Eduardo Gageiro no Barreiro«Temos é que fazer outro 25 de Abril»
“Estão a brincar com a dignidade das pessoas. Acho que o povo português, de que eu faço parte e que tenho grande orgulho de dele fazer parte, é um povo que está a ser muito passivo. Eles qualquer dia fazem xixi em cima da gente. Não podemos deixar” – afirmou Eduardo Gageiro, que registou momentos históricos da Revolução de Abril, cujas fotografias podem ser vistas no Auditório Municipal Augusto Cabrita.
“Eles estão a retirar as reformas aos mais velhos, para eles morrerem mais depressa, porque assim não pagam tantas reformas. Sei lá! Se calhar é!” – sublinhou.

Por Jornal Rostos
Até ao próximo dia 25 de maio, o Auditório Municipal Augusto Cabrita, na Galeria Azul, recebe a Exposição de Eduardo Gageiro “Abril/Maio 1974”.
É uma exposição de fotografias, a preto e branco, obtidas entre os dias 25 de abril e 1 de maio de 1974 e publicadas no livro “LIBERDADE – Abril/Maio 1974”, editado em 2013 com a parceria da Câmara Municipal do Barreiro.
Gostaria que fossem depostos rapidamente
Numa breve conversa com Eduardo Gageiro, procurámos saber o que sente, passados quarenta anos após o 25 de Abril, quando olha para as suas fotografias desta exposição.
“Sinto que estou desencantado, porque no dia 25 de Abril havia uma ditadura, como todos nós sabemos, e agora há uma ditadura diferente, digamos que imposta por frangos de aviário, porque, realmente, estes homens que constituem o Governo são tipos que não têm passado e espero que não tenham futuro.
Eles andaram, na verdade, a enganar as pessoas. Dizem que foram eleitos democraticamente, mas foram democraticamente eleitos, porque fizeram promessas ao povo português que não cumpriram, são profundamente desonestos e mentirosos.
Eu gostaria que fossem depostos rapidamente, mas devia ser, como diz Vasco Lourenço, mas à paulada” – disse o fotógrafo que registou momentos históricos da revolução de Abril.
O rico nunca é preso
“De forma que espero, aquilo que está a acontecer na Grécia, que está a acontecer em Espanha, se repita cá, que as pessoas façam uma revolução e prendam estes tipos que estão a destruir a vida das pessoas mais humildes, das pessoas mais necessitadas, enquanto cada vez há mais ricos e mais corrupção. Estas pessoas nunca são presas, só o homem que vai ao Pingo Doce, o sem abrigo, que rouba uma lata de conserva, esse do verdadeiro povo, é que é preso. O rico nunca é preso” – acrescentou Eduardo Gageiro.
Qualquer dia fazem xixi em cima da gente
“Estão a brincar com a dignidade das pessoas. Acho que o povo português, de que eu faço parte e que tenho grande orgulho de dele fazer parte, é um povo que está a ser muito passivo. Eles qualquer dia fazem xixi em cima da gente. Não podemos deixar.
Eu cá estou, dentro da minha modéstia, da minha fragilidade física, mas intelectualmente não, para fazer frente a estes bandidos. Estes homens não têm passado, nem futuro, estão a destruir a vida” - referiu.
Reformados morrerem mais depressa
“Houve um amigo meu, muito mais radical que eu – eu até acho que não sou radical, sou moderado – dizia-me: Tu não percebeste, eles estão a retirar as reformas aos mais velhos, para eles morrerem mais depressa, porque assim não pagam tantas reformas. Sei lá! Se calhar é!” – sublinhou.
O 25 de Abril valeu a pena? - perguntámos
“Valeu a pena sempre. Temos é que fazer outro 25 de Abril.”














