Jezelde Zabelo descobriu o fado aos 60 anos«As pessoas na Moita gostam muito de fado»
Agora, aposentado, descobriu o fado e dedica-se ao fado com paixão.
“Nunca mais parei de cantar. Estou em todas para ajudar, é para Lares de Terceira Idade, Igrejas, colectividades, lá vou sempre com o Nélio Nunes e outros, sempre em voluntariado”, comenta.

Por Jornal Rostos
Jezelde Zabelo, nasceu na Moita, em 14 de Abril de 1947, concelho onde sempre viveu, uma vida ligada ao mundo agrícola, no Pinhal da Areia.
Um produtor agrícola, cuja actividade diária começava às 2h30 da manhã, no Mercado Abastecedor do Barreiro, onde comercializava os seus produtos.
“Nunca me interessei pelo fado”, refere na nossa conversa, ali, na Praça da República, no centro da Moita.
Eu tinha uma grande vontade de ser avô
Tinha 60 anos, quando nasceu o seu primeiro neto – David – um acontecimento que viveu com muita intensidade. Escreveu um poema dedicado ao seu neto.
“Eu tinha uma grande vontade de ser avô”, refere,
Uma noite estava a jantar numa casa de fados, no Montijo, e surgiu o convite para cantar um fado.
“Eu nunca tinha cantado. Insistiram para eu cantar. Cantei o fado que escrevi para o meu neto”, recorda.
Refere que no final o guitarrista disse-lhe – Venceu-nos mas não nos convenceu”. Então perguntei-lhe: “Porquê”. Ele respondeu: “Se foi a primeira vez que cantou acompanhado, foi muito bom”.
Jezebelde Zabelo, fala-nos emocionado desse acontecimento.
Nunca mais parei de cantar
Refere que, após esse momento há cerca de três anos, nunca mais voltou a cantar o fado, até que, noutra noite numa tertúlia de fado, foi convidado a cantar.
Estava aberto um caminho que nunca tinha pensado ou sonhado.
“Eu não tinha tempo, a minha vida era toda para o trabalho que me ocupava plenamente”, salienta.
Agora, aposentado, descobriu o fado e dedica-se ao fado com paixão.
“Nunca mais parei de cantar. Estou em todas para ajudar, é para Lares de Terceira Idade, Igrejas, colectividades, lá vou sempre com o Nélio Nunes e outros, sempre em voluntariado”, comenta.
Hoje para mim o fado significa tudo
Este mês editou o seu CD - «Memórias», dois fados com letra própria, um dedicado ao seu neto, outro à sua terra natal - Moita.
“Hoje para mim o fado significa tudo, onde há fado lá estou. Isto é um mundo, onde conheço muitas pessoas e faço amizades”, sublinha.
Após a nossa conversa, na viagem de carro, escutamos a sua voz, no seu CD, que nos ofereceu com amizade.
“É uma recordação para os meus filhos e meus netos”, salienta.
Uma voz trinada, que sente o fado e vibra ao rimo da viola e da guitarra. Apetece-me mesmo dizer: “Ah fadista!”.
As pessoas na Moita gostam muito de fado
Todas as 5ª feiras, lá está no Tapas, na Praça de Toiros da Moita.
“As pessoas na Moita gostam muito de fado”, refere.
Jezelde Zebelo, fez a 4ª classe, na Moita, dedicou a vida à agricultura, uma vida de trabalho.
Dedica-se ao fado com uma enorme entrega, vivendo com intensidade esta paixão que descobriu aos 60 anos.
S. P.














