Barreiro – Rosto do ano 2025Península de Setúbal tem condições, tem gente, tem território, que pode ajudar o país a crescer.
afirma Rui Lopo, rosto na área Regional
«Nós, nos transportes, cruzamos a nossa actividade com diferentes dimensões, com a vida das cidades, com o urbanismo, com a vida no território, deslocações de pessoas, comportamentos, é, uma diferenciação de conteúdos que existem em poucos sectores de actividades », afirma Rui Lopo.

Por Jornal Rostos
Rui Lopo, nasceu no Barreiro em 1976, oriundo de uma família com profundas raízes na comunidade lavradiense. Desde jovem viveu com intensidade ligado a questões do ambiente. Foi durante oito anos vereador da Câmara Municipal do Barreiro, assumindo responsabilidades nas áreas do Planeamento e Urbanismo. Liderou os Transportes Colectivos do Barreiro, dando importantes contributos para reestruturar os serviços, ampliar as capacidades de intervenção dos TCB na região, assim como, na concretização de um plano de renovação e modernização da frota de autocarros, concretizando um dos maiores investimentos na história dos TCB. É reconhecido como gestor de referência na área da mobilidade e dos transportes públicos, com um percurso profissional centrado na gestão operacional, reorganização de serviços públicos e desenvolvimento de projectos de modernização e inovação do sector. Foi administrador da Transportes Metropolitanos de Lisboa e no final de 2025, foi nomeado Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Carris de Ferro de Lisboa – CARRIS.
Reconhecimento do trabalho realizado e do percurso
Que significado atribui ser distinguido como rosto do ano?
«Como é evidente, para mim significa o reconhecimento do trabalho realizado e do percurso. Recebo com agrado. A vida não se faz de reconhecimentos. A vida faz-se de acções e transformações que conseguimos concretizar. Sendo um reconhecimento do trabalho feito, ainda há muita coisa por fazer. Um prémio, objectivamente, recebe-se sempre com agrado. Fico reconhecido ao Rostos por esta distinção.»
Temos de dar um passo maior para compensar o atraso
Qual é a sua visão sobre a Área Metropolitana de Lisboa e Península de Setúbal?
«Tenho um sentimento misto de optismismo, de acreditar nas pessoas e nas vontades, na determinação, nas dinâmicas e nas pessoas. Quer na margem norte, quer na margem sul, há muita vida, há muita gente que participa, muita gente que se envolve, que tem opinião e gosta de intervir. Independentemente das opiniões, de concordar ou não concordar.
Estas são regiões com vida. Há forças vivas. Nessa perspectiva, vejo com muito optimismo.
Por outro lado, vejo com alguma reserva, perante as dificuldades que existem, por parte dos representantes dessas forças vivas, em dar espaço para a intervenção, para a opinião, para as pessoas participarem envolverem-se e isso pode impedir que algumas coisas aconteçam, ou mais depressa, ou mais depressa e bem.
Hoje, na Área Metropolitana de Lisboa, com o que se vai falando, que pode acontecer a sul, na Península de Setúbal, estamos a observar coisas que foram prometidas e faladas, há uns anos atrás, não é nada de novo, e o facto de se dizer que se vai fazer é bom, o estar de novo na agenda é bom, o angustiante é que não se pensa naquilo que já devia estar feito, e que esteve para ser feito. Há uma falta de visão e de estratégia para que a Península de Setúbal possa dar o salto, porque isso, não é que a Península precisa, é o que o país precisa.
O território da Península tem condições, tem gente, tem território, tem costumes, tem cultura, que pode ajudar o país a crescer.
O que observo, com alguma distância, numa análise crua, é o que falámos e discutimos há 15 ou 20 anos atrás. E, reitero, sendo bom que se fale do que pode vir a acontecer, não tenho dúvidas, mas há responsabilidade de quem reflecte sobre o território e sobre as gentes. Não deviam estar só a falar daquilo que se vai fazer, mas, já devíamos estar a analisar e perpectivar o que vai acontecer para além de 2040 ou 2050. Se nos atrasamos temos de dar um passo maior para compensar o atraso»
Contribuir para resolver problemas das pessoas
Que significado tem para a sua vida o teu envolvimento na área dos transportes e mobilidade?
«Esta é uma área que me realiza bastante, porque mistura, um conjunto de factores com os quais sinto-me muito bem – a gestão de uma empresa, que tem conhecimento. Que tem risco, que tem custos e receitas, isso é a gestão, que obriga a tomadas de decisão, avaliação, estudo, planeamento.
E tem outra dimensão, a qual dou grande importância, a relação com pessoas, a gestão de pessoas, motivar e envolver as pessoas, trabalhar com elas nas soluções.
Outro aspecto, que me realiza, é sentir que estou a contribuir para resolver problemas das pessoas, problemas da sociedade, seja de uma empresa, seja de um bairro, de um concelho. A própria empresa precisa sempre de melhorar a gestão e procurar novas soluções.
Nós, nos transportes, cruzamos a nossa actividade com diferentes dimensões, com a vida das cidades, com o urbanismo, com a vida no território, deslocações de pessoas, comportamentos, é, uma diferenciação de conteúdos que existem em poucos sectores de actividades».
Uma terra que continuará a ser uma referência no país
Que mensagem quer deixar aos barreirenses?
«É dizer aos barreirenses que esta é uma terra que forja, que marca, e, pese embora que as marcas sejam diferentes, em momentos diferentes da história que nela vivemos. Todos somos forjados pelo Barreiro em momentos distintos. Essa assinatura fica marcada, de forma diferente, em diferentes gerações. Mas, em todos, os aspectos de uma dimensão mais cultural, ficam e, por isso, tenho a certeza que o Barreiro, os barreirenses e o seu território conta com eles próprios para manter uma terra que continuará a ser uma referência no país.
É imprescindível que se conte com os barreirenses, que cá nasceram, que cá fizeram a sua vida, mesmo não tendo nascido, mas que vivenciaram esta cultura que – o que é ser do Barreiro. Continuar a transformar. Isso é possível, porque temos activos – o Rio Tejo, temos muitos territórios que podem ser transformados, temos a Mata da Machada, temos o Rio Coina. E, temos uma coisa muito importante, temos cultura, não no sentido cultural, é nas raízes e nas diferentes dimensões que esta cultura transporta dentro de si. Estamos muito marcados, o Barreiro, quando se pensa numa perspectiva de longo prazo tem uma ampla visão.»
Cerimonia de Entrega das distinções Rosto do Ano
Rui Lopo, é uma personalidade de referência na Área Metropolitana de Lisboa, cujo trabalho tem sido um contributo na valorização da região, AML e Península de Setúbal recebe a distinção Rosto do Ano 2025 na área Regional.
A Cerimónia de Entrega das distinções Rosto do Ano, vai decorrer numa sala dos Cinemas Castello Lopes, no Barra Shopping, no próximo dia 27 de Setembro, pelas 10h30, sendo integrada no programa de comemorações dos 25 anos do jornal Rostos.
António Sousa Pereira
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Fotografia - Marta Sousa Pereira














