A odisseia de um comandoPor António Neves
Barreiro
Parece uma situação banal, mas é algo estranho quando o calor intenso no exterior impede um casal de idosos de sair à rua.
Pois bem, de um dia para o outro, a televisão deixou de funcionar. Depois de várias tentativas, aparecia, de vez em quando, uma legenda a pedir algo, mas o comando não correspondia. Saí a comprar pilhas, mas a anomalia mantinha -se.

Por Jornal Rostos
Procurei na Net um reparador de televisores. Reportado o problema, foi-me pedido que experimentasse fazer uma série de operações, sem resultado. "As pilhas do comando estarão boas?" Mudei-as agora mesmo, respondi.
" É capaz de ser da box..
Já falou com o operador? "
Não, mas posso tentar...
E tentei.
Durante um bom quarto de hora respondi a uma série de pedidos que a senhora me fez, sem qualquer resultado.
Perguntei se não me podia enviar um técnico. " Eu posso mandar, mas se o problema não for da box, o senhor terá que pagar 50 euros... Esqueci-me de perguntar se o comando tem pilhas..."
Como lhe respondi que as tinha mudado minutos antes, inclinou-se para avaria da televisão e sugeriu que consultasse um técnico.
Voltei a consultar a Net, e contactei outra empresa de reparações no Barreiro.
Uma bateria de perguntas, pedidos para experimentar fazer assim e assado, e a pergunta sagrada sobre o estado das pilhas...
"Tem de trazer o televisor à oficina. Não fazemos domicílios. De quantas polegadas é o televisor? É que se tiver mais de 40 polegadas o técnico não lhe meche..."
Como mede 55, terminámos o diálogo.
Estava exausto, e desisti por aquele dia.
No dia seguinte, logo às nove da manhã, nova busca na Net. Descobri uma oficina na Avenida de Santa Maria de que já tinha ouvido falar, e liguei.
Descrevi-lhe todas as diligências que tinha efetuado no dia anterior.
Em poucos segundos, o Sr Oliveira surpreendeu-me com uma hipótese que nenhum dos outro interlocutores me tinha posto: "Inclino-me para avaria do comando. Não mo quer trazer aqui à oficina que eu faço um teste? "
Meti-me de imediato no autocarro, e, quinze minutos depois, estava confirmado que era o comando avariado.
Prometeu que à tarde estaria pronto, e dispôs-se a emprestar-me um de substituição, que não se ajustou ao modelo do meu televisor.
A meio da tarde tocou o telemóvel: podia ir buscar o comando.
Corri para o autocarro, entreguei o comando emprestado, paguei 30 euros, e fizemos votos de que o problema fosse do comando.
" Fico à espera que me diga o resultado quando chegar a casa..."
Remédio sagrado: um simples toque no comando e aí estava a CNN a falar da guerra na Ucrânia.
Está tudo bem, senhor Oliveira.
Parabéns, porque o senhor foi o único profissional que não perguntou apenas se o comando tinha pilhas...mas admitiu que pudesse estar avariado.
António Neves














