Manifestação de 3 de Maio no Barreiro em 1970Um acto de solidariedade com os presos políticos
. D. Pilar enfrentou a GNR
“O Júlio Freire, foi decisivo na organização desta manifestação.Ele era um homem carismático, um homem impulsivo e, foi ele, que colocou tudo em marcha, à frente da manifestação. O Faustino Reis também teve um papel importante na organização, mas o Júlio Freire foi decisivo”, salienta Álvaro Monteiro.
“Júlio Freire foi muito importante na organização da manifestação do dia 3 de Maio”, afirma Rosa Arede.

Por Jornal Rostos
A União de Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, promoveu hoje, dia 3 de Maio, uma concentração- manifestação que culminou no Largo 3 de Maio – vulgo Largo da Santa, no Alto do Seixalinho.
A concentração visou recordar os acontecimentos passados no Barreiro a 3 de Maio de 1970, em sequência de uma vaga de presos antifascistas no Barreiro e no Distrito de Setúbal, após a vitória da oposição nas eleições de 1969.
D. Pilar enfrentou a GNR
No final da concentração, no local encontrámos Álvaro Monteiro, um dos antifascistas que foi preso e transportado para as prisões da polícia Politica – PIDE – no Porto, e, enquanto tomámos um café, ali, na esplanada do antigo «Café Pilar» que foi um dos palcos da intervenção e agressões da GNR, em Maio de 1970. Álvaro Monteiro recordou, com emoção, aqueles dias de luta pela Liberdade.
Rosa Arede, que também viveu aqueles dias, estava indignada, porque pediu a palavra e não a deixaram falar – “calaram-me”, dizia com uma grande tristeza nos seus olhos.
“Eu participei e assisti à manifestação do dia 3 de Maio. Fugi por ruas e ruelas da GNR.
O que eu queria dizer, era recordar a D. Pilar, que enfrentou a GNR, não fechou a porta do Café e escondeu manifestantes perseguidos pela GNR. E isso não foi recordado” , refere Rosa Arede.
Júlio Freire foi importante no dia 3 de Maio
“Queria também recordar o Júlio Freire. Ele foi importante na organização da manifestação do dia 3 de Maio. Estas duas pessoas, a D. Pilar e o Júlio Freire, eram pessoas que eu queria recordar e que não podiam ser esquecidas nesta iniciativa”, salienta Rosa Arede.
“Quando eu disse que queria recordar o papel de Júlio Freire no dia 3 de Maio, disseram-me – o Júlio já morreu.
Sabes, foi com o Júlio Freire, com o Alfredo Matos e outros que eu aprendi a ser aquilo que sou e fui aquilo que sou. O que sou aprendi com eles. O Júlio Freire foi muito importante na organização da manifestação do dia 3 de Maio e isto não pode ser esquecido. Eu pedi a palavra porque apenas queria recordar o contributo dele e da D. Pilar” , salienta Rosa Arede.
Íamos algemados dois a dois
Álvaro Monteiro, começou por recordar - “Fui transportado num carro celular. Íamos algemados dois a dois. O carro tinha um buraco para nós fazermos as necessidades. Não sabíamos para onde nos transportavam, notámos que não era nem para Caxias ou para Peniche. Por fim soubemos que estávamos no Porto, nas prisões da PIDE”..
Júlio Freire era um homem carismático
“Eu estava preso e não sei como foi a manifestação de 3 de Maio, mas pelo que depois me contaram, posso afirmar que o Júlio Freire, foi decisivo na organização desta manifestação.
Ele era um homem carismático, um homem impulsivo e, foi ele, que colocou tudo em marcha, à frente da manifestação. O Faustino Reis também teve um papel importante na organização, mas o Júlio Freire foi decisivo”, salienta Álvaro Monteiro.
Solidariedade com os presos políticos
“A manifestação de 3 de Maio foi um acto de solidariedade com os presos políticos, que a PIDE tinha detido nos dias anteriores.
No Barreiro, foi o Alfredo Matos e fui eu - Álvaro Monteiro – na Moita, foi o Staline Rodrigues e o Leonel Coelho; em Setúbal, foi o Zacarias Fernandes, o Fernando Tavares, conhecido por «Gravatinha», Carlos Lopes (um sindicalista Católico) e António Chora. Foram oito presos”, recorda Álvaro Monteiro.
Represália sobre as forças da oposição.
Álvaro Monteiro, sublinha que estas prisões foram um acto de “represália” sobre as forças da oposição.
“A oposição tinha ganho as eleições no Barreiro, com 61% dos votos, apesar das fraudes, cadernos viciados. No distrito de Setúbal também obteve 35% dos votos.
Os presos no distrito de Setúbal foi um balão de ensaio para a repressão que se seguiu por todo o país”, sublinha Álvaro Monteiro.














