Adolfo Lopo, Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio“Se não fazemos mais é porque não nos deixam, não nos dão condições para isso.”

Por Cátia Pacheco
O balanço que o Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio faz destes dois anos de mandato está separado por duas vertentes, por um lado, em termos pessoais, Adolfo Lopo considera esta experiência como “uma actividade gratificante”, por outro, em termos de obras realizadas, “sinto-me defraudado, enganado, por tudo o que foi prometido, devia ter outra capacidade de trabalho, outro entendimento, o que não se concretizou.”
Na opinião de Adolfo Lopo, muito mais poderia ter sido feito, sem que isso tivesse tido encargos significativos para a Autarquia, poderia ter existido outra rentabilidade no trabalho.
Os projectos que tinham sido concebidos no início do mandato para estes dois anos, estão basicamente todos concretizados, ou em fase de concretização, porque tem existido alguma sincronia, como por exemplo o repavimento das ruas e o logradouro dos Loios, que se encontra em fase de construção. Mas, segundo o Presidente da Junta de Freguesia, “quando existem diferentes forças políticas, não é fácil conciliar os projectos, que à partida são diferentes.”
Em relação aos parque infantis, “é vergonhoso o que se passa com os parques infantis no concelho, o único parque que tem algumas condições para funcionar é um parque que está fechado, ninguém da população tem acesso a ele. Os parques deixaram de ser um perigo para a população, como era considerado pelo PS, quando a CDU estava no executivo da Câmara Municipal” salientou Adolfo Lopo.
“A nossa posição é reflectir e defender os interesses da população que vive nos Fidalguinhos”
O relacionamento da Junta de Freguesia do Lavradio com a Câmara Municipal do Barreiro “é mau”, não há uma política de descentralização, fala-se de tudo, mas faz-se o contrário, “a Câmara prometeu muito, mas não faz nada.”
No que concerne à construção do Politécnico nos Fidalguinhos, o que a Junta de Freguesia considera estar totalmente errado é a maneira como o Politécnico foi parar aos Fidalguinhos, a falta de clareza na transferência do Politécnico do Parque Industrial (onde estava inicialmente previsto), para a Quinta dos Fidalguinhos. “Quem tem responsabilidade nessa matéria é que devia ter vergonha do que fez e do que está a provocar às pessoas. Eu fico muito feliz por na terra onde nasci haver instalações Universitárias, tenho é muita pena, que essas instalações se localizem no Lavradio à custa de um conjunto de famílias que foi literalmente enganada com esta situação. Se antes não estava bem, agora fica ainda pior,” mencionou o Presidente da Junta de Freguesia.
A Junta de Freguesia, sobre este tema, efectuou alguns contactos com a população ai residente, e segundo o Presidente, a maioria das pessoas estavam contra a construção do Politécnico nesse local.
“Masterplan - a estratégia, a metodologia usada, não concordo”
Sobre o projecto do “masterplan” para o Barreiro, o Presidente da Junta não tem opinião formada, uma vez que não conhece bem o projecto, mas salientou que não concorda com a estratégia e com a metodologia usada, sobretudo porque “existe um trabalho que não foi dado a hipótese de crescer, que foi literalmente ignorado pela Câmara, este à revelia de tudo e todos,” o trabalho do arquitecto Salgado.
No futuro, para além de ser dada continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, em termos culturais, a Junta de Freguesia vai lançar um elevado número de obras com características técnico, histórico, cientifico, que terão início a 22 de Maio 2004, e se prolongarão até 22 de Maio de 2005, “é nesta altura que fazemos 335 anos que o Lavradio foi elevado a Vila .”
A receptividade da comunidade tem sido positiva, daí a Junta ter decidido avançar, mas mesmo assim, Adolfo Lopo não quis deixar de referir que as pessoas não podem ter memória curta, e que, cada vez mais é necessário a intervenção da população, na defesa dos seus interesses.
Na questão que foi colocada a Adolfo Lopo sobre a sua possível recandidatura daqui a 2 anos, o actual Presidente da Junta de Freguesia do Lavradio referiu que ainda é cedo, no entanto “se as condições forem as mesmas, e os candidatos à Câmara forem pessoas que eu me identifique, não digo que não, mas ainda é cedo para dizer.”














