Candidato da CDU à Presidência da Assembleia Municipal do BarreiroJosé Luís Ferreira – Quinta Braamcamp um caso negativo nesta gestão do PS

Por Jornal Rostos
José Luís Ferreira, 59 anos, natural de Vila Pouca de Aguiar, Jurista, vive no Barreiro, há mais de 30 anos, tem dois filhos, Deputado da Assembleia da República, do PEV – Partido Ecologista «Os Verdes». Tem obra publicada
Nas conversas que temos mantido no Café Bar da SFAL, começamos por sugerir aos candidatos que responda à pergunta: Quem sou?
“Sou um cidadão do mundo” , sublinha José Luis Ferreira, acrescentando que – “vivo muito a vida do Barreiro, sou hoje mais barreirense que propriamente transmontano”.
No plano ideológico refere que é membro da Direcção do Partido Ecologista «Os Verdes», da Comissão Executiva e do Conselho Nacional, e faz parte do Núcleo Regional de Setúbal do PEV. É o líder Parlamentar do PEV, integra as Comissões de Economia, Obras Públicas e Agricultura, na Assembleia da República.
Um ecologista tem que ser de esquerda
Recorda que nos seus tempos de Faculdade, teve sempre uma visão de esquerda – “um ecologista tem que ter uma visão de esquerda, não há volta a dar do ponto de vista doutrinário”.
Salienta que se um ecologista procura um desenvolvimento sustentável, - “ele só é possível se houver justiça social, o que significa quem procura a justiça social, é a esquerda, um ecologista tem que ser de esquerda”.
Foi na faculdade que uma amiga deu-lhe uns documentos para ler e, foi, através dos contactos com essa amiga abraçou «Os Verdes», iniciando a sua actividade politica no Colectivo de Setúbal.
A democracia é o poder do povo
A segunda reflexão que colocamos é no sentido de comentar como pensa o conceito de democracia e a democracia nos tempos de hoje.
“A democracia é o poder do povo, é um sistema onde a soberania pertence ao povo, e o povo é que dita as regras, ou pelo menos tem a possibilidade de eleger os seus representantes para a votar”, sublinha José Luis Ferreira.
No que diz respeito à Assembleia Municipal, refere que esta é – “uma espécie de parlamento da cidade, que acompanha e fiscaliza a actividade da Câmara Municipal, tendo um papel importante, porque quando falamos em democracia, falamos em responsabilidade, e, responsabilidade é fiscalizar a actividade do executivo”.
É no confronto de ideias que a democracia se constrói
José Luis Ferreira, salienta que a Assembleia Municipal é “um órgão plural e bastante democrático porque acolhe várias forças politicas”, porque através do método de Hondt, este é o que melhor garante a proporcionalidade eleitoral.
“Dou muita relevância e importância à Assembleia Municipal porque, é exactamente aí, no confronto de ideias, que a democracia se constrói, através das várias perspectivas e diferentes formas de ver os problemas, há mais oportunidades de descortinar as soluções e as estratégias, que são mais fundamentadas com a visão de vários ângulos partidários”, afirma o candidato da CDU.
Este executivo faz-me lembrar os presidentes de Câmara de antigamente
José Luís Ferreira refere que a Assembleia Municipal deve reflectir as diferentes visões, mas, recorda que “nem sempre é assim”, dando como exemplo o que aconteceu no recente mandato da Assembleia Municipal do Barreiro.
Na sua opinião houve matérias que não corresponderam ao sentir das pessoas – “estou a falar da questão do aeroporto”, situação que, disse, “me entristece como democrata”.
“Tivemos o presidente da Câmara a dizer que podia ser em qualquer lado desde que viessem alguns rebuçados, isso é trocar os interesses de uma multinacional, pelos interesses e saúde da população do Barreiro”, afirmou.
“Este executivo faz-me lembrar os presidentes de Câmara de antigamente, que eram paus mandados do governo, uns braços estendidos do governo”, sublinha.
Recorda que a Câmara do Barreiro teve plena abertura para o desejo do governo, e, “perdeu a natureza reivindicativa que um executivo deve ter, porque tem legitimidade democrática, porque se tem direito ao rebuçado, tem que exigir e não trocá-los por outros interesses que não sejam os interesses das pessoas do Barreiro, a saúde das populações”.
Exigir do governo soluções para o arranque da Depuradora de Bivalves
Recordou ainda a situação da Depuradora de Bivalves, no Barreiro, que está parada porque houve um problema com as fundações, e, embora o Ministro tenha garantido na Assembleia da República que as obras teriam início em Agosto, já estamos em Setembro - “e não conhecemos qualquer diligência do executivo da Câmara, ou até da Assembleia Municipal, a questionar o governo sobre o atraso destas obras”.
Na sua opinião quer a Câmara, quer a Assembleia Municipal deviam mexer-se e exigir do governo soluções para que se verificasse o arranque da obra da Depuradora de Bivalves – “lançam a primeira pedra” e depois a obra não avança e não se diz nada, comenta.
“Esta natureza reivindicativa a Assembleia Municipal deve ter”, sublinha.
Deviam ser repostas todas as freguesias
José Luis Ferreira refere que, nos dias de hoje, é importante que se desenvolva a democracia participada, ter os cidadãos envolvidos nas decisões – “a Assembleia Municipal pode ter um papel importante o envolvimento dos cidadãos”.
Recorda que as Assembleias Municipais vão ter um papel importante na discussão da extinção de freguesias.
Defende que deviam ser repostas todas as assembleias de freguesias que os seus órgãos deram parecer negativo à sua extinção ou agregação.
O PS tinha uma oportunidade na Assembleia da República de repor estas freguesias, mas optou por uma solução com o PSD, que vai impedir a reposição das freguesias, refere o candidato da CDU.
Quinta Braamcamp um caso negativo nesta gestão do PS
A Assembleia Municipal tem um papel importante nos destinos do concelho, como se viu no caso da Quinta Braamcamp, que é – “um caso negativo nesta gestão do PS”.
A gestão adquiriu aquele território para a esfera pública, para que não haja construção naquele espaço magnífico, e, este executivo e entrega aos privados.
“Uma Câmara Municipal tem que ser mais que uma mera agência imobiliária”, sublinha.
Quinta Braamcamp é uma singularidade
A finalizar solicitamos que nos seja dado um olhar sobre o Barreiro. José Luís Ferreira, refere que o Barreiro é uma terra com grandes potencialidades e com uma proximidade e visibilidade em relação a Lisboa, e, nessa visibilidade, recorda que a Quinta Braamcamp é um exemplo dessa visibilidade – “está virada para o Terreiro do Paço, um espaço magnifico, que deve ser de todos e para isso é preciso garantir que não sai da esfera pública”.
Recorda que existiam candidaturas aprovadas, de fundos europeus, por parte do executivo da CDU, que este executivo não deu seguimento, que permitiam recuperar os espaços verdes, o moinho de maré, destruir os muros da antiga fábrica e tornar o local aprazível.
“É um sitio como há poucos, que nós temos que valorizar, e, nós, temos que assinalar as singularidades que temos. A Quinta Braamcamp é uma singularidade, um sitio que não tem igual na Área Metropolitana de Lisboa, quer do ponto de vista da paisagem, quer da sua biodiversidade”, afirma.
Importante uma gestão feita com as populações
O candidato da CDU lamenta que, no Barreiro, não exista uma relação de proximidade entre os cidadãos e os eleitos, era uma prática que existia, que “se perdeu neste mandato”.
“É importante ter uma gestão feita em conjunto com as populações, ouvindo as pessoas”, refere.
Quatro sem diligências no sentido da revisão do PDM
José Luis Ferreira, sobre o concelho do Barreiro, refere ainda o território da Baía do Tejo, perspectivando em primeiro lugar que se concretize a descontaminação dos solos, um processo um pouco parado, e, em segundo lugar que exista uma valorização daquele território, devendo a Câmara ter acções nesse sentido.
José Luis Ferreira expressa a sua preocupação pelo pouco aproveitamento de fundos comunitários, no decorrer do actual mandato.
E, lamenta que nos últimos quatro anos não tenham existido diligências no sentido da sua revisão do PDM – Plano Director Municipal.
É preciso uma gestão mais reivindicativa
“Vejo o Barreiro como uma cidade apetecível, uma cidade onde existiu sempre trabalho, com um grande movimento associativo, porque há muito movimento associativo, que devia ser ouvido no discutir estratégias. Vejo o Barreiro como uma cidade com futuro, que precisa de uma gestão construída, em conjunto com as populações, com várias entidades e o movimento associativo, mas, para isso, é preciso ter uma gestão mais reivindicativa, que acho só ser possível com a CDU”, disse.
E dá os exemplos do aeroporto e da Depuradora de Bivalves, como prova da falta de capacidade reivindicativa do actual executivo municipal.
“É preciso ter uma postura mais exigente com o governo, o Barreiro não pode trocar o que tem direito, sobretudo quando estão em causa valores ambientais e a saúde das populações”, disse.
Ponte pedonal para o Seixal tinha verbas e projecto
Defendeu ainda, a necessidade de serem resolvidos problemas de acessibilidades, nomeadamente a ponte rodoviária que ligue o Barreiro ao Seixal, e, lamenta que não tenha avançado a ponte pedonal e ciclável, que tinha verbas e projecto – “esta é uma obra que não devia ter caído”.
Recordou que ao nível interno o Barreiro tem um bom serviço de transportes urbanos, prestados pelos TCB.
António Sousa Pereira














