Barreiro – QuotidianosPORQUE A POESIA ESTÁ VIVA NA CIDADE...

Por Jornal Rostos
Foram 40 que marcaram presença na mesa da poesia, mas outros foram chegando e integrando o convívio atingiu-se meia centena de participações. Todos, que quiseram puderam ler um poema de sua autoria, ou ler um poema de um poeta preferido. Na entrada do jantar foi mesmo servida poesia.
Porque a poesia, como dizia Natália Correia é para comer.
Foi uma noite vivida num jantar, ele mesmo poesia, porque foi feito com amor e voluntariado. Uma iniciativa que foi realizada com a ternura de quem faz associativismo, e, na verdade, no mundo de hoje fazer associativismo é só para poetas. Foi um jantar saboroso, aqui se regista os parabéns ao cozinheiro.
Uma noite com o sino a dar voz aos poemas; Todos que quiseram e entenderam leram um poema, ou pessoais, ou de um poeta, de Cesariny a Pessoa, de Sebastião da Gama a Mia Couto, de Pablo Neruda a José Régio. A palavra feita poema dançou na noite.
Dos poemas guardados num canto do pensamento, aos poemas vividos na alma.
Foi uma noite que se viveu poesia por dentro dos poemas.
A poesia vivida e sentida, com ruídos de fundo do café-bar, com a vida a pulsar no croação.
Abraçamo-nos, como se aquele lugar fosse a raiz de uma cidade de afectos.
Brindamos porque a poesia é para comer e beber e beijar, porque a poesia é a palvra a fazer um brinde à vida.
Recordamos os poetas que este ano celebram o seu centenário Eugénio Andrade e Natália Correia. E evocamos a memória do poeta ausente Emanuel Góis, com a honrosa presença de Ana Gois, sua filha e Zélia Gois, sua esposa.
Estiveram na mesa, os livros de poesia de Parente Trindade, de Rodrigo Gusmão, ausentes, mas presentes na memória.
Todos declamaram poemas os que jantaram e os que foram entrando e juntando a sua voz à noite de poemas.
No final cantamos, num coro de quem gosta de bailar com os sons, num ritmo que nasce nos nervos, beija os olhos e abraça o coração.
“Canta, canta amigo canta. Vem cantar a nossa canção. Tu, sozinho não és nada. Juntos temos o mundo na mão”, como se março fosse abril, onde nasceu a poesia nas ruas.
Eu gostei da noite de poesia. Gostei dos sorrisos. Gostei de escutar as palavras a bailar no tempo que se faz eternidade.
Obrigado a todos que trouxeram a amizade ao peito e a poesia nas mãos a sorrir.
É isso: AMA COMO A ESTRADA COMEÇA, poema de Cesariny, dito por Susana, ficou para mim como recordação desta noite.
António Sousa Pereira
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