Chefe António Dionisio, o bombeiro mais antigo do Sul e Sueste - Barreiro«Hoje ser bombeiro é mais exigente, exige-se mais formação»
É, hoje, o bombeiro mais antigo, no activo, nos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste.
“Se voltasse atrás na minha vida, voltava a ser bombeiro”, salienta.

Por Jornal Rostos
Numa breve conversa com o Chefe Dionisio, ali, no Quartel dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, recordou que veio para o Barreiro, como aconteceu com muitos, na procura de trabalho, iniciando-se na profissão de bate chapas.
E, foi no exercício da sua profissão que manteve o primeiro contacto com os Bombeiros.
“Um dia lá na Oficina foi colocado um carro dos Bombeiros de Salvação Pública para arranjar. Olhe, aquele que está ali no Museu do Bombeiro, da Baía do Tejo. Em conversa tomei conhecimentos e liguei-me aos Bombeiros. Fiz-me sócio da Salvação Pública em 1975”, diz-nos
E um dia tomou a decisão de integrar os Bombeiros Voluntários, integrando o Corpo Activo dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste.
Após 13 anos de voluntariado, actualmente exerce a função de Chefe, sendo profissional e desempenhando funções nas Oficinas da Corporação, ao mesmo tempo que integra o corpo activo e cumprindo todas as escalas e serviços – “faço parte da equipa de primeira intervenção”, salienta.
Foi Cadete, Aspirante, Bombeiro, deu todos os passos numa vida dedicada ao serviço dos Bombeiros uma causa que abraçou.
O primeiro acidente na memória
Recorda, como se fosse hoje, o primeiro acidente que acompanhou na sua missão de bombeiro.
“Foi no dia 31 de Janeiro de 1976, um acidente de motorizada em Santo António da Charneca. O motociclista morreu”, salienta.
“Foi o meu primeiro acidente e isso nunca se esquece”, afirma.
Está vivo pode agradecer ao bombeiro
“Outro acidente que recordo foi na portagem de Coina. Tive que tomar decisões e retirar a pessoa do carro.
Passado um ano, essa pessoa veio agradecer. Disse-me que o médico que o assistiu lhe disse – ‘se você está vivo pode agradecer ao bombeiro que o retirou do carro’. Isso deixou-me muito feliz. Foi um momento difícil, tive que tomar decisões, ali, no momento”, comenta António Dionisio. Sente-se a emoção nas suas palavras.
Há uma evolução muito grande
“É esse o nosso objectivo – socorrer quando as pessoas precisam e sentimos que o nosso trabalho tem sucesso”, refere o Chefe Dionisio.
“Mas, hoje ser bombeiro é mais exigente, exige-se mais formação, temos equipamentos muito diferentes. Há uma evolução muito grande comparativamente ao tempo que iniciei a minha vida de bombeiro, e nós temos que acompanhar a evolução. Há mais exigência quer ao nível da saúde, que ao nível de incêndios”, sublinha.
Temos que actualizar conhecimentos
O Chefe António Dionisio salienta que mantém uma boa relação com os jovens bombeiros.
“Eles obrigam-nos a actualizarmo-nos a adquirir mais conhecimentos. Ou ficamos para trás”, refere com um sorriso.
Refere a importância da formação que é desenvolvida, todos os anos, de forma continuada em diferentes matérias.
Uma ou duas corporações
A propósito de uma ideia que por vezes se comenta de uma eventual fusão das duas corporações dos Bombeiros no concelho do Barreiro, salienta – “podia ser positiva, mas por outro lado uma sã rivalidade também é saudável, existem opções, até para os próprios bombeiros”.
“O eventual beneficio que poderia existir talvez fosse ao nível de apoios, porque assim os apoios são divididos por duas corporações”, refere.
Não se mostra nem defensor, nem contra a ideia, é um assunto que não o incomoda.
Estar nos bombeiros é uma aventura
“Se voltasse atrás na minha vida, voltava a ser bombeiro”, salienta.
“Estar nos bombeiros é uma aventura e hoje a formação que existe proporciona a um jovem bombeiro muitos conhecimentos, que até lhe podem ser úteis numa futura escolha profissional”, afirma.
“Ser bombeiro é estar a participar numa actividade muito positiva e os jovens que venham para bombeiros, até se afastam de outras realidades. Deixo o convite aos jovens que venham para bombeiros”, salienta.
Ta pai tal, tal filho
António Dioniso, é casado, tem um filho.
“O meu filho foi Bombeiro no Sul e Sueste e hoje é bombeiro no Corpo de Sapadores de Lisboa”, sublinha e sente-se um brilho de alegria nos seus olhos – “seguiu o caminho do pai”.
Comandante Aníbal uma referência
No final desta nossa conversa perguntámos se houve alguma figura na sua vida de bombeiros que o marcou como exemplo de vida.
“Sim. Foi o Comandante Aníbal. Foi para mim uma referência, um homem que sempre soube transmitir e passar aos outros os seus conhecimentos”, afirmou.














