Debate Autárquicas - 2005 (I)As propostas para o futuro do Barreiro

Por Jornal Rostos
O jornal “Rostos” promoveu, na SFAL - Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, um debate sobre as autárquicas de 2005 no qual participaram todos os candidatos à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
Emídio Xavier, PS; Carlos Humberto, CDU; Bruno Vitorino, PSD; Mário Durval, BE; Carlos Dantas, CDS/PP; Carlos Salgueiro, PCTP/MRPP, participaram num debate vivo e que, pode considera-se histórico, pois, de facto, foi a primeira vez que no concelho do Barreiro, todos os candidatos, de todas as forças politicas concorrentes à Presidência da Câmara, participaram num debate conjunto, ao qual assistiram largas centenas de cidadãos.
A ordem de intervenções foi sorteada, assim como a distribuição dos lugares.
No final, alguns dos cidadãos presentes pretendiam colocar perguntas, como no acordado com os candidatos, tal não era possível, alguns manifestaram indignados, por pretendiam colocar perguntas.
O debate foi animado e vivo. E escreveu-se, sem dúvida, uma página da história da democracia barreirense.
Os candidatos começaram por referir as linhas mestras dos seus programas eleitorais.
Carlos Dantas - CDS
“Uma auditoria externa às contas da autarquia”
“Nós somos um partido nacional, apresentamos aos eleitores do Barreiro espaço para votarem pelo centro e pela direita. Nós somos um partido da direita, da direita democrática e nacional.
A nossa candidatura, caso elejamos autarcas, é uma candidatura positiva, estaremos com as posições que nas autarquias, sejam justas.
Se na Câmara Municipal, determinadas posições, determinado tipo de atitudes, se entendermos que elas são justas, se elas correspondem às aspirações populares, podem crer que, quer pela voz do CDS, quer pelos seus autarcas, quer pelo deputado eleito Drº Nuno Magalhães, serão ouvidas onde tenham que ser ouvidas.
O CDS é um partido humanista, o CDS é um partido democrata cristão, nós entendemos que no centro da acção politica está o homem, a pessoa com valores.
Somos um partido que defende o municipalismo, por isso não estranhem, se, mais uma vez, vier por aí o debate da regionalização, que nós sejamos totalmente contra. Somos contra porque entendemos que não faz sentido criar novas formas administrativas.
As freguesias devem ter mais competências porque são quem está mais ao pé dos munícipes.
As Câmaras devem ter mais competências e devem ter melhores apoios e contrapartidas financeiras.
O Programa que o CDS vai apresentar amanhã aos barreirenses é fruto de reuniões de trabalho com entidades e com particulares, é feito com base no estudo de diversos dossier’s e, é feito, essencialmente, com os valores que o CDS Partido Popular defende.
Caso sejamos eleitos iniciaremos de imediato uma auditoria externa às contas da autarquia, porque nós temos que saber o que é que podemos contar para gerir. Gerir a coisa pública deve ser vista como gerir a nossa casa, temos que saber quanto temos e onde é que o vamos gastar.
Promoveremos de imediato uma auditoria aos procedimentos internos que actualmente são utilizados na autarquia, no sentido de detectarmos estrangulamentos e vermos como é podemos ter mais valias.
Eventualmente, podemos dispensar funcionários que estão subaproveitados na Câmara Municipal e dispensá-los às Juntas de Freguesia, para trabalhos mais próximos das populações.
Iniciaremos uma política de Recursos Humanos centrada nos funcionários, porque achamos que só com funcionários motivados, nós podemos ir mais longe. Um funcionário motivado leva a um cidadão satisfeito.
Em relação ao PDM, sei das possibilidades do Barreiro e não compreendo como é que o Barreiro tem perdido população, não compreendo como é que o envelhecimento da população é uma constante, não compreendo como com tantas capacidades, com tanto factor de atracção, não consegue atrair.
O PDM que nós defendemos foge às centralidades que nos são propostas, achamos que não podemos ter uma política de betão, construir mais, sobretudo onde não está construído. Temos que nos dedicar à reconstrução, como no caso do Bairro das Palmeiras, como de muitos quarteirões que existem no Barreiro Velho.
Em relação à zona ribeirinha, continuamos a achar, que não é admissível que a Câmara Municipal do Barreiro e o Barreiro estejam de costas para o rio.
A zona ribeirinha desde Coina até ao Lavradio deve ser aproveitada, este tem que ser um grande desígnio de todos os partidos e com este podem contar com o aval do CDS.”
Mário Durval - BE
“Defendemos a transparência total na Administração Pública”
"O Bloco de Esquerda, aqui representado por mim, tem vindo a posicionar-se, nesta vida política do Barreiro, afirmando alguns princípios, princípios que são os da participação dos cidadãos na decisão política, e, os princípios da qualidade de vida da cidade, contra os interesses particulares que se sobrepõem aos interesses públicos.
Assim, nós colocamos vários compromissos, perante os eleitores, para cumprir nestes quatro anos.
O Primeiro Compromisso : Quebrar o ciclo que os amigos são para as ocasiões.
Isto tem a ver com a gestão da Câmara, tem a ver com o acabar a quantidade de gente que é metida cada vez que muda o Executivo, com os amigos que vão preencher os lugares de topo e não de topo, os amigos os familiares, que nós todos conhecemos, sabemos que é assim. Infelizmente, não é só num partido.
O Bloco de Esquerda compromete-se a governar com todas as pessoas, de todos os partidos, e, sente-se com capacidade para liderar os trabalhadores da Câmara, independentemente dos seus partidos.
Por isso, também defendemos a transparência total, na Administração Pública, defendemos que quer contas, quer concursos, quer todos os procedimentos administrativos, de acordo com a legislação que existe, estão à disposição imediata dos cidadãos.
É inadmissível que haja Deputados Municipais que façam requerimentos a pedir documentos e que estejam anos sem os receber.
O segundo Compromisso – quebrar o ciclo do betão. De todos os executivos anteriores centraram o desenvolvimento do Barreiro na construção de novas urbanizações.
Neste momento temos 5000 habitações devolutas, vagas a degradarem-se constantemente.
É nossa política reabilitar, em vez de construir de novo, enquanto houverem 5000 casas sem gente, não faz sentido ir construir o Masterplan, ou, aquilo que já vem de anteriores gestões camarárias, que é o chamada nova centralidade de Coina, que não é mais que um novo dormitório com muitos milhares de pessoas, muitos milhares de fogos que não corresponde de facto ao desenvolvimento do Barreiro.
Outro Compromisso centra-se na qualidade de vida urbana, que passa por essa requalificação, em termos de reabilitar aquilo que são as habitações, mas dando uma perspectiva à cidade - melhorar a circulação, tirar os carros do centro da cidade, fazer com que as pessoas andem, que haja verde, que haja esplanadas, que haja animação nas ruas, que possa mudar, de facto, a vida da cidade.
E, quebrar o desprezo pelas pessoas, que é o desprezo pelo apoio social às pessoas, o desprezo pelas politicas sociais, o desprezo pelas crianças, o desprezo que tem vindo a assistir-se, sistematicamente, sobre aquilo que seja o social.
Devemos ir às raízes, assentar o Barreiro, no seu desenvolvimento, naquilo que são as suas raízes – o mar e as raízes que têm a ver com a sua história fabril e ferroviária, porque é a partir daqui que nós vamos construir um novo Barreiro.”
Emídio Xavier – PS
“Apostamos muito no Barreiro com uma cidade de referência”
“O Partido Socialista teve a principal responsabilidade na gestão autárquica durante estes quatro anos, portanto, a primeira questão que é preciso dizer, é que perante um conjunto enorme de problemas que herdámos e perante uma cidade que efectivamente se encontrava, efectivamente, perfeitamente adormecida.
Tivemos que avançar num número enorme de projectos, em áreas muitos diversas, nomeadamente, na questão das obras municipais, na requalificação da zona ribeirinha avançando para o POLIS, investimos no Auditório Augusto Cabrita, no Mercado Municipal de Santo André, na nova Avenida do Parque da Cidade, na Escola dos Fidalguinhos.
Investimos, naturalmente, em áreas muito diversas, na Educação, na recuperação das escolas, em projectos como a Feira Pedagógica, que era um projecto fundamental, e na área desportiva, actuámos muito na recuperação de equipamento e na construção de novos equipamentos, dos Polidesportivos, do Pavilhão Gimnodesportivo.
Investimos em áreas, que para nós eram fundamentais, como a questão do Ambiente, criando um Centro de Estudos e Educação Ambiental, investimos em áreas, tão importantes, como a questão do Planeamento, porque o Plano Director Municipal não serve, efectivamente, a cidade.
Desenvolvemos um projecto que assentava no Plano Municipal do Ambiente, num Plano Estratégico e, pela primeira vez, envolvemos, claramente os cidadãos nessa discussão.
Tivemos também, como não podia deixar de ser, preocupações de ordem social, que foram tidas a diferentes níveis, não só nas parcerias que constituímos com algumas instituições de segurança social, como com preocupações com a terceira idade. Criámos a Universidade da Terceira Idade, criámos o Programa de Gerontomotrocidade, criámos o Programa “O Mês do Idoso”.
Também, porque o Barreiro sendo uma cidade potencialmente bonita, estava feia, apostámos muito na Higiene Urbana e muito na recuperação das zonas verdes. Fizemos um investimento fundamental nos equipamentos e nas viaturas, que estavam muito degradadas, como o equipamento de lavas contentores, ou equipamentos para o saneamento, nos carros de recolha.
Investimos, muito, numa preocupação que para nós era fundamental, a integração social, criámos o Gabinete para Apoio ao Emigrante.
Fizemos um trabalho que nos parece fundamental nas novas tecnologias. O Barreiro, estava também aqui, completamente atrasado, criámos um site, criámos uma série de pólos de banda larga.
Portanto, criámos, de uma maneira geral, um conjunto de condições que nos permitem, hoje, avançar, para uma segunda parte deste projecto.
Esta segunda fase assentará, muito, antes de mais, na própria formação, dos próprios recursos humanos da autarquia, nunca se investiu tanto, na formação dos nossos funcionários. A Câmara, hoje, está certificada para dar formação aos funcionários e tem dado muitos cursos de formação.
O termos feito muito, não dá para falar tanto no futuro, mas estamos disponíveis para isso…
Apostamos muito no Barreiro como uma “Cidade Educadora”, apostamos muito no Barreiro com uma cidade de referência, existem um conjunto de projectos que, hoje, terão que assentar necessariamente, na zona da Quimiparque, que tem que ser um pólo industrial, que tem que manter o seu pólo comercial e de serviços, tem também que apostar na inovação e nas novas tecnologias, para o que temos vindo a desenvolver projectos e contactos, e, irão ficar ali, as empresas âncora, capazes de gerar novos postos de trabalho.
Ainda recentemente foi apresentado, perto da Quimiparque, um local que vai ser, concerteza, um ponto de referência, que gerará muitos postos de trabalho.
Estamos com uma aposta muito séria na questão do Barreiro como uma área onde se mantenha a coesão social.”
Bruno Vitorino – PSD
“Não gosto da forma como Barreiro tem vindo a ser gerido”
“Sobre o enquadramento e o falarmos de projectos futuros. Chamo-me Bruno Vitorino, tenho 34 anos, nasci no Barreiro, vivo no Barreiro.
Gosto do Barreiro, mas não gosto da forma como Barreiro tem vindo a ser gerido ao longo dos últimos anos, ao longo de todos os anos de democracia.
Acho que há muito mais que nós podemos e devemos fazer, enquanto políticos, para nos honrarmos e nos orgulharmos da terra, onde neste momento vivemos, onde alguns nasceram, onde todos queremos, naturalmente, em qualidade de vida o melhor para nós e para toda a nossa família.
É uma terra onde, o envelhecimento da população e o abandono das novas gerações, está evidente no Barreiro, perdemos nos últimos censos 8% da população, portanto, há que inverter esta tendência.
Não fixamos riqueza, não fixamos os jovens empreendedores, não fixamos os jovens.
Há, naturalmente, responsabilidade do Poder Político, e muitas, ao longo de décadas, neste estado em que o Barreiro está.
O candidato do Partido Socialista não teve tempo de ler tudo o que ainda tinha para ler, e, teve esta observação, que não lhe resta muito tempo para falar do futuro, porque fizemos muito obra no passado.
Eu não quero falar do passado. Não quero falar muito, quero falar alguma coisa, daquilo que foi a quantidade, o rol, de promessas eleitorais do Partido Socialista, há conta das quais ganharam as eleições.
Desde a Loja do Munícipe, o Cartão Social do Munícipe, construção das Marinas e instalações de apoio, o Hotel, requalificação das Praias de Alburrica, de Copacabana, Barra-a-barra, Moinhos de maré, as caldeiras, tenho um dossier inteiro para falar do passado, e, se houver tempo neste debate, naturalmente que, ao de leve, reflectir em conjunto sobre as promessas que o Partido Socialista fez há quatro anos, que não concretizou e foram de facto muitas.
A minha pergunta é sobre os projectos concretos do Partido Socialista e daí, percebo, a fuga, digamos assim, do candidato do Partido Socialista, e este é o problema: Qual é a credibilidade de quem fez promessas há quatro anos, agora voltar a fazer as mesmas promessas, quando tiveram a oportunidade durante quatro anos de as executar e não as executaram? Este é que o ponto principal.
Eu percebo o Partido Socialista se sinta, naturalmente, muito incomodado e com muita dificuldade em falar do futuro, porque não teve capacidade, em quatro anos, para desenvolver, aquilo que era o seu projecto, o seu Plano de Actividades.
O nosso programa está no nosso site: www. brunovitorino.net . Podem, naturalmente, aqui ver as nossas principais propostas.
É um programa para quatro anos, é um programa que assenta em mais solidariedade, mais emprego, mais qualidade de vida, mais transparência.Defesa do Património histórico-cultural que está completamente ao abandono, no Barreiro. Estacionamento gratuito no centro da cidade.
Atenção aos projectos que aí vêem e que vão transformar o Barreiro, com profundas alterações.
Reduzir a taxa de Imposto Municipal sobre Imóveis, que tem sido um desastre, que tem penalizado imensas famílias barreirenses.
Em termos de qualidade de vida, limpeza de ruas e praias, melhorar e aumentar os espaços verdes, não é os jardins só, é os espaços verdes.
Apoio à reconversão das AUGI’s, temos propostas concretas, naturalmente, aqui para a freguesia do Lavradio, por exemplo, criação de infraestruturas no Polivalente dos Fidalguinhos, com em muitos outros equipamentos desportivos de todo o concelho.
Acreditem, que temos um projecto vasto ambicioso, mas realista, um projecto para concretizar em quatro anos.
Um projecto que não é para ficar eternamente adiado para as novas gerações.”
Carlos Humberto – CDU
“Assumo a responsabilidade de criar o Pelouro da Democracia, Participação e Cidadania”
“Gostava de falar, fundamentalmente, do nosso projecto para o futuro. Ainda que possa fazer um pequeno parêntesis.
Nós entendemos que o nosso Programa devia ser construído com as pessoas, com as populações, e, andámos durante três meses, a ouvir, a conhecer os cantos da nossa casa, a conhecer melhor os cantos da nossa casa, a conversar com as pessoas, ouvi-las, com o Movimento Associativo, os Agentes Económicos, os Agentes Sociais, passámos depois para uma segunda fase, que era a discussão interna da CDU, relativamente ao Programa Eleitoral, numa terceira fase que foi debater com as pessoas as nossas propostas.
A partir de amanhã, divulgaremos o nosso Programa Eleitoral.
Isto também é uma forma diferente de intervir e de fazer politica, conceber a cidade que queremos, conceber o concelho que queremos, o concelho é das pessoas, as autarquias só têm razão de existir se servirem as pessoas, se não estiverem voltadas para dentro, para a resolução dos seus próprios problemas, mas resolver os problemas dos cidadãos, do desenvolvimento do concelho, do ser humano, não o ver como eleitor mas como cidadão de corpo inteiro.
Na segunda ideia que queria transmitir-vos, é que nós concebemos o Programa Eleitoral, tendo em conta quatro ideias.
Entendemos que devemos prometer aquilo que pensamos que é possível construir, que é possível fazer, não prometer aquilo que pensamos que não é possível, não fazer demagogia, não trabalhar por cima, desligado da realidade, não fazer afirmações balofas, não construir castelos de cartas.
Um outra ideia é que o Barreiro precisa ter voz, ter voz própria e não permitir que aconteça, o que aconteceu durante estes quatro anos, em que a EDP fugiu do Barreiro e não se ouviu a Câmara a protestar, em que os comboios deixaram de partir do Barreiro, e a Câmara não fez afirmações, não protestou para que assim não fosse, em que os trabalhadores da EMEF, foram reduzidos os postos de trabalho e não se fez ouvir a sua voz, foi construída uma Passagem Desnivelada, na Verderena, que as pessoas chamam uma ponte, que até é ilegal do ponto de vista da inclinação que tem e a Câmara não tomou medidas necessárias para que aquilo não acontecesse.
Nós precisamos de um concelho que tenha voz própria, de uma Câmara que represente as populações, que defenda os interesses das pessoas.
Por outro lado, achamos que é preciso dar voz às pessoas, é preciso que aquilo que aconteceu na construção do Programa Eleitoral, irmos fazer durante os quatro anos do mandato.
Se eu for Presidente da Câmara, assumo a responsabilidade de criar o Pelouro da Democracia, Participação e Cidadania, que já desenvolverei algumas ideias.
Por outro lado, é preciso explicar a história, a tradição do concelho e das suas freguesias, não aceitamos e consideramos indigno, indigno, que o candidato do Partido Socialista tenha afirmado que tem que mudar a imagem do Barreiro, porque a imagem do Barreiro é das chaminés, dos fumos e do vermelho, isto é inaceitável, até para aqueles que deram a sua vida a trabalhar no Barreiro, na indústria na produção e agora são caracterizados desta forma. O Barreiro tem identidade, e nós queremos projectar essa sua identidade no futuro, queremos partir do presente e do passado para construir o futuro, sabemos que o novo constrói-se sempre a partir do velho, mas o velho precisa de ser respeitado e projectado, é a nossa história, é a nossa identidade.
Quanto às orientações estratégicas, nós consideramos que as questões do desenvolvimento económico e do emprego, têm que ter uma prioridade, a Quimiparque, o pólo ferroviário do Barreiro, o relacionamento com os investidores, com os empresários, com micro e pequenos empresários, com o comércio local.”
Carlos Salgueiro – PCTP/MRPP
“Este sistema político está falido, não serve os interesses das populações”
“Estou aqui por dois motivos. Um porque sou do Barreiro, segundo porque esta casa, diz-me alguma coisa, vivi aqui durante muitos anos, importantes da minha vida.
Sou candidato pelo MRPP e depois de ouvir as lamentações todas, dos outros candidatos, cheguei a uma conclusão de facto: este sistema político não presta.
Este sistema político está falido, não serve os interesses das populações, há candidatos que defendem um sector, outros defendem outro.
Nós achamos que este sistema político vigente não serve de facto a população.
Eu, no meu dia a dia, na minha profissão, sou médico, osculto que grande parte das pessoas sabe o que não quer, mas neste momento, se calhar, não sabe ainda o que quer, logo, compete a nós, comunistas, ideologicamente, com uma teoria que leva à tomada do poder de facto, resolver de uma vez por todas esta questão.
Andamos sempre a lamentar. Hoje prometemos aquilo, amanhã prometemos o céu, e penso, que sou Ateu graças a Deus, não vos prometo o céu, promete-vos lutando, para mudar esta sociedade.
Esta sociedade é profundamente injusta.
Eu nasci no Barreiro das Palmeiras. Vivi nove anos no Bairro das Palmeiras. Hoje passei pelo Bairro das Palmeiras e vi o Pátio do Almeida, com uma porta. Lembras-te Inácio? Não tinha porta quando nós lá brincávamos.
É necessário que esta sociedade seja mudada. É necessário que os cidadãos que os cidadãos lutem pelos seus interesses. Ninguém pode lutar pelos nossos interesses, se não formos nós a lutar por eles.
Eu posso prometer que quero um Centro não sei de onde, é mentira.
Eu quero é infraestruturas e mais do que tudo a mobilização das populações na reivindicação dos seus direitos.
É uma terra operária, camponesa, ainda há dias de vinhas e pomares do Lavradio, quando eu vim para cá, não há uma única representação desta história.
Não há um Museu vivo da cidade, onde os nossos jovens aprendam o que é que foi um caldeireiro, um carpinteiro, um jardineiro, não há nada na nossa cidade. Temos uma estátua ao Alfredo da Silva, não temos uma estátua ao Barreiro. É inconcebível.
O nosso plano é um plano de luta. Criar as infraestruturas.
Para que isto aconteça é preciso mobilizar as pessoas. Têm que acreditar que é possível lutar contra este sistema.
Este sistema está caduco. Está caduco na saúde, que é a minha área. Está caduco na indústria. Hoje não temos indústria, hoje não temos agricultura, hoje não temos nada. Entrámos para a CEE todos contentes.
Enquanto não pusermos na nossa cabeça, a necessidade de mudar este sistema político, podemos estar cientes, todos os cidadãos aqui presentes, que daqui a quatro anos, vimos cá prometer outra vez o polidesportivo, não sei para onde, uma piscina não sei para onde, e o que está em causa é de facto o sistema politico, que está por trás desta engrenagem, que permite a perpetuação da exploração de uma classe perante outra classe.
Esta é a nossa visão. Esta é a visão que eu tenho há trinta e tal anos, e ainda não mudei, não consigo mudar, não consigo perceber porque é que as pessoas mudam, porque de facto, a emancipação do homem só se faz por ele próprio.
Não podemos delegar nos outros, aquilo que nos compete a nós. Temos que lutar.
Devemos ousar lutar, ousar vencer. Mesmo que nós tenhamos uma mar imenso, um oceano imenso, a separar da nossa realidade, vamos conseguir, se ousarmos vencer, conseguiremos mobilizar as pessoas para vencermos as nossas dificuldades.
Queremos no Bairro das Palmeiras, não é aquilo que lá está, mas tem que mudar.
Eu não sou político. Nunca serei político na minha vida, para mim a minha profissão é importante, mas tenho sempre o meu ponto de vista, é necessário lutar.
Estas sessões duvido que sejam feitas para a população, quer queiramos, quer não, aqui estão os simpatizantes do PCP, os simpatizantes do PS, a população não está aqui, aqui está uma minoria.
É preciso ousar mudar, para ousar vencer.
Não é uma questão de Poder Local, é uma questão nacional, é preciso ousar lutar por outro sistema, é impossível de outra maneira.
Já assisti a tantas eleições, toda a gente muda, toda a gente promete.
O primeiro Ministro prometeu baixar os impostos, que é que ele fez, aumentou os impostos. Qual era atitude coerente do Presidente da República, era demiti-lo. Clara e simplesmente. Ele concorreu às eleições. Houve promessas. Não cumpre. Demite-se.”














