Barreiro – QuotidianoUm buraco com história…e memória
Isto vem a propósito de um “buraco” que tem história, tem memória e certamente, ainda, vai ter algum futuro.

Por Jornal Rostos
Na conversa com um vizinho, comentava aquele buraco, e, sobre o dito eu dizia que, já por várias vezes, tenho pensado em escrever uma nota, para ver se um dia, no futuro, esta situação é resolvida.
Disse-lhe que não o tenho escrito porque, nos dias de hoje, qualquer comentário sobre a vida local, de imediato é rotulado de ser alguém que está ressabiado, aziado…ou então é tudo isto e, obviamente, comunista. Faz lembrar aqueles tempos do PREC, quando se criticava era-se reacionário ou fascista. Ou antes do 25 de Abril, quem criticava era comunista.
Ele disse-me: “Escreva, quando você escreve é lido por muitas pessoas”.
E, pronto segui o concelho do meu vizinho e devo preparar-me para as adjectivações. Sim, porque, deixar alertas, comentar, é, nos dias de hoje, ser rotulado como critico maldoso. O poder não se critica.
Então, vejamos a história do buraco com memória.
Nos tempos, antes da COVID 19, naquele local , ali, na Urbanização dos Loios, no Lavradio 2835, aconteceu uma ruptura na rede de águas. Durante algumas semanas, a água esteve a correr, depois a válvula que por ali existia foi fechada, foi aberto o célebre buraco na estrada e no passeio. Assim esteve alguns meses. Entrou o tempo da COVID 19, e, pelo que foi dito, não existiam peças e o buraco por lá esteve, largos meses.
Por fim, registou-se a intervenção dos serviços municipais e a situação da dita válvula, ou lá o que era, foi resolvida. Mas o buraco no passeio e no pavimento da estrada, de terra batida, por lá esteve mais uns largos meses. O tempo de meses transformou-se em anos.
Por fim, já com o tempo a perder-se na memória, lá se registou a intervenção no passeio, e, a calçada foi colocado, tinham, entretanto, passado uns anos.
Curiosamente, o buraco de terra batida, na estrada, por lá continua, a marcar presença, e, até, por vezes, a ser tema de conversas entre vizinhos. Há vizinhos, outrora críticos e sempre de dedo em riste. Hoje, na verdade, convivem bem com o buraco, afinal, é um buraco com história e com memória.
Acredito que até à próximas eleições autárquicas, antes de ser realizada a festa do 5º aniversário do buraco, o dito, será certamente alcatroado. E, merecerá, obviamente, uma divulgação nas redes sociais: cumprimos, fizemos obra!
António Sousa Pereira














