Fotógrafos do Barreiro - Aníbal Santos e Bento SantosProduziram postais ilustrados de todo o país
. Cromos da bola foram aos milhares
Aníbal Santos e Bento Santos, dois nomes que fazem parte da história da fotografia de Portugal e do Barreiro.
Produziram milhares de postais de norte a sul do país. Fotografaram campos de futebol, treinadores e jogadores de norte a sul do país.

Por Jornal Rostos
Aníbal Rafael Santos, tem 73 anos, nasceu em Olhão, mas com dois anos veio viver para o Barreiro. Seu pai Joaquim Ferro, era trabalhador da CP, sua mãe Raquel Beja, natural de Vila Real de Santo António, trabalhou no mundo da cortiça.
Aníbal Santos, cresceu e viveu na Rua Miguel Pais, ali, perto do cais da Mercantil, uma rua mítica para muitos barreirenses, como ele recorda – “vivi ali ao lado da Fábrica do Sabão Macaco”.
Frequentou a Escola Conde Ferreira e a Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva, na área do Comércio.
Foi aprendiz de electricista na CP, depois seguiu-se a vida militar, em Tancos e nos Sapadores, em Lisboa, como telegrafista.
Fotografia “é um gosto pessoal”
Um dia descobriu o seu gosto pela fotografia – “é um gosto pessoal”.
E foi essa actividade que marcou a sua vida profissional.
“Sabe a máquina não interessa, o que interessa são os ângulos que, ao passarem pela nossa cabeça, nós os fazemos”, sublinha.
Lançar os cromos da bola
Bento Santos, é seu irmão, tem 69 anos, nasceu no Barreiro e a sua vida também foi marcada pelas vivências da Rua Miguel Pais.Foi militar em Moçambique.
Recorda que em pequeno ele e os seus amigos colecionavam os “cromos da bola, que entretanto desapareceram”.
“No ano de 1978 não havia cromos”, refere Bento Santos.
Foi então que lançou o repto na empresa que trabalhava na Amadora – Mobilgráfica – de começar a editar as cadernetas e cromos da bola.
Refere que a ideia foi aceite e, desde então, ele e seu irmão, os dois barreirenses, foram os protagonistas de muitas edições de cadernetas de cromos da bola.
“Fomos por todo o país. Falávamos com treinadores. Fotografamos um a um os jogadores de equipas, os seus campos. Foram milhares de fotografias” refere.
Recorda que, por fim, tinham que recorrer ao apoio de outros fotógrafos para os apoiar no projecto.
“Era uma actividade comercial que nós geríamos e também tínhamos a nossa parte de fazer fotografia”, salienta.
Fizemos postais de Bragança a Vila Real de Santo António
Mas, estes dois barreirenses para além da fotografia, foram os responsáveis pela edição de milhares de postais de promoção de vilas e cidades.
“Eram os postais para os turistas”, sublinha Aníbal Santos.
“Fizemos postais de Bragança a Vila Real de Santo António”, sublinha.
Foi uma actividade que conduziu à criação, nos anos 80, de uma empresa unipessoal, com sede no Barreiro, na Rua Almirante Reis – Iberponto.
“Fomos nós que produzimos os postais do Barreiro, editados nesses anos pela Livraria Bocage”, recordam.
“A colecção da D. Cacilda”, comentámos. “Sim, essa”, confirmaram.
Augusto Cabrita um amigo
Recordam que o escritório da Iberponto, localizado na Rua Almirante Reis, era perto da casa onde residia Augusto Cabrita.
“Ele frequentava o nosso escritório. Tínhamos uma mesa de luz onde ele gostava de ver os negativos”, comenta Aníbal Santos.
“Era uma relação de amizade. Dava-me com ele muito bem, era um grande amigo”, sublinha.
História da fotografia de Portugal e do Barreiro
Aníbal Santos e Bento Santos, dois nomes que fazem parte da história da fotografia de Portugal e do Barreiro.
Produziram milhares de postais de norte a sul do país. Um espólio que um dia merecia ser trabalhado e divulgado pelo Arquivo Municipal.
Fotografaram campos de futebol, treinadores e jogadores de norte a sul do país. Outro espólio de referência que não deve ser esquecido.
Editaram cadernetas que motivaram gerações e criavam movimentos de coleccionadores por todo o país.
Dois nomes de trabalho e dedicação à fotografia.
Dois barreirenses que descobrimos, num acaso, numa manhã de domingo, ali, na Avenida da Praia.
Aqui fica o registo, afinal, mais dois nomes que, como muitos outros, colocam o Barreiro na «rota da fotografia» de Portugal.
Um registo para que a sua terra natal não os esqueça e lhes dê o relevo e divulgação que merecem.
S.P.














