Barreiro - «Má Raça» um dos rostos da arte in town>Quando nasci estavam a construir a muralha da Avenida da Praia
“O Barreiro só conta a partir da praça e até ao Parque da Cidade”, refere.
“O meu primeiro emprego, aos 14 anos, foi na Cordoaria do Nicola. Ficava ali, onde hoje estão os serviços da Câmara – O Nicola”, salienta.

Por Jornal Rostos
Quem der um passeio pela Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita – vulgo Avenida da Praia – encontra o «Má Raça», por ali a olhar, atentamente, o Rio Tejo.
Conhece todos os recantos e guarda muitas memórias daquele espaço urbano, onde se inscreveu a sua vida e suas raízes.
A sua zona é para ele o Barreiro genuíno, o Barreiro da Nª Srª do Rosário ao Largo das Obras.
Ali, no Largo da Igreja de Nª Srª do Rosário o seu rosto está inscrito como uma das peças de arte in town. O artista João Samina, produziu um mural com base numa fotografia de Guilherme Ferreira.
Estavam a construir a muralha da Avenida da Praia
“Quando eu nasci estavam a construir a muralha da Avenida da Praia. Nunca nadei aqui na areia”, recorda o Cristiano, mais conhecido por «Má Raça”.
“Sou um Camarro de gema. Nasci, em 1933, na Rua Marquês Pombal nº 12”, sublinha.
Do seu tempo de criança recorda a amizade e as relações de famílias nas ruas que, ele diz, são as ruas do Barreiro – Rua Aguiar, Rua Marquês Pombal,, Rua Almirante Reis, da Igreja de Nª srª do Rosário até ao Largo das Obras – “isso era o Barreiro, para lá destas ruas já eram Quintas”.
O vinho da Vinícola e do Fortunato
“Quando os barcos atracavam, com pipas de vinho, que vinham para a Vinícola, ou para o Fortunato, ali, no cais, onde hoje é o Clube da Vela. A malta da rua juntava-se, fazíamos um buraco nas rolhas de cortiça das pipas e chupávamos o vinho. Eram grandes bebedeiras”, recorda.
Raízes ferroviárias e operárias
Seu pai ferroviário – “Ele era revisor dos comboios. Com um martelo, batia nas rodas das carruagens, uma a uma, e, só depois de ele verificar tudo se estava operacional, informava o Chefe da Estação, para dar sinal de partida aos comboios. Sua mãe da CUF, operária na zona Têxtil.
Na origem do «Má Raça» estão as raízes ferroviárias e fabris do Barreiro.
Ele fala com orgulho de suas origens e de seu Barreiro – “Sou do Luso”.
Recorda que integrou as equipas de futebol do Luso Futebol Clube, ao lado de Albino, Lança, Taxinho e Chico.
“O Barreiro de hoje não tem nada a ver com o meu Barreiro”, refere.
Da escola Primária a Pescador
Cristiano, frequentou a Escola do Ensino Primário na Escola Conde Ferreira, como ele diz : “Era a escola de Reis”.
Após concluir a 4ª classe iniciou a sua vida no mundo do trabalho.
“O meu primeiro emprego, aos 14 anos, foi na Cordoaria do Nicola. Ficava ali, onde hoje estão os serviços da Câmara – O Nicola”, salienta.
Mas, aos 15 anos, optou por ser pescador- “entrei numa campanha da Arte do Cerco”.
“A nossa vida era numa canoa. A Campanha de cada canoa tinha 6 a 7 homens. Ali vivíamos. Dormir e vigiar as redes. A venda da pesca era na Lota do Montijo ou na Ribeira, em Lisboa”, refere.
Nunca se desligou do Rio Tejo
Depois, da vida de pescador seguiu-se a vida militar.
“Quando saí da tropa fui para a Oficina do Germino. Fazia de tudo, era o apaga fogos”, recorda.
Aprendeu serralharia e carpintaria. A Oficina do Germino, era ali na Rua Vicente França.
Ao longo do tempo, salienta, nunca se desligou do Rio Tejo – “não dormia se não fosse à pesca”, diz com um sorriso.
Barreiro Velho está esquecido
Cristiano José Santos - «Má Raça» - lamenta que o Barreiro Velho esteja esquecido.
“O Barreiro só conta a partir da praça e até ao Parque da Cidade”, refere.
Recorda que a Avenida Alfredo da Silva, no tempo que se chamava Avenida da Bélgica era muito bonita – “tinha árvores no centro”.














