Bloco de Esquerda“Há deficit cultural no Barreiro”
A necessidade de um Plano Estratégico, a criação de espaços para os cidadãos, a melhoria das condições do Parque Escolar, foram algumas das mediadas apontadas neste encontro do BE.

Por Jornal Rostos
No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, apoiantes do Bloco de Esquerda, debateram um documento programático, tópicos para uma discussão, que visou a recolha de contributos para a elaboração do Programa Eleitoral para as próximas eleições autárquicas.
No final Mário Durval apresentou seis compromissos com o eleitorado: Uma nova politica de Gestão da Câmara; Uma cidade para as pessoas, quebrar o ciclo do betão; Reconstruir as raízes da cidade, uma cidade marítima; Melhor Ambiente, Saúde da Gente; Nova politica cultural e desportiva; Os mais pobres e deficientes também são gente.
Espaços na cidade para os cidadãos
Rosário Vaz, candidata do Bloco de Esquerda à Presidência da Junta de Freguesia do Barreiro, independente, no decorrer do encontro promovido pelos bloquistas, como objectivo de debaterem o Programa Eleitoral, referiu a necessidade de serem criados espaços para que os cidadãos possam “viver a cidade” sendo para tal necessário que haja “uma arquitectura de cidade”.
Salientou que na sua freguesia há espaços que são memória da cidade que estão abandonados, não existindo qualquer referência ao que eles significam para a história da cidade, deu como exemplos: Páteo do Bichos e Largo do Casal.
A candidata referiu que “Mário Durval é um homem que está ao serviço dos outros” e que “tem vontade de mudar as coisas” apostando na qualidade, foi, por essa razão, que aceitou o convite de se candidatar na freguesia do Barreiro porque, disse, “estou convencida que o Bloco de Esquerda está aqui para mudar”.
Reabilitar a Quinta da Mina
Romy Tavares, candidato da Bloco de Esquerda à Presidência da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca, começou por referenciar que Mário Durval, candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, tem uma acção marcada pela coerência e que admira a sua forma de estar na vida politica.
A candidata criticou severamente a situação degradante que afecta o Bairro da Quinta da Mina, onde há casas sem degraus, sem portas, nem janelas e falta de apoio à integração daqueles que, no âmbito do PER, foram deslocados para aquele Bairro.
“A implosão é no futuro a solução para a Quinta da Mina” – referiu, porque os habitantes que ali vivem não tem qualidade de vida.
Sublinhou que aquela situação foi gerada pela gestão CDU, mas que a gestão PS, nada tem feito para mudar a situação.
“Não perco a esperança de reabilitar a Quinta da Mina” – sublinhou a candidata do BE.
“O Bloco de Esquerda pode não ganhar tudo o que quer ganhar, mas ganha ter assumido a consciência de problemas que afectam a vida da cidade” – disse.
Falta um Plano Estratégico
Carlos Palma, sendo natural do Barreiro, referiu que “sempre fui um apaixonado pela minha terra”, mas, acrescentou, tendo por razões profissionais vivido em diversos pontos do país e estrangeiro, quando regressa á sua terra – “sinto uma grande desilusão porque a minha cidade está degradada. O Barreiro é um enclave na Área Metropolitana de Lisboa. Falta um Plano Estratégico que contribua para revitalizar a cidade ”.
Este membro do BE, salientou que o Rio Coina e a Mata da Machada têm que ser valorizados – “o desenvolvimento previsto de Coina é desactualizado”.
Coina – crescer com qualidade
Vitália Ribeiro, candidata à Presidência da Junta de Freguesia de Coina, recordou que muitas das mudanças registadas em Coina, após o 25 de Abril, foram fruto da acção dos moradores, e, salientou que ali – “temos qualidade de vida”.
Na sua intervenção recordou o tempo da lixeira, da falta de posto médico, da falta de esgotos, anos até após o 25 de Abril, situações que hoje estão superadas.
“Coina tem que crescer com qualidade” – referiu Vitalina Ribeiro.
Bloco referência de cidadania
Manuel Sabino, candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho, recordou a necessidade imperiosa de ser construída a ETAR e criticou o modelo de urbanização desenvolvido na Quinta dos Fidalguinhos.
Na sua opinião a acção do Bloco de Esquerda tem sido positiva no concelho do Barreiro, referindo – “O Bloco falou de cidadania, hoje todos falam em cidadania”.
Desconstruir o mito do Alfredo da Silva
Humberto Candeias, candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Assembleia Municipal do Barreiro, começou por dizer que “há diferenças entre a gestão CDU e a gestão PS, embora haja coisas que estão iguais, com o Partido Socialista houve aspectos positivos nomeadamente sobre a participação dos cidadãos e sobre o pensamento de cidade. Há um pensamento de cidade, uma ideia de cidade, discutível, mas há, essa ideia não existia na gestão CDU, que era tudo a retalho”.
Humberto Candeias salientou que é necessário inscrever no território as memórias da cidade – os descobrimentos, o operário. Não há um monumento ao Operário, nem à Resistência.
Na sua opinião “há complexo em desconstruir o mito do Alfredo da Silva”.
“Há deficit cultural no Barreiro” – referiu o candidato do Bloco de Esquerda.
Espaços pedonais no Barreiro Velho
Fernando Vasconcelos, defendeu a necessidade de serem combatidos os “guethos” que existem no Barreiro, porque na sua opinião o conceito de identidade só existe com “sentimento de pertença”.
Criticou a situação em que está o parque escolar no concelho do Barreiro – “as escolas são edifícios cercados por um deserto no exterior”.
Defendeu a necessidade de serem desenvolvidas acções de forma a que na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro sejam ministradas licenciaturas em “Reabilitação Urbana” e em “Design Urbano”.
A finalizar salientou que é necessário criar no Barreiro Velho “espaços pedonais” e considerou que a elaboração de um Plano Estratégico que aponte uma visão de futuro da cidade e do concelho, deve merecer a partilha de todas as forças políticas e ser um dos compromissos com entre os eleitos e eleitores, nas próximas eleições autárquicas.
Criar condições de relacionamento
Mário Durval, encerrou o Encontro do Bloco de Esquerda, começando por sublinhar que o BE é “diferente porque tem orientação política diferente, temos claras as diferenças, o eleitorado sente as diferentes formas de fazer política” e, na sua opinião é essa diferença que levou a afirmar “Barreiro Cidade das pessoas”.
“O problema das cidades dormitório é que são um sitio que não são para as pessoas” – referiu, sublinhando que é necessário “combater o isolamento das pessoas” e “criar condições de relacionamento na cidade”, quer com novos modelos Urbanísticos, quer com apoios ao associativismo.
Garantir mobilidade a deficientes
Para Mário Durval é necessário promover a participação dos cidadãos, combater a solidão e promover vivências na cidade, isto passa, disse, por uma nova “politica de gestão da coisa pública” que hoje se caracteriza por “passar cheques”.
Referiu que estão a ser feitas obras de renovação dos passeios do centro da cidade, mas aquilo que era essencial dar o centro da cidade ás pessoas – “nada muda na essência, não há espaço para as pessoas”.
“Mudam os passeios, podiam pintar o alcatrão de amarelo, isto não muda a essência” – salientou o candidato do Bloco.
Manifestou a sua preocupação se, com a reabilitação que estão a fazer nos passeios no centro da cidade se vão ficar garantidas as acessibilidades a cidadãos que circulam em cadeiras de rodas – “Isto está garantido?”.
Uma gestão por objectivos
Mário Durval referiu a necessidade de se valorizar as memórias da cidade, porque o Barreiro é uma “cidade de memórias”.
No que diz respeito à gestão da autarquia criticou a “entrada massiva de boys”, mas manifestou a sua compreensão – “Há partidos que são agências de emprego”.
Por outro lado, referiu que é preciso uma nova cultura em relação aos trabalhadores da autarquia- “fazer uma gestão não em função de amigos, mas em função de objectivos”.
A finalizar o candidato do Bloco sublinhou que “vamos eleger para ajudar a mudar a vida e a face desta cidade”.














