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BARREIRONO SIMPÓSIO “O MAR NO FUTURO DE PORTUGAL”

No âmbito do Simpósio Especial sobre o tema “O Mar no Futuro de Portugal” promovido pela Academia de Marítima, nos próximos dias 22, 23 e 24 de Outubro, na rua do Arsenal, em Lisboa, destaca-se a comunicação do investigador barreirense Caro Proença, que decorre no dia 23, pelas 12 horas, intitulada “O Barreiro: Pólo Marítimo Singular, Natural e Universal, Perene”.
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Por Jornal Rostos

No seu trabalho, a “Península do Barreiro” assume de há dois milénios até ao terceiro quartel do séc. XX., uma importância geoestratégica, no que toca à circulação de pessoas, coisas e animais, entre as margens esquerda do estuário do rio Tejo e a direita do rio Sado.

Desde o império romano através da via romana “Olisipo – Emérita Augusta”, que o Porto da Romagem, situado na margem direita do rio Coina, era ponto de transição fluvial/terrestre, dotado de uma importância militar, logística e económica. Mais tarde, os árabes voltaram a utilizar a mesma margem do rio para actividades, através da indústria moageira, pois no local existia a maior concentração de moinhos de maré.

Por altura da Expansão Marítima Portuguesa, o Barreiro volta a ser cenário natural da expansão do Homem. É construído o Complexo Real de Vale de Zebro, com vinte e sete fornos de “biscoitos”, primeiro destinados ao fabrico de “munições de boca” para Lisboa e outras povoações e mais tarde para abastecer as armadas portuguesas. Nos séculos XIV e XV, o Complexo envolvia a manutenção e conservação de todas as embarcações, tendo sido o primeiro sítio onde se fabricaram naus.

O autor faz ainda referência ao Tratado de Tordesilhas, celebrado com Castela, que libertou Portugal “do síndroma de país ultraperiférico, hispânico e europeu”. O nosso país torna-se assim o centro do comércio marítimo à escala planetária.

Dois milénios depois, com a Idade Contemporânea, o Barreiro continua a assumir o mesmo papel sobretudo através da via férrea Barreiro – Setúbal que contribuiu para a industrialização do país a sul do Tejo. Mais tarde, são instaladas as indústrias corticeiras. A partir de 1891, instala-se uma nova actividade empresarial-industrial, do grupo “Bensaúde”, na margem direita do rio Coina ligada à pesca do bacalhau, que ainda hoje se dedica ao tratamento e comercialização do peixe.
A indústria química surge em 1907. A Companhia União Fabril (CUF) gerida por Alfredo da Silva instala-se no Barreiro e confina com a linha de caminho de ferro Barreiro-Setúbal. A CUF constrói um cais próprio em 1910, para o transbordo portuário da matéria-prima vinda em navios. Caro Proença irá apresentar a evolução da CUF, desde 1930 até 1958, com as várias ampliações da mesma, sendo o porto marítimo da CUF o terceiro do país em movimento de carga.

Pistas para o Futuro

Segundo a intervenção, a Península do Barreiro mantém as características geoestratégicas e potencialidades singulares utilizadas durante séculos. Caro Proença defende que seria melhor reaproveitá-la como plataforma de transportes terrestres, rodoviários e ferroviários e até como centro específico de construção, reparação e assistência naval para embarcações de turismo e desporto. “Este seria um acto de bom senso político, de probidade governativa e lucidez cultural”, defende o autor. Na “Península” seriam desenvolvidas actividades fundamentais ao nível da indústria e comércio ligadas aos transportes marítimos intercontinentais e aos transportes terrestres a sul do Tejo.

Caro Proença é natural do Barreiro. Diplomado em Engenharia Eléctrica e Mecânica, chefe do centro de radiocomunicações dos CTT e fundador da ex – Emissora Oficial de Angola, autor de inúmeros trabalhos culturais e históricos como produtor radiofónico e colaborador da imprensa periódica, decano dos jornalistas Olímpicos e historiador dos Jogos Olímpicos, Antigos e Modernos, professor de jornalismo, investigador e epistemólogo. Caro Proença é autor de cinco volumes sobre a temática “Encobrimentos nos Descobrimentos”, pioneiro do ensino à distância em Portugal, membro da Sociedade Portuguesa de Autores e Membro efectivo da Academia de Marinha, premiado por diversas vezes.

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