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Carlos Alberto Correia, «Rosto do Ano 2015 – Escritor»Várias tertúlias literárias decorrerem com normalidade e periodicidade no Barreiro

Carlos Alberto Correia, em declarações ao jornal «Rostos» sublinha que a distinção – “qualquer referência publicada, qualquer nomeação atribuída, serão sempre pedradas no charco da invisibilidade, uma preciosa ajuda na divulgação e valorização dos trabalhos”.

“Penso portanto que a Literatura não está defunta, mas, necessitando de tempo e reflexão, se confronta com a imediatidade dos media e os rápidos monólogos nos meios sociais, sustentados numa comunicação, breve, superficial e imediata. afirma Carlos Alberto Correia.

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Carlos Alberto Correia, «Rosto do Ano 2015 – Escritor» Várias tertúlias literárias decorrerem com normalidade e periodicidade no Barreiro

Por Jornal Rostos

Carlos Alberto Correia a propósito da distinção que lhe foi atribuida refere: “Foi com verdadeira surpresa que recebi a notícia de que o Jornal Rostos on-line decidira distinguir-me como Rosto do Ano, na categoria Escritor. À surpresa seguiu-se o agrado por me terem considerado digno de tal distinção. Quando se lança uma obra para o público a sua receção e caminho são sempre incógnitas. Tal pode nada ter a ver com a qualidade, mas sim com contextos e outras estratégias de mercado. Por isso, qualquer referência publicada, qualquer nomeação atribuída, serão sempre pedradas no charco da invisibilidade, uma preciosa ajuda na divulgação e valorização dos trabalhos.”

Mais sensibilizado ao saber que este seria o primeiro ano

“Fiquei ainda mais sensibilizado ao saber que este seria o primeiro ano em que tal distinção seria atribuída. Não poderia deixar de me agradar saber-me o primeiro de uma lista que, creio, virá a ser extensa e de qualidade.
Não cairei na falsa modéstia de esconder o orgulho sentido pela atribuição deste galardão, tendo sobretudo em conta a proeminência da instituição que o outorga. Estou, por isso, muito grato ao Rostos e felicito-o pela lembrança uma vez que, conforme conversa tida com o seu Diretor após receber a notícia, todos os anos são publicados livros de gente natural ou residente no Barreiro, que merecem ser apontados aos nossos concidadãos”, acrecenta.

Nunca foi tão difícil, nem tão fácil, publicar

Como analisa a vida literária nos dias de hoje? – perguntámos.
“Como uma contradição. Nunca se publicaram tantos livros, talvez nunca se tenha lido tão pouco e, continuando no mesmo tom, nunca foi tão difícil, nem tão fácil, publicar. Explicando melhor. Como em qualquer outra atividade com caráter económico – não se esqueçam que para os editores o livro é sobretudo uma mercadoria – temos assistido à concentração do mundo editorial, através de compras e fusões de editoras, fazendo com que o mercado seja dominado por um pequeno número de grandes editores que impõem as leis, fazem as escolhas, e publicam aquilo que, independentemente do seu valor, possa corresponder aos objetivos comerciais. Esta movimentação condiciona e diminui a possibilidade de escolha dos escritores e leitores. Por outro lado, como resposta, enxameiam por aí muitas pequenas editoras – umas mais honestas que outras – que pouco mais são que impressoras disfarçadas. Algumas exigem que o autor suporte financeiramente a publicação e, a partir daí, muitas delas desinteressam-se do destino do livro, matando-o por invisibilidade.
Claro que, no meio de tudo isto, ainda sobrevivem meia dúzia de editoras para quem o livro será mais que mera mercadoria pelo que lhe dedicam a atenção necessária ao acompanhamento da edição e à sua divulgação. São infelizmente cada vez mais raras.”, refere Carlos Alberto Correia.

A Literatura não está defunta

“Apesar destes obstáculos vão-se confirmando e aparecendo bastantes escritores de mérito. Para não ofender, por esquecimento, ninguém, não irei nomear nenhum, abrindo duas exceções, para um poeta e uma escritora com ligações ao Barreiro, por acaso pai e filha. São eles o poeta António Monginho (“Das Sete Cidades”, “Entre o Vento e o Orvalho”; “Tudo o que me dói”; “As palavras Antropófagas, etc.); e a romancista Julieta Monginho (Juízo perfeito; A paixão segundo os infiéis; À tua espera; Dicionário dos livros sensíveis; Onde está J.?; A construção da noite; A terceira mãe; António, Maria; Metade maior e Os filhos de K).
Penso portanto que a Literatura não está defunta, mas, necessitando de tempo e reflexão, se confronta com a imediatidade dos media e os rápidos monólogos nos meios sociais, sustentados numa comunicação, breve, superficial e imediata. Parece-me condenada, como outras formas de arte, a ser cada vez menos de massa – se excluirmos a “literatura” de supermercado – cada vez mais apanágio de elites culturais. Nada disto está apoiado em qualquer estudo credível, são apenas as minhas opiniões e nada valerão além disso. Posso estar engando e ficaria muito feliz se tal acontecesse”, sublinha.

Existência de várias tertúlias literárias

A finalizar o «Escritor – Rosto do Ano 2015» sublinha – “Sei, pois tenho participado em algumas, da existência de várias tertúlias literárias – e não só – a decorreram com normalidade e periodicidade no Barreiro. São grupos que embora abertos, pela razão das coisas, sobrevivem em círculos muito fechados. Seria bastante útil a sua divulgação de molde a permitir a todos os interessados a participação.
Também na UTIB estarão em funcionamento aulas de escrita criativa. Recomendo, a quem pretender melhorar as suas formas de expressão, informarem-se sobre os horários.
Resta-me agradecer, mais uma vez ao Rosto a simpatia com que me distinguiu e enviar, ao seu Diretor, um abraço amigo.”

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