ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...O caminho faz-se ... caminhando, a história ... preservando.
Por António Matias
Barreiro

Por Jornal Rostos
A história não apresenta soluções, obriga-nos a pensar no que fizemos para não voltar a cometer os mesmos erros.
A história da Muleta (barco tradicional do Tejo que está bem frisado no símbolo maior do Barreiro, a sua bandeira), mais particularmente a Álvaro Velho é um caso em que o município decidiu, por unanimidade, mandar construir como representação da sua ligação ao rio e às fainas, mas que quando chegou ao Barreiro foi ... como o chupachupa que se tira à criança ... estás a ver? Mas não é para ti, é para alguém ir ganhar dinheiro com ela.
E assim, depois de gastos cerca de 1M€ a mandar construir no estaleiro do mestre Jaime, apresentou-se na Procissão e ... no final das festas, vai cruzar o tejo durante 10 anos nas mãos de um operador turístico que cobrará os passeios, na embarcação que os Barreirenses pagaram.
As razões apresentadas são várias, desde o local de atracagem, que foi resolvido para as festas sem grandes problemas, mas que se não existir como vão os turistas poder conhecer o Barreiro?
Já não falo nos Barreirenses que o queiram utilizar, porque isso sempre podem ir a Lisboa ... mas também podem ir à Moita onde o Boa Viagem os pode levar, ou ao Seixal usar o Amoroso ou a Baía ... mas no Barreiro, o seus símbolo maior, não podem usar.
Esta embarcação lembra-me, para muito pior, as parcerias público-privadas que se concluiu que foram um rombo nos nossos bolsos, mas esta é pior ... não há contrapartidas nenhumas do operador, é só levar e usar durante 10 anos. Quando começar a ficar mais velho e a precisar de manutenção séria, volta ao município, afinal alguém tem que preservar a história, não é?
Há quem diga que afinal há contrapartidas, pode o município usar meia dúzia de dias durante o ano, isso lembra-me o ditado popular, dar um chouriço a quem lhe dá um porco gordo.
Se isto não é má gestão, então tenho que concluir que me andaram a enganar durante muitas e muitas aulas, se eu tenho algo que vale 1M€ e vou usar o equivalente a umas centenas de euros por ano (é só usar as tabelas de preços das embarcações da Moita ou Seixal para fazer as contas) é ou não é gozar com quem trabalha, com quem paga os seus impostos, quem paga na factura da água a recolha de resíduos ... espera, isso é outro tema que também cheira muito mal.
A meu ver, não há estratégia, muito menos estratégia que se diz relacionada com o turismo, vai-se a Muleta, foi-se a ponte para o Seixal, foi-se o moinho grande, a caldeira de sangue ... da história começam a ficar poucos símbolos no Barreiro.
António Matias
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