Biblioteca Municipal de PalmelaTrês livros na construção da democracia
Três obras magníficas, obrigatórias na biblioteca de todo o humanista, académico ou não, pois todas elas tratam de temas que a todos interessam, interligando-se, ou não estariam os Direitos Humanos na base da Democracia, da aceitação e respeito pelo Outro, da liberdade de pensar e de agir?

Por Jornal Rostos
A 17 de outubro de 2026, no agradável espaço do auditório da Biblioteca Municipal de Palmela, decorreu um momento inesquecível e de elevado valor cultural: a apresentação conjunta de três livros, resultantes de teses de Doutoramento de três professoras e investigadoras da Universidade Aberta, académicas, colegas e amigas, testemunhos exemplares da paixão pela investigação e pelo trabalho científico.
O evento deu início com a apresentação do curriculum vitae das autoras, pela Chefe de Divisão das Bibliotecas e Património Cultural, a Dra Teresa Almeida Sampaio. A moderação da sessão esteve a cargo do Professor José Eduardo Franco, Catedrático e Coordenador do Centro de Estudos Globais, da Universidade Aberta.
O sinuoso percurso das lutas pelos direitos humanos
A primeira obra, “Direitos Humanos em Portugal – História e Utopia”, da Professora Susana Alves-Jesus, foi apresentada pelo seu prefaciador, o Professor Viriato Soromenho-Marques, Catedrático de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, que referiu a pertinência da obra nesta época de conflitos em que vivemos, ideia, aliás, transmitida, no prefácio: “…este livro revela-nos o sinuoso percurso das lutas pelos direitos humanos, colocando-nos no centro dos debates teóricos (…)O que está em causa é a urgência de uma verdadeira era de refundação dos direitos humanos”.
Noção de estrangeiro -uma estrutura de ressentimento e do mecanismo do bode expiatório
Dando a palavra à Professora Teresa Maria Nunes, de História da Faculdade de Letras de Lisboa, a docente deu a conhecer a segunda obra, da Professora Cristiana Lucas Silva, “Imaginar o Estrangeiro em Portugal- Ideias, Estereótipos e Mitos, Identidade nacional em confronto (SÉCS.XVIII-XX)”, convidando os presentes a refletir sobre temas que são preocupação: os portugueses que, mesmo passados tantos anos, se sentem estrangeiros nos países onde vivem, ou os estrangeiros que vêm para Portugal; a situação do estrangeiro endógeno que é visto como diferente, como “outro”, sendo então intenção da autora “ demonstrar como a noção de estrangeiro formulada na e pela cultura portuguesa pode ser interpretada a partir de uma estrutura de ressentimento e do mecanismo do bode expiatório.”
Nas reformas pombalinas ressalta a aversão ao pensamento aristotélico
Seguiu-se o Professor José Eduardo Franco, que se debruçou sobre a terceira obra, a da Professora Paula Carreira, “Marquês de Pombal e Aristóteles, História de uma Má Relação”, chamando a atenção para a relevância deste trabalho para o estudo do Iluminismo, das reformas pombalinas, onde ressalta a aversão ao pensamento aristotélico (peripatetismo) sobretudo por este integrar a filosofia da Escolástica seguida pelos Jesuítas, na época apontados como causadores da decadência em Portugal.
Três obras magníficas, obrigatórias na biblioteca de todo o humanista, académico ou não, pois todas elas tratam de temas que a todos interessam, interligando-se, ou não estariam os Direitos Humanos na base da Democracia, da aceitação e respeito pelo Outro, da liberdade de pensar e de agir?
Três autoras que, unidas numa amizade de vários anos, com o gosto pelo saber e a vontade de investigar, dão a lume o seu trabalho individual, de aturado rigor científico, mas pensado numa perspetiva global.
Lina Maria Soares
U.Aberta













