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Jornadas Mundiais da JuventudeSe eu fosse jovem… Iria certamente ao encontro do Papa Francisco…
Por António Neves
Barreiro

Bem sei que não teria oportunidade de lhe contar porque aceitei deixar os sessenta miúdos de que tomava conta na Casa dos Rapazes da Moita, há sessenta anos, quando eu tinha dezoito, para entrar num seminário e me fazer missionário, como aquele que foi visitar a obra e me desafiou a ser "Semeador da Boa Nova"

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Jornadas Mundiais da Juventude Se eu fosse jovem… Iria certamente ao encontro do Papa Francisco… Por António Neves Barreiro

Por Jornal Rostos

Muito menos ele teria tempo ou ambiente para ouvir os motivos porque saí sete anos depois, desiludido, e sem fé, porque aquela igreja, em que me propunha servir e realizar, estava muito longe das
narrativas que eu todos os dias lia e sublinhava nos Evangelhos, nas Cartas e Actos dos Apóstolos, que eu acreditava serem as mensagens de Jesus Cristo para renovar a sociedade em que nasceu,e viveu enquanto lhe permitiram a ousadia de enfrentar o poder instituído, quando injusto e desumano.

Tentaria, numa escapadela que fosse, dizer-lhe que tive muita esperança, quando foi eleito, de que conseguisse dar uma grande volta à casa, uma limpeza profunda, de modo a que a Igreja regressasse às origens, aos sinais e práticas da simplicidade, do serviço dos mais pobres, pondo toda aquela corte do Vaticano e Dioceses a ir, "sem bolsa nem alforge" a anunciar a Boa Nova, a ir ter com os governantes que se governam, que se servem, em vez de servirem os governados.
Mandá-los ia aos países em guerra, como enviados de Cristo, para mediarem a paz.

Nos Evangelhos, vemos Cristo com os discípulos de terra em terra, seguido de multidões a pedir curas, justiça e o melhor caminho para a salvação…

Não sendo hoje um crente, leio, "às escondidas da minha mulher" cada livro de Francisco que sai de novo e ela não perde de comprar.
Não perco as crónicas de Frei Bento Domingos, aos domingos, a referir, com entusiasmo e esperança, todas as iniciativas do Papa para mudar alguma coisa…

Mas já perdi a esperança de que deixem o Papa Francisco mudar seja o que for.
A máquina do Vaticano está muito bem montada. Foram muitos anos a aprender a segurar e aumentar o poder.
A Igreja está demasiado comprometida com o poder laico. Casaram e o divórcio não é permitido.

Não posso ir às Jornadas.
Mas deixo uma sugestão aos jovens que se sacrificam a vir de tantos e tão longínquos países para ver e ouvir o Papa:
Não vai ser fácil vê-lo nem ouvi-lo e entendê-lo, tão distante vai estar…
Mas prometam que, quando chegarem às vossas casas, depois de descansarem um dia ou dois, vão a uma livraria e comecem a comprar os primeiros livros ou encíclicas do vosso admirado Papa Francisco.
Pelo menos nos livros ele consegue exprimir o seu pensamento, e o que não gostaria de ver no planeta, na nossa casa comum.

E a todos os crentes, rezem por Francisco, para que o Senhor lhe perdoe por não ter recomendado aos organizadores das Jornadas que não queria tantos luxos nem altares faraónicos, porque Jesus Cristo nunca teve, nem quis nada disto.

Nós, Portugueses, crentes e não crentes, também lhe perdoamos, tal como ao Governo e aos Autarcas, por querem autopromover-se sem olhar aos milhões que tanta falta estão a fazer, por exemplo, às Misericórdias de todo o país, quase todas com prejuízos mensais, como esta semana bem noticiou o Público. Mas perdoamos e prometemos pagar as faturas ,conhecidas e as que ainda hão de ser apresentadas.

Suba o pano, comecem as Jornadas Mundiais da Juventude, as mais bem organizada de sempre, como é próprio de Portugal e dos Portugueses

António Neves

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