Mário Soares aqueceu noite de AlmadaCavaco Silva irá criar um conflito institucional

Por Jornal Rostos
Pontual como já habitou os seus apoiantes, Mário Soares chegou às 20 horas a um conhecido restaurante Casas Velhas, Almada, para um jantar convívio onde estiveram presentes cerca de quinhentas pessoas.
Menos pontuais foram muitos dos convivas, que mais de meia hora depois da entrada do candidato a Presidente da República, ainda se apressavam a comprar os almejados bilhetes para o jantar.
Ao som de “Soares é Fixe” e de música de fundo, o visado percorreu as mesas, cumprimentando, ao mesmo tempo que ia petiscando algumas das entradas, talvez porque o dia fora cansativo e precisa-se de recuperar forças.
«Soares não tem vergonha do PS»
Num discurso inflamado, Jorge Coelho aqueceu a noite, referindo que “Mário Soares tem provas dadas e na sua campanha estão dirigentes do PSD, do PP e de outros partidos políticos que acreditam que é preciso eleger Mário Soares como Presidente da República.
Mário Soares não tem vergonha do Partido Socialista que o apoia, ao contrário de Cavaco Silva, porque Portugal também sabe que Soares, enquanto presidente e primeiro-ministro sempre foi isento e inatacável.”
A noite foi repleta de ataques a Cavaco Silva, iniciados por Jorge Coelho e continuados depois, com algumas lições de história à mistura, por Mário Soares.
Jorge Coelho deixou mesmo uma mensagem a Cavaco Silva: “Ele só fala que a sua campanha é apoiada por gente anónima e simples, que não tem grandes entidades nem o partido a apoiá-lo. Mas o orçamento de Cavaco Silva é o mais alto de todos os que foram apresentados. Lanço-lhe um desafio, que apresente e publique a lista dos, pelo menos, quinhentos cidadãos que mais têm contribuído para a sua campanha, para o país ficar a saber se são cidadãos simples ou outros quem o apoia.”
Presidente da República é um moderador
Foi depois a vez de Mário Alberto Nobre Soares, o candidato apoiado pelo PS para Presidente da República.
Algum cansaço fazia-se sentir na voz de Mário Soares, que passou o tempo do seu discurso encostado à tribuna, talvez pelo dia fatigante, que incluiu uma viagem de comboio até ao Fogueteiro, antes de se dirigir a Almada.
“Candidato-me porque considero que era necessário ao país e reafirmo também que preciso do apoio do PS para esta campanha.”
Mário Soares relembrou então os tempos do 9º Governo Constitucional e de quando, como Presidente da República, teve de dissolver a Assembleia, “uma decisão que precisa sempre de muita reflexão e não pode ser usada como uma arma, conforme alguns candidatos pensam”.
“O Presidente da República é um moderador, para quem todo o país se volta quando as coisas estão más. Este não é um cargo técnico mas sim um cargo político para quem não tem vergonha da política. Mas é preciso ter em conta que um Presidente da República não se pode meter com os assuntos do Governo, porque se o fizer está a desautorizar este ou então vai entrar num conflito constitucional.”
É para evitar este conflito que Mário Soares apelou aos votos dos portugueses para derrotar o candidato da direita, senão à primeira, pelo menos na segunda volta “porque a ganhar, Cavaco Silva irá criar um conflito institucional. E atrás dele podem vir aqueles que querem utilizar as eleições para levar o Presidente da República a mudar o regime e conseguirem a desforra das últimas eleições”. (E aqui a gaffe da noite, com Mário Soares a afirmar que quem venceu as últimas eleições foi a direita.)
«Cavaco Silva é como um eucalipto»
E os ataques ao candidato da direita continuaram, com a afirmação de que este não fala de anteriores governos e de quem o apoiou nesses tempos “porque tem ciúmes e não quer que mais ninguém apareça junto dele. Cavaco Silva é como um eucalipto, seca tudo à sua volta. O pai do monstro do deficit que hoje sofremos foi Cavaco Silva, que durante os anos desde que deixou de ser primeiro- ministro, se limitou a escrever alguns artigos sobre a crise, mas sem nunca dar resposta para sairmos dela.”
Convencido de que será necessária uma segunda volta nas eleições, que irá vencer, considera que as eleições de 22 de Janeiro “são necessárias para retirar a Cavaco Silva os pontos que lhe dão a vitória nas sondagens.”
“Ele recorda apenas os bons tempos, mas esquece-se que chegou ao Governo na altura em que Portugal estava a receber os fundos europeus, alguns dos quais foram bem empregues em estradas e hospitais, mas outros, que se destinavam à agricultura e à requalificação profissional, foram engrossar os bolsos de alguns capitalistas.”
Para o seu mandato, Mário Soares já tem pontos definidos: não irá repetir as presidências abertas, porque o modelo destas foi gasto pelos seus sucessores, mas vai realizar Presidências de Proximidade para falar com a população e pretende incentivar os empresários a criar uma nova cultura empresarial baseada na inovação e na investigação, “dando sempre apoio ao Governo para que este governe bem e se possa mudar Portugal”.
Maria do Carmo Torres














