Recorde-se que, segundo a história, a Procissão de Nª Srª do Rosário em origem na tradição da sua travessia do Tejo, anualmente, da Igreja de S. Roque, em Lisboa, para a margem sul, num desses festejos, terá ocorrido uma tempestade que originou a deslocação do cortejo maritimo para os abrigos nas margens do Barreiro, dando, assim, origem ao culto de Nª Srª do Rosário.
O culto de Nª Srª do Rosário está enraizado na comunidade do Barreiro há mais de 286 anos - desde 1736, fixando-se em 1780, altura que se deu inicio à construção da Igreja - se realiza no Barreiro., sendo a padroeira do concelho cuja celebração ocorre no dia 7 de Outubro, data que já foi Feriado Municipal.
Irmandade de Nª Srª do Rosário cortejo pelo Tejo
A Real Irmandade da Nª Srª do Rosário do Barreiro, tinha a sua sede em Lisboa . O Barreiro era o destino do Círio.
O Círio era uma espécie de caminhada, passeio, passeata, mas religiosa, transportando um Círio, uma Vela grande e uma imagem pequenina. E, depois, os farnéis.
Nessa caminhada, os participantes, dirigiam-se a um lugar próximo, ou mais ou menos próximo, onde festejavam.
Inicialmente até 1736, esta Irmandade ia até ao Rosairinho da Moita.
Em 1736 houve uma tempestade que os empurrou para aqui, para o Barreiro, para a Ermida de S. Roque e de S. Pedro. Nessa altura foram aqui muito bem recebidos, segundo rezam as Crónicas que estão escritas.
Assim, a partir daí, e, também porque este era um lugar mais acessível porque os ventos facilitavam mais a vinda do Terreiro do Paço para o Barreiro do que para o Rosairinho ( porque as nortadas não ajudam nada), então passaram a vir para aqui sempre.
A Irmandade comprou a Ermida de S. Roque e de S. Pedro e desenvolveram-na, sobretudo com o apoio da Rainha D. Maria I.
A partir de 1780, quando esta Igreja começa a tomar uma dimensão maior, a Irmandade começa a espalhar-se com o título de Irmandade de Nª Srª do Rosário do Barreiro.
Há referências à Irmandade no Brasil, sobretudo na Baía, nos Açores, na Madeira. Esta é uma Irmandade que toma uma dimensão muito importante.
Estas foram palavras do Padre Rodrigo, numa entrevista, em tempos, ao jornal «Rostos»
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