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São Pedro de Alcântara, o único santo que visitou o BarreiroPor Gonçalo Graça

. Dia 19 de outubro, dia de São Pedro de Alcântara, um dos padroeiros do Brasil, e fundador do extinto Convento de Palhais no século XVI.

Se há pormenores curiosos na história transnacional do município, um deles é a vida de São Pedro de Alcântara (1499-1562), frade franciscano oriundo da Extremadura espanhola, e que aos trinta e poucos anos apareceu por terras de Palhais por motivos religiosos.

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São Pedro de Alcântara, o único santo que visitou o Barreiro Por Gonçalo Graça

Por Jornal Rostos

A sua biografia pode ser consultada na Internet, e dispensa grandes apresentações por agora. Contudo, não deixa de ser curioso que, sendo elevado a santo no século XVII pelo papa Clemente IX, Juan de Garabito acabasse por ser o único santo a pisar o atual territorio do Barreiro.

A influência deste frade franciscano nas elites da terra carece de um estudo profundo, na medida que a sua proximidade à família dos Gama no reinado de D. João III levou-o a conseguir um meio de sustento avolumado para si e para os seus fraternos de ordem, pelo menos até 1834. Antes já tinha participado na fundação do Convento da Arrábida em 1538 - com o apoio da Casa de Aveiro -, e dez anos depois contaria com Paulo da Gama para um projeto similar, em este que cederia um terreno no que é hoje a Escola dos Fuzileiros Navais para aí instalar um Convento da rama franciscana arrábida.

A estadia de Juan de Garabito por terras de Palhais teve um impacto simbólico considerável ao longo dos séculos, acabando por dotar o espaço com alguma sacralidade. Segundo a crónica de Frei António da Piedade, São Pedro de Alcântara teria transformado a única fonte aí existente com qualidades metafísicas que ajudavam a curar doenças, acabando por ser um lugar de peregrinação. Este pormenor foi evocado pelo mestre Manuel Cabanas numa das suas conhecidas xilogravuras dedicadas ao extinto Convento, e que aqui se apresenta. Por otro lado, e segundo a documentação histórica do século XIX, a praia contígua ao cais da cal era denominada precisamente por "praia de São Pedro", por razões bastante óbvias. E desde a década de 1960 as festas da Penalva são dedicadas a este frei arrábido.

Apesar das crenças religiosas de cada um, e de se acreditar ou não nos milagres ocorridos nos trabalhadores e marinheiros da Real Fábrica do Biscoito em Vale de Zebro, a figura de São Pedro de Alcântara acaba por ser indissociável de todo o atual território municipal. Algo observado pelo historiador barreirense José Augusto Pimenta, que recordou a placa da cela onde o frade dormía, e misteriosamente apareceu incrustada na galilé do Convento da Verderena nos finais do século XIX (e onde ainda hoje se encontra). Isso certamente explicará o porquê do mestre Manuel Cabanas se ter fascinado com este assunto.

Posto isto, votos de um feliz dia de São Pedro de Alcântara!

Gonçalo Graça

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