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Francisco Louça na Moita“Vencer é afirmar uma maioria de mudança”

A situação da AutoEuropa e a solidariedade demonstrada pelos trabalhadores portugueses em relação aos trabalhadores alemães, também pressionados pela administração a “trabalharem mais e a receberem menos, algo inconcebível e que viola todos os direitos adquiridos ao longo de mais de um século pelos sindicatos.” foi sublinhado por Francisco Louça, no jantar com apoiantes que decorreu na Moita.

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Por Jornal Rostos

Francisco Louçã, candidato às presidenciais pelo Bloco de Esquerda, esteve hoje presente num jantar-comício na Moita, promovido pela concelhia do partido.

Lenta, muito lentamente, foram chegando os comensais ao jantar-comício, mas também Francisco Louçã se fez esperar. Recebido sem as habituais palmas e música de fundo, ou seja, sem o aparato habitual nos outros candidatos, Louçã percorreu as mesas dispostas no salão dos Bombeiros Voluntários da Moita, onde mais de duzentas pessoas o aguardavam e depois seguiu-se o bacalhau bem à portuguesa, acompanhado por poemas que eram entregues em cada mesa por uma «cozinheira» original.
Após o repasto, tempo para os discursos, mas antes disso, os eleitos do Bloco Esquerda quiseram homenagear Francisco Louçã com a entrega de uma miniatura de um varino, barco típico daquelas águas, assim como um cachecol do UFC Moitense, oferecido por um jovem do concelho.

União Europeia à beira da maior crise de sempre

António Chora, Joaquim Raminhos, José Peixoto e Fernando Rosas foram os oradores da noite, antes do encerramento por Francisco Louçã.
Se os primeiros se limitaram a apelar ao voto e à derrota da direita no dia 22 de Janeiro, já Fernando Rosas, candidato às presidenciais de 2001, levantou a questão da abordagem realizada pelos candidatos a Presidente da República à questão da União Europeia.
“A União Europeia está à beira da maior crise de sempre e ninguém, excepto o Bloco de Esquerda, tem apresentado soluções para o problema, afirmando que o futuro é uma Europa do socialismo, para construir uma alternativa à Europa pobre e em crise.
As opiniões dos outros candidatos permitiram uma clarificação do que cada candidatura é e pensa em relação a este assunto, de máxima importância. O grande capital apoia o candidato Cavaco Silva, que se regojiza com a entrada de Portugal para a União Europeia no tempo em que era Primeiro Ministro, esquecendo-se de dizer que foi no seu tempo, à semelhança do que aconteceu com o ouro do Brasil, que quase todo o dinheiro que entrou para o país foi mal gasto por quem mandava, exceptuando as construções de auto-estradas, e não semeou nem riqueza nem progresso.
Manuel Alegre e Mário Soares também se alegram com essa entrada de Portugal na UE, mas desejam manter tudo na mesma, e se Manuel Alegre pouco sabe daquilo que fala, Mário Soares sabe, mas continua com um discurso demagógico, sem tocar nos problemas essenciais da Europa de hoje.”
Já em relação a Jerónimo de Sousa, Fernando Rosas considerou que “a CDU recuou até
às suas posições do passado, considerando que Portugal não devia entrar na UE, mas não refere qual o programa que propõe para resolver a situação.”
A AutoEuropa e a situação de pressão a que os trabalhadores estão sujeitos, foi o principal exemplo desta situação europeia apontado por Fernando Rosas, que referiu ainda apoiar em tudo os trabalhadores da empresa.

Não é a canditura de um homem só, mas de um movimento

Francisco Louçã terminou a noite, antes da sobremesa e do café, referindo que tinha ficado um pouco “sem jeito, pelas prendas que recebi, acima de tudo porque esta não é uma candidatura de um homem só, mas sim de um movimento”.
Em relação aos outros candidatos, Louçã referiu que “quanto mais nos aproximamos do final da campanha mais sentimos a sua desorientação, com acusações contra a comunicação social e queixas, muitas queixas, mas apenas nos podemos queixar da situação grave que o país vive, e por isso fiz uma escolha: que em nenhum dia da campanha me vou desviar das questões essenciais do país.
E estas são: a paridade entre os homens e as mulheres, a sustentabilidade da Segurança Social, e a questão que mais preocupa os portugueses, o emprego precário e o desemprego de milhares.
Mas as dificuldades em que o país se encontra também deram força a que seja criado um movimento de baixo para cima, para levantar o compromisso da igualdade, fraternidade e solidariedade.”
Maior ameaça ainda foi apresentada por Louçã sob a forma do « polvo de interesses económicos» cujos tentáculos se têm espalhado por toda a Europa. E também não deixou de referir a situação da AutoEuropa e a solidariedade demonstrada pelos trabalhdores portugueses em relação aos trabalhadores alemães, também pressionados pela administração a “trabalharem mais e a receberem menos, algo inconcebível e que viola todos os direitos adquiridos ao longo de mais de um século pelos sindicatos.”
Mas é preciso apresentar a diferença e Louçã aponta como “o principal meio diferenciador da minha candidatura é a cultura, a diferença na forma como nos vemos uns aos outros. É preciso fixar-nos no presente para construir uma democracia e uma sociedede aberta, que não pode ser fechada em nome dos tentáculos do poder.”
No entanto, Louçã não pode fugir às recordações, com o candidato a relembrar os ministros da cultura de Cavaco Silva, Santana Lopes e Sousa Lara, que perseguiu José Saramago, “ministros que não conheciam a diferença entre uma sociedade bafienta e uma sociedade aberta.”
Para terminar uma noite longa, Francisco Louçã ainda referiu que “aos restantes candidatos faltam-lhes fibras novas e garra. A minha candidatura tem como principal objectivo combater as políticas fechadas, conservadoras e perseguidoras dos direitos essenciais. Vencer é afirmar uma maioria de mudança.”

Maria do Carmo Torres

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