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EMPTY V INFECTAM NOITE BARREIRENSE

No passado dia 31, com a subida
ao palco dos EMPTY V, o Espaço B assistiu a um dos melhores concertos deste ano. Assumindo-se como um vírus, proveniente do Planeta Yellow Pig, o trio de Almada apresentou-se no Barreiro com um projecto experimental
extremamente bem conseguido.

O espectáculo, que apresenta o
seu EP “Experience” gravado para a editora da banda, Yellow Pig Records,
transfigurou o Espaço B, redimensionando-o através de ecrãs de TV
estrategicamente colocados em palco, um sistema de iluminação robotizado e
recorrendo ao gelo seco. A preocupação pela componente cénica deve-se ao facto
de todos os membros dos EMPTY V se encontrarem profissionalmente ligados à
imagem e ao som, o que resulta numa mais valia para a banda.
3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Em conversa com ROSTOS, Bruno
Antunes e Raul salientaram precisamente a capacidade organizativa dos EMPTY V como um elemento precioso nas actuações da banda, afirmando que “com os mesmos meios, fazemos aquilo que outras bandas podiam fazer, pois está ao seu
alcance, em qualquer altura o espectáculo pode passar para um escalão
superior, podendo ser apresentado noutros palcos, com outras dimensões, sempre da forma pretendida, pois tudo está contemplado em termos de produção até ao pormenor.” Referindo-se ao Espaço B, Raul afirmou que se trata “de um ponto de resistência, uma vez que actualmente não existem locais onde actuar ao vivo, não há alternativas, para isso muito contribuiu a lei do ruído que inviabilizou praticamente todos os locais onde as bandas se poderiam apresentar”.
Entrando em palco com máscaras, sem esboçar uma palavra durante toda a actuação os EMPTY V conduziram-nos através da sua “Experience”, iniciando com “low fly whore”, “bring me more”, “drop stars”, “sleeping awake”, “all we know is” e
“dne eht”. No final ficámos definitivamente infectados pelo som poderoso e opressivo dos EMPTY V, pela forma como o fraseado cíclico da guitarra e do baixo introduziam novos elementos nas composições, remetendo para outras formas de composição mais distantes do Rock e mais próximas da musica contemporânea.
Esperamos que nunca se encontre um antídoto para estes vírus, é com prazer que nos deixamos infectar por este EP.

Na primeira parte a actuação coube à banda, da Charneca da Caparica, OBLIVION CIRCLE. Uma banda formada em finais de 2003 por Ruben
Fonseca, voz e guitarra, Raul Vicente, baixo, Ricardo Nascimento, teclas e
André Alves na bateria. O projecto OBLIVION CIRCLE baseia-se “liricamente no conceito circular do tempo, tudo nasce, cresce, envelhece e morre, acabando por desabrochar num novo ciclo de vida. Os homens e os seus actos dividem-se em dois: aqueles que se imortalizaram, ficando para a história, e aqueles que se desvaneceram com o passar do tempo, esses, pertencem ao circulo do esquecimento”. O concerto
iniciou-se com o instrumental “Birth and Rise”, prosseguindo com “Upon
the Horrors and Solitude”, “Drawning”, “The Loss”, “Request”, “New Dawn”,
“Absence” e para encerrar, o instrumental “No Sence of Time”. Uma banda a iniciar-se agora nos espectáculos ao vivo, com um som assente num muro sonoro bastante forte, por onde passa um sentir melancólico e nostálgico. No Barreiro,
numa noite que se revelou excelente, os OBLIVION CIRCLE não caíram no círculo
do esquecimento.

Luís Alcântara

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