Barreiro - Rosto do ano 2025«A comunicação social continua com o importante papel de repor a verdade»,
afirma Ana Luísa Conduto, rosto na área da Comunicação Social
«Esta minha participação, na comunicação social, no comentário televisivo fez-me crescer muito. Já comecei, há muitos anos, há mais de dez anos, comecei no Correio da Manhã. Sinto que vou crescendo como profissional e sinto, sobretudo, que me vou descomplicando, a mim mesma, até do ponto de vista técnico», afirma Ana Luísa Conduto.

Por Jornal Rostos
Ana Luísa Sabino Conduto, nascida a 27 de fevereiro de 1984, é psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e em Psicologia da Justiça, natural e residente no Barreiro. É licenciada em Psicologia Clínica e da Saúde pelo ISPA- Instituto Superior de Psicologia Aplicada e em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
No seu percurso profissional, prestou serviços na Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, no Estabelecimento Prisional de Máxima Segurança de Monsanto, onde desenvolveu funções enquanto Psicóloga Clínica e da Justiça com reclusos em regime de segurança máxima.
No concelho do Barreiro, exerceu funções como Técnica Gestora de Processos na CATICA. No plano institucional, foi membro da Assembleia de Representantes da Ordem dos Psicólogos Portugueses durante oito anos, tendo sido candidata a Bastonária no último ato eleitoral.
Na comunicação social, tem desenvolvido uma intervenção regular e sustentada. Atualmente, realiza comentário semanal na SIC, na rubrica Crónica Criminal do programa Casa Feliz. Ao longo dos anos, colaborou igualmente com outras estações televisivas.
Dizer com orgulho que vivo no Barreiro e que sou do Barreiro
Que significa receber a distinção rosto do ano?
«Antes de mais, significa o reconhecimento da minha terra e da minha gente, se há uma que sempre mantive, muito fiel, foi ao Barreiro e em transmitir a todos os outros o bom nome da cidade. Esta distinção é muito, muito importante. Como sabe, eu comento crime na televisão. O Barreiro aparece muitas vezes, isto, vai criando na comunicação social e também nas pessoas, uma ideia que não é a ideia do Barreiro. O Barreiro não é mais negativo, do ponto de vista da criminalidade, do que é o distrito. Está inserido num distrito com muita criminalidade.
O outro lado, é o ser bom viver no Barreiro, é dizer com orgulho que vivo no Barreiro e que sou do Barreiro. Para mim, uma coisa importante é transmitir às pessoas outra imagem do Barreiro.»
Barreiro - existem transformações muito positivas
Nesse contexto, nos dias de hoje, como olha para o Barreiro?
“O Barreiro está muito diferente daquilo que era, por um lado existem transformações muito positivas ao nível da arquitectura, da modernização do Barreiro, por outro lado, há muitos serviços que eu vejo a morrer no Barreiro. Por exemplo, sítios que eram sítios de encontro a morrer. Nascem outros naturalmente, como as esplanadas junto ao mercado. Mas, recordo coisas com saudosismo. Ainda lembro de ir ao Barreirense à tarde, ou à noite, beber café, os encontros na estátua, os carnavais, outros tempos.”
Acho que cada vez somos mais papagaios, uns dos outros
Como pensa o mundo da comunicação social neste tempo de tantas mudanças, da inteligência artificial e das redes sociais?
“A comunicação social continua com o importante papel de repor a verdade. Mas, registaram-se mudanças sobretudo no período pós-covid, mudanças que não sei se foram totalmente positivas. Nós, antes do covid, sobretudo, víamos muito poucos comentadores na televisão. Existiam muitos comentadores de futebol, mas, comentadores especialistas era uma coisa que não era tão regular, como é hoje, todos os canais têm comentadores e há imensos comentadores, nas várias áreas, não é só na área do crime. Os comunicadores entraram em massa. Às vezes, tenho receio que o pensamento crítico, a análise e a pesquisa que eram feitos, e, ainda são feitos pelos jornalistas, tudo que era transmitido pelos jornalistas, feito, já com muito escrutínio e muitas regras de deontologia que os jornalistas têm de cumprir, tudo isso, de alguma forma fique fragilizado com tanto comentário. O que eu faço é comentário, mas esta realidade preocupa-me.
Da mesma forma que, na internet temos de ter muito escrutínio sobre a informação que decidimos validar, também, com tanta opinião, temos de ter capacidade de não dar aquilo como verdade absoluta.
É próprio do ser humano, quando há alguém a quem atribuem alguma relevância, acharmos que tudo o que diz está certo, e todos papagueamos. Acho que cada vez somos mais papagaios, uns dos outros. Pensamos cada vez menos. Reflectimos cada vez menos. Questionamos cada vez menos. O facto de haver muito opinion maker, muita gente a dar opinião na televisão, pode pôr a comunicação social, muito ao mesmo nível da internet e das redes sociais.”
O jornalismo de investigação é essencial
Que perspectivas podem ser pensadas para dar a volta a esta situação?
«O jornalismo de investigação é essencial. Temos que continuar a investir em jornalismo de investigação. Ter ao lado dos comentadores, jornalistas equilibra as coisas. Faço comentário há uns anos com o Hernâni, que é jornalista. Haver este contraponto, este contraditório, que é especialista em determinada área e haver o jornalista, equilibra muito a balança.
Acho que não vamos retirar os comentadores da televisão. As pessoas querem ouvir os especialistas. Mas, quem são os ditos especialistas? A comunicação social procura conhecer o curriculum profissional dos comentadores, ou são, apernas, comentadores apontados como quem sabe falar dos assuntos. Isso preocupa-me. Na saúde, então, preocupa-me imenso, porque muitas vezes, e, na minha área da psicologia, vejo isso com muita regularidade, quando vou procurar a especialidade do comentador, confirmo, nem sempre é especialista na área. Na televisão, temos de ter essa visão, que centenas, milhares de pessoas vão estar a ouvir-nos e a validar, muitas vezes, automaticamente aquilo que estamos a dizer, por isso, o que dizemos tem um peso muito grande. É preciso ter cuidado na escolha das palavras».
Pode não passar a mensagem que nós queremos comunicar
Que significado tem para a sua vida a vivência no mundo da comunicação social?
«Eu adoro estudar. Estudar tudo sobre as pessoas. Quem estuda essas áreas, psicologia ou direito, tem de ter capacidade de chegar às pessoas.
É muito diferente fazer comentário, na parte informativa, do que fazer comentário num programa de entretenimento, como aquilo que faço agora no programa da manhã.
É preciso ter capacidade de desdobrar a linguagem, de modo que qualquer pessoa perceba o que se está a dizer, mas, ao mesmo, é preciso comunicar de forma que, quem está a ouvir, não perceba mal. Na televisão passa tudo muito rápido, por vezes, uma frase que não é acabada, uma ideia que não é suficientemente desenvolvida, para o outro lado, do ouvinte, pode não passar a mensagem que nós queremos comunicar.
Esta minha participação, na comunicação social, no comentário televisivo fez-me crescer muito. Já comecei, há muitos anos, há mais de dez anos, comecei no Correio da Manhã.
Sinto que vou crescendo como profissional e sinto, sobretudo, que me vou descomplicando, a mim mesma, até do ponto de vista técnico. Tanto na Psicologia, como no Direito, a linguagem é muito fechada, costumo dizer, a brincar, que nós escrevemos uns para os outros, nos relatórios.
Faço este exercício regularmente, agarrar o que é técnico e colocar numa linguagem acessível. Isto, com a experiência e o tempo, vai sendo sempre mais fácil, quer pelo comentário televisivo, quer no desdobrar na comunicação com os meus pacientes.
Para mim, é muito importante, no consultório, na psicologia clínica, quando estou com alguém, saber que devo ir explicando o que tudo significa, ou que pode significar, naquilo que a pessoa está a sentir, ou no que estamos a viver no consultório. Isto, também me treina, a mim, a desconstruir a linguagem.»
Tenham muito orgulho em ser barreirenses
Que mensagem pretende deixar aos barreirenses?
«Adorem a nossa terra. A nossa terra é maravilhosa. Continuem a lutar por ela, a exigir coisas para o Barreiro. E sobretudo, tenham muito orgulho em ser barreirenses. Acho que é um orgulho imenso ser barreirense».
Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano
Por todo o seu percurso, pela forma digna como marca presença na comunicação social, nomeadamente como comentadora na SIC, merecidamente recebe a distinção Rosto do Ano 2025, na área da Comunicação Social.
A Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano, vai decorrer numa sala dos Cinemas Castello Lopes, no Barra Shopping, no próximo dia 27 de setembro, pelas 10h30, sendo integrada no programa de comemorações dos 25 anos do jornal Rostos.
António Sousa Pereira
T- 180
Fotografia - Marta Sousa Pereira














