Amílcar Romano«Universidade da Terceira Idade já não pára»

Por Cláudio Delicado
Até hoje existia uma grande lacuna no ensino da terceira idade no Barreiro?
Enorme. No Barreiro esta lacuna é mais visível porque há uma apetência muito própria das pessoas para debater, conversar, para se informarem, no fundo, para não se acomodarem no sofá. Havia de facto essa lacuna, esperemos que este projecto vá responder de alguma maneira a algumas destas necessidades.
Como pretende a CMB despertar o interesse dos alunos?
Através da criação de cursos que vão ao encontro dos interesses manifestados pelas pessoas, que têm sido diversos: desde a história local e regional, as artes, línguas estrangeiras, informática, natação, danças... o menor número de inscrições está nas áreas das ciências exactas. A partir de Janeiro começam estes cursos que irão ao encontro da vontade da generalidade das pessoas, esperamos.
Até onde vai este projecto?
É uma bola de neve que eu gostaria de acompanhar. Espero que seja uma bola de neve o mais influenciadora possível – numa perspectiva positiva – e que possa crescer naturalmente com muita ajuda, com muito voluntariado sustentado num prazer muito grande em dar qualquer coisa de si aos outros. A Universidade da Terceira Idade já não pára! Terá um abrandamento normal nos meses de Verão, mas agora que começou já não pára mais.
Penso que há muita gente disponível nas várias áreas que pode ajudar porque este tipo de acção não tem preço!
Qual o balanço que faz desta primeira aula?
Como primeiro momento prático de informação e debate foi muito bom, o Dr. Gouveia foi espectacular na forma como estruturou a aula. Penso que pelo comportamento das pessoas toda a gente ficou muito satisfeita, penso que muita gente foi surpreendida pela positiva. Foi um início espectacular e espero que também os próximos passos possam assumir este grau de qualidade. É de salientar a atenção das pessoas, que sabem que já não têm idade para estarem desantentas e estão aqui para aprender alguma coisa importante para elas.
Quantos alunos estão já inscritos na Universidade?
Deve andar na ordem dos 150, mas não estamos a fazer um grande trabalho de divulgação, propositadamente. É preciso criar condições de resposta que, naturalmente, é uma condição obrigatória. Pensamos lá para Fevereiro ou Março fazer uma divulgação mais precisa dirigida ao público alvo. Neste momento estamos a ser muito cuidadosos em relação aos processos de divulgação, apesar das inscrições estarem abertas.
É importante abrir espaços de debate nas aulas para as pessoas falarem dos seus problemas?
É fundamental, porque atrás de uma pergunta destas muitas vezes está um problema e o facto de poder formular o seu problema está já a aliviar as pessoas e, se calhar, a ganhar força para ir fazer o exame que tem medo de fazer.














