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BARREIRO - Rosto do Ano Área do DesportoA vela é um desporto “pouco visível” e os apoios e os patrocínios são escassos.

Vimos desta forma agradecer a distinção «Rostos do Ano» que nos foi atribuída pelo jornal «Rostos» e que muito nos honra. Receber a distinção Rosto do Ano 2022, na área Desporto – Equipa, enche-nos de orgulho e de esperança, uma vez que a vela é um desporto “pouco visível” e onde os apoios e os patrocínios são escassos. Está altamente conotada como um desporto “de elite”, quando deveria ser desporto nacional, em homenagem aos conhecimentos dos navegadores portugueses que conquistaram o mundo a bordo das suas embarcações.

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BARREIRO - Rosto do Ano Área do Desporto A vela é um desporto “pouco visível” e os apoios e os patrocínios são escassos.

Por Jornal Rostos

Vamos deixar-vos um pouco do nosso percurso e de como tudo começou, pode ser que vos inspire a experimentar este ou outro desporto. Iniciámos a prática da vela por acidente. A nossa mãe inscreveu-nos num Summer Camp, no Clube Naval Setubalense e foi paixão à primeira vista. Desde essa experiência quisemos sempre continuar. Velejar era a coisa mais fixe e emocionante que tínhamos feito, depois de experimentar outros desportos como ginástica, trampolins e natação. Como queríamos mesmo competir, tivemos que mudar para o Clube de Vela do Barreiro, porque em Setúbal não havia equipa de competição. Já conhecíamos a equipa do Barreiro e sabíamos que era a melhor e foi assim que nos mudámos para o CVB. Isso obrigou-nos a enorme esforço que não tinha sido possível se não tivéssemos o apoio dos nossos pais e avós. Passámos a fazer 240 kms por fim de semana para ir treinar. Da nossa casa ao CVB são 30 kms, ida e volta são 60 km e os nossos pais faziam duas viagens de ida e volta pois iam levar-nos de manhã regressavam a casa e iam buscar-nos à tarde, novamente mais 60 kms, isto todos os fins de semana.

Começámos na classe Otimist, com os treinadores Pedro Bolina e Gonçalo Boto, onde aprendemos imenso, mas foi na classe 420 que começámos a ganhar títulos. O Tiago foi campeão nacional de juniores com o Francisco Rodrigues em, 2018, mas quando saí dos otimist, decidimos fazer equipa, eu como leme e o Tiago como proa. Devido à diferença de idades de 4 anos, perdi a hipótese de competir como junior, já que o Tiago já era sénior, mas queríamos muito velejar juntos, e foi uma enorme aprendizagem para mim. Nesse ano ficámos em 4º no ranking. No ano seguinte fomos campeões nacionais (2020). Quando estávamos na nossa melhor forma veio o Covid, e estivemos muitas semanas sem treinar e as competições foram canceladas. Foi muito desmotivante.

Em março de 2022 que começámos nesta “nova aventura”, a dar os primeiros passos na classe olímpica 49er, passos esses que nos levaram à participação no Campeonato do Mundo de Juniores 49er, com apenas 5 meses de treino nesta nova classe que é totalmente diferente de todos os barcos que velejámos. Ficámos em 17º no Campeonato do Mundo de Juniores, um resultado que significou muito para nós já que, para além de termos conseguido renovar o estatuto de alto rendimento, foi a nossa primeiríssima experiência a competir nesta classe pois nunca tínhamos feito regatas com mais de 2 barcos (em Portugal somos apenas duas equipas a treinar nesta classe). Foi uma experiência muito enriquecedora mas simultaneamente assustadora, pois não tínhamos experiência em largadas e porque apanhámos condições desafiantes no Lago Como em Itália, com vento forte, especialmente no último dia de campeonato.

Atualmente, estamos a treinar em Vilamoura, em blocos de treinos, integrando a equipa da Federação Portuguesa de Vela com o objetivo de conseguirmos o apuramento para os Jogos Olímpicos, um sonho que gostaríamos muito de conseguir concretizar, e para o qual gostaríamos de contar com a vossa ajuda e apoio. Ainda temos que ganhar peso já que o ideal seria termos 80 kg cada um. Estamos quase a chegar a esse objetivo. O outro desafio é conseguirmos conciliar a prática de desporto de alta competição com os estudos, já que estamos ambos na faculdade, e não conseguimos frequentar as aulas com a regularidade que seria ideal.

Para finalizar voltamos a agradecer ao Jornal Rosto, pela distinção e pelo trabalho de divulgação de noticias da nossa terra e das nossas gente; ao nosso clube, o CVBarreiro, onde evoluímos enquanto velejadores e onde muito aprendemos; à Câmara Municipal do Barreiro, pelo apoio ao clube e pelo apoio que esperamos vir a obter; à Federação Portuguesa de Vela pelo apoio neste mais recente projeto, e a todos os treinadores, colegas de clube, familiares e amigos que nos apoiam incondicionalmente e nos dão força para continuar. Um bem haja a todos!!!

Ricardo Alves e Tiago Alves
– Clube Vela do Barreiro

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