BARREIRO RECONHECIDO 2023Cultura, Desporto, Educação e Ciência
GDESSA - Grupo Desportivo da Escola Secundária de Santo André
pelo espírito e mística desta “casa”, muito signicativos e considerados nos percursos prossionais e pessoais.
É inegável, incomensurável, possivelmente inquanticável e, ainda por reetir e avaliar, o efeito do trajeto incontornável deste “emblema”
na comunidade, no Concelho, na Região. E, portanto, na sociedade.

Por Jornal Rostos
GDESSA – Grupo Desportivo da Escola Secundária de Santo André
Em setembro de 1981, ainda a Democracia era
uma criança em Portugal, começou-se a
desenhar, no Concelho do Barreiro, terra de
trabalho, lemas e lutas, numa escola – solo
propício a novidades –, aquilo que seriam as
bases de um núcleo de basquetebol, com a
particularidade de ser dirigido exclusivamente a
alunas.
Durante alguns anos, a Escola Secundária de
Santo André (ESSA) desenvolveu e consolidou o
núcleo, treinando regularmente e participando
em provas organizadas. E cresceu, fazendo o
caminho até à constituição e legalização,
concluídas em 13 de dezembro de 1989 – ainda
a democracia era adolescente, saída do
espartilho da ditadura, durante a qual as
mulheres não tinham direito a voto, não podiam
sair do País sem autorização do marido… e
reduzido acesso tinham ao desporto.
Hoje, o Grupo Desportivo da Escola Secundária
de Santo André (GDESSA), cem por cento
feminino, marca pontos a todos os níveis. Na
formação de atletas, quer na quantidade de
jovens dinamizadas, a partir dos quatro anos,
como na qualidade dos valores produzidos, tendo
dela saído inúmeros nomes do basquetebol
nacional, não apenas jogadoras – muitas
internacionais –, como treinadores e treinadoras,
juízes e juízas e outras/os agentes indispensáveis
no fenómeno desportivo.
Desta grande movimentação de meninas resulta
a natural progressão para os escalões de
formação mais velhos, até às “seniores”, nas
quais ponticam vários nomes que evoluíram nas
equipas jovens da “Escola”. Também, ao longo
dos anos, nas seleções nacionais, nos seus
diversos escalões etários, constam nomes de
jogadoras nadas e criadas no Grupo Desportivo.
Em quantidade tão elevada que já se lhe perdeu a
conta.
Na presente época desportiva de 2022/23,
estiveram envolvidas na prática da modalidade cerca de duas centenas de atletas. Estas, acompanhadas por 17 treinadores e mais 17 elementos de
“enquadramento”. Estima-se que, ao longo dos anos, tenham passado pelas diversas equipas e
campos de férias cerca de 15 mil sobretudo mulheres (crianças, jovens e adultas), mas, também,
alguns homens, o que, em termos relativos face às estatísticas do Concelho, é um número elevado de
população.
É inegavelmente e por todos reconhecido como uma das maiores referências do basquetebol
feminino. Neste percurso de, já, mais de 40 anos foram alcançados inúmeros títulos distritais ao nível
da formação, nomeadamente nos escalões de “iniciadas” e “cadetes” – de acordo com documentos
do clube, “consequência do trabalho e não um objetivo”. Consequência do trabalho, também,
alcançaram-se vários títulos nacionais de escalões de formação e, por m, de “consagração” – da sua
equipa de competição “sénior”.
Os primeiros títulos – Regionais, de formação – surgiram pouco depois do início do núcleo, na década
de 1980, ainda não tinha sido constituído legalmente o clube. O primeiro, a nível Nacional, de
“juniores”, em 1991/1992. Em 2002/2003, conquistou o Campeonato Nacional da 2ª Divisão com
uma equipa integrada por “juniores” e “sub-24” do plantel “sénior”, que competia na Liga Feminina.
O primeiro troféu alcançado pelo conjunto máximo foi a Taça de Portugal, em 2003/2004. Em
2006/2007, veio a primeira “Liga”. Em 2016/2017, fez a “dobradinha”, vencendo, pela primeira
vez, Liga Feminina e Taça de Portugal.
Os vários títulos que compõem o seu rico palmarés, culminam com a Liga Feminina da presente
temporada de 2022/23, conquistada frente ao SL Benca e na casa deste, levando o GDESSA uma
grande “mancha verde” de apoio, criando uma “onda” que impressionou os presentes.
Os desaos “no feminino” são múltiplos e permanentes. Manter a qualidade e o nível do trabalho são
pontos de honra. Para o Presidente, Nuno Ferreira, e a Vice-Presidente, Joana Piteira – ela própria
uma “lha” do GDESSA –, voltar a participar nas competições europeias seria um enorme estímulo,
depois da estreia em 2017/2018.
Nomes mais ou menos anónimos zeram do GDESSA aquilo que é hoje: um exemplo no panorama do
basquetebol, respeitado em todo o País, e tão importante no Concelho, na comunidade e na vida de
todas e todos aqueles que tiveram e têm a oportunidade e privilégio de viver “a ESSA”.
A origem e a subsistência deste clube devem-se a dedicados entusiastas. Muitos são os nomes
passíveis de destaque, mas, neste momento, lembram-se os visionários professores da ESSA, José
Carruna e Madalena Sereno, fundadores do núcleo de basquetebol; Susana Soares, com uma carreira
extraordinária, esteve no primeiro Centro de Treino de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de
Basquetebol (FPB), em Rio Maior, e é, já retirada, ainda hoje, a jogadora portuguesa mais
internacional (173); e Márcia da Costa Robalo, esta no ativo, a “Jogadora da Década 2010-20” da
FPB.
Os dois atuais dirigentes do clube não esquecem fundadores, todos os ex-presidentes e antigos
dirigentes que os antecederam, sublinhando: “Tivemos cá diretores que impulsionaram muito o
clube”. Assim como, recordam, treinadores, que “na altura, eram mesmo muito mais do que
treinadores”, e outros elementos, todos, fundamentais nesta “jornada”. Regozijam-se com o
aproveitamento de atletas mais velhas – “referências” da modalidade – em funções técnicas nos
escalões mais jovens. E enaltecem parceiros e patrocinadores, admitindo que os últimos anos não
foram fáceis e que, ainda assim, se mantiveram presentes.
As vitrines de troféus conrmam a história de homenagens e títulos da coletividade. Foi distinguida no
âmbito do Programa “Reconhecer o Mérito”, pelo Instituto do Desporto de Portugal. Foi-lhe atribuído,
pela Federação Portuguesa de Basquetebol, o “Prémio Cremildo Pereira”, certicação, a nível
nacional, como sendo o clube com mais atletas do escalão “mini femininos” inscritas; e o estatuto de “Clube Formador”, que agracia coletividades
com méritos em várias áreas, não apenas nas
vertentes desportiva/competitiva.
Com tantas vitórias e conquistas, é visível o
esforço de se manter el às origens e princípios
que orientaram a sua criação.
Masculino e feminino ainda estão a percorrer o
seu caminho…
O “papel” do GDESSA é enorme. O seu impacto
está longe de ser, apenas, local. Através do
Grupo Desportivo muitas meninas praticaram
desporto, tiveram acesso a novas vivências,
perspetivaram outros horizontes. Desaaram
limites…
O impacto extravasa as fronteiras do desporto.
É, também, social. É muito social.
Da escola do GDESSA saíram mulheres que
marcam pontos na vida – na sua e na de outras –
com valores sólidos cultivados pelo desporto, e
pelo espírito e mística desta “casa”, muito
signicativos e considerados nos percursos
prossionais e pessoais.
É inegável, incomensurável, possivelmente
inquanticável e, ainda por reetir e avaliar, o
efeito do trajeto incontornável deste “emblema”
na comunidade, no Concelho, na Região. E,
portanto, na sociedade.
Pelo seu “papel” na formação de
jovens atletas, de cidadãs e cidadãos,
conquistas – muito além das
desportivas –, exemplo, referência,
contributo para a igualdade de género,
autoconança de mulheres e homens,
e de reforço da coesão de um território
que é o Barreiro, a Câmara Municipal
tem a honra de atribuir ao Grupo
Desportivo da Escola Secundária de
Santo André a “Medalha Barreiro
Reconhecido” 2023 na área “Cultura,
Desporto, Educação e Ciência”
Fonte - CMB














