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Barreiro – Alfaiate Borges com 92 anos«Os fatos portugueses são os melhores do mundo»

“Sou o Borges, alfaiate, é assim que todas a gente me conhece”, disse-me.
“Eu tinha o melhor pronto a vestir do Barreiro e do distrito de Setúbal”, comenta.

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Barreiro – Alfaiate Borges com 92 anos «Os fatos portugueses são os melhores do mundo»

Por Jornal Rostos

Hoje ao fim da tarde, num encontro casual, troquei breves palavras com um homem que marcou gerações de barreirenses o Alfaiate Borges.

Sou um Camarro

Ali, na Avenida Alfredo da Silva, onde tinha marcado um encontro, e, enquanto aguardava sentei-me naquele banco, um dos pontos de referência da vida local.
Chegou, entretanto, o Senhor Borges, um barreirense de gema – “Sou um Camarro” – refere.
“Sabe o que é um Camarro?” interroga e responde.
“O Camarro é o filho do Barreiro. O Camarro é de origem piscatória, foram os algarvios que vieram para aqui e descobriram o melhor mundo piscatório da barra do Rio Tejo. Foi com eles que nasceu o Barreiro. Os Camarros.”, sublinha.
Fala da sua terra natal com entusiasmo, e, sente-se que tem um grande orgulho, repetindo – “Sou um Camarro de gema”.

Ponto de intensa actividade comercial

Conheci o Senhor Borges, há décadas no seu estabelecimento comercial localizado na Rua Miguel Bombarda, naquela zona perto do Bairro Miranda, que, diga-se, outrora, foi um ponto de intensa actividade comercial, até por estar perto do Mercado do Luso.
Hoje, a loja está encerrada, faz parte daquele conjunto que integra o enclave da Passagem Desnivelada.

Melhor pronto a vestir do Barreiro

“Sou o Borges, alfaiate, é assim que todas a gente me conhece”, disse-me. Conta 92 anos, e, nestas coisas a idade não perdoa – “Já não vejo, nem ouço muito bem”.
“Fui alfaiate e enquanto trabalhei, ganhava mal. Tornei-me comerciante, deixei de trabalhar e comecei a ganhar dinheiro”, refere, com um sorriso.
“Eu tinha o melhor pronto a vestir do Barreiro e do distrito de Setúbal”, comenta com orgulho.
“Sabe, os fatos portugueses são os melhores fatos do mundo”, acrescenta.

Pé de dança no Leças

Fala com entusiasmo, da vida e do tempo que vive. Dá os seus passeios.
“Amanhã, lá estarei a dar o meu pé de dança ali no Leças”, sublinha.
Recorda que tem dentro de si a energia que herdou dos seus pais que vieram de Pias, no Alentejo, viver e trabalhar no Barreiro.

S.P.

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