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Barreiro - Fotografia de Valter Ventura na Baía TejoOs «pequenos restos das fábricas» como sinais de «uma coisa que sinto em transformação»

Valter Ventura, é um dos participantes no projecto «Da Fábrica que desvanece à Baía do Tejo», exposição que pode ser visitada na Baía do Tejo até ao próximo dia 11 de Outubro.

“Há uma distância grandíssima entre aquilo que foi e vemos nas imagens de arquivo e aquilo que é, é nesse intervalo, entre aquilo que foi e aquilo que é que eu estou a trabalhar” – refere Valter Ventura.

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Barreiro - Fotografia de Valter Ventura na Baía Tejo Os «pequenos restos das fábricas» como sinais de «uma coisa que sinto em transformação»

Por Jornal Rostos

A visita à exposição «Da Fábrica que desvanece à Baía do Tejo» começa, precisamente, num encontro com os trabalhos de fotografia, video e imagens de arquivo com a organização e produção de Valter Ventura.
A exposição de fotografia é intitulada “Resquicio”, a proposta de descoberta de imagens de arquivo da antiga CUF tem como tema “Pormessa”, e o vídeo é denominado «O Som e a Fúria».

A fábrica fazia parte de uma promessa de felicidade

Procuramos saber com Valter Rosa, quais as ideias que motivaram e são a expressão da sua proposta criativa.
“A ideia inicial tem a ver com as duas ideias muito opostas que encontrei aqui no espaço da antiga CUF, por um lado, o lado do Arquivo, com uma série de imagens que anunciavam uma espécie de esperança, ligada à indústria da época, em que o mundo podia ser construído, com a ideia da máquina, do trabalhador ligado à máquina, todo esse esforço de construção, de utopia socialista – um coisa do género – uma ideia em que a fábrica fazia parte de uma promessa de felicidade e de construção de uma felicidade através do trabalho” – sublinha Valter Ventura.

Espaço totalmente desolado

“E, aquilo que encontrei efectivamente aqui, um espaço totalmente desolado, a ser destruído a pouco e pouco e que está em ruína.
Essa ideia oposta de esforços, que as imagens do arquivo propunham, do esforço da construção, a ideia que o esforço construía coisas, e, agora, a ideia que se está aqui a passar, na realidade é um esforço de destruição das coisas” – acrescenta.

Uma coisa que sinto em transformação

“Na parte do Arquivo selecionei imagens de grandeza, ligada à indústria, por outro lado, no que vi aqui fora estive a fotografar, é o que resta, pequenos objectos, pequenos restos das fábricas, que foram totalmente destruídas e que estão aqui, uma coisa que sinto em transformação.
Há uma distância grandíssima entre aquilo que foi e vemos nas imagens de arquivo e aquilo que é, é nesse intervalo, entre aquilo que foi e aquilo que é que eu estou a trabalhar” – refere Valter Ventura.

Oportunidade de residir cá dentro

Já conhecia o território da Baía do Tejo» - perguntámos
“Só conhecia este espaço do exterior. Esta residência, através da Claudia Ramos, foi também a oportunidade de residir cá dentro, ver o espaço e pela primeira vez sentir a dimensão que ele tem, que era uma coisa que eu do exterior nunca tinha essa possibilidade”.

Um sentimento de fantasmagoria

Como foi essa descoberta do espaço?
“São sentimentos contraditórios, por um lado há uma ideia, muito interessante, ligada a esta ideia de ruína, que é fascinante e ao mesmo tempo, não deixa de ser estranho, pensar num espaço que influenciou a vida de tantas pessoas com milhares de trabalhadores, sentir que este sitio que já foi tão habitado, com tantas histórias de tantas famílias, que passaram por aqui, que deixa-nos um sentimento de fantasmagoria, ver este terreno completamente deserto e sabermos o outrora, pelo arquivo, que tinha sido um espaço tão habitado e tão vivo”.

Reconstrução que é um esforço de destruição

O seu vídeo é uma proposta para que se abra uma janela e construir?
“É mais que isso, é participar neste esforço de reconstrução que é um esforço de destruição.
O esforço que eu vejo agora aqui no antigo território da CUF é um esforço de demolição e eu fiz parte desse esforço de demolição deste espaço”.

Valter Ventura
Nasceu em Lisboa, em 1979. Licenciou-se em História de Arte pela Faculdade de Letras de Lisboa, onde é actualmente doutorando. Terminou como Bolseiro do Banco Espirito Santo, o Curso Avançado de Fotografia no Ar.Co. É professor no Curso Superior de Fotografia do Instituto Politécnico de Tomar, colaborando também com o Ar.Co e o Atelier de Lisboa.

Foto - Marta Pereira

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