Anabela Mota- Presidente da Junta de Freguesia da Verderena“Quando reivindicamos qualquer coisa que nos diz respeito, já estamos a fazer política”

Por Catarina Simão
Filha de barreirenses, trabalhadores da Companhia União Fabril (CUF), Anabela Mota foi nascer, “por acidente”, à Maternidade Alfredo da Costa. Criada no Barreiro, frequentou a Escola Alfredo da Silva, num curso “que não gostava muito”. Com a ajuda de duas professoras, foi estudar para a Escola António Arroios, seguindo a sua paixão pelas artes. A decisão foi difícil, pois na época não era muito comum uma rapariga ir estudar para Lisboa. Mas Anabela Mota mostrou aí a sua determinação e a sua paixão em se dedicar de corpo e alma àquilo que gosta. Depois de ter chumbado um ano na Escola Alfredo da Silva, foi trabalhar, e assim ingressou na Escola António Arroios por sua conta e risco. Trabalhava de dia, e estudava de noite, na altura. Mais tarde soube de um concurso para a Fundação Ricardo Espirito Santo, para a secção de pintura. Concorreu e entrou, e aí ficou até casar e ser mãe de dois rapazes. Nessa altura, tomou mais uma decisão determinante na sua vida, e novamente movida pela vontade de se dedicar por inteiro aos seus projectos: desta vez, os seus filhos. Foi assim, que decidiu tornar-se “mãe a tempo inteiro”. “Eu queria criar os meus filhos, acompanhá-los. Precisava de estar com eles”, justifica assim a sua opção. No entanto, isso não impediu que continuasse a trabalhar em casa, “num cantinho que transformou para poder trabalhar”, participando em exposições, com trabalhos de artesanato, de restauro, entre outros.
“Para entrar para uma lista, tinha que ter disponibilidade para me dar de corpo e alma”
No decorrer dos anos, teve alguns convites para entrar para a política, que sempre recusou por “falta de tempo”. Finalmente, em 1993 aceitou o convite para integrar as listas pelo Partido Socialista (PS). Após uma conversa familiar, escolheu novamente uma opção: desta vez pelo mundo da política local. “Para entrar para uma lista, tinha que ter disponibilidade para me dar de corpo e alma”, daí ter recusado os convites que surgiram anteriormente. “Ao estar descomprometida e livre para me dedicar, aceitei o convite, e é com essa ideia que continuo a ajudar seja quem for”. Esta é a ideia que a presidente da Junta de Freguesia da Verderana tem da política: o ajudar os outros. Para Anabela Mota, “todos nós fazemos política no nosso dia-a-dia”. “Quando reivindicamos qualquer coisa que nos diz respeito, já estamos a fazer política. Não é algo que só os políticos fazem”.
“As mulheres do Barreiro tiveram sempre características que as diferenciavam das mulheres do resto do país”
Em relação ao papel da mulher na sociedade, Anabela Mota acredita que há ainda um longo caminho a percorrer, apesar das conquistas feitas desde há 30 anos. No entanto, pensa também que é à mulher que cabe o papel de lutar pelas suas próprias conquistas: “ a mulher tem de lutar por aquilo que quer, por aquilo que ambiciona, por aquilo que tem direito”. “Cada mulher tem de lutar por aquilo que sonha”, assim como os homens, pois Anabela Mota reconhece que “o sonho comanda a vida”. Para a autarca, o Barreiro sempre se distinguiu das outras cidades do país, até no papel que a mulher desempenhava na sociedade, sendo que as mulheres barreirenses sempre tiveram características únicas e que as diferenciavam. “Por influencia da CUF, as mulheres do Barreiro sempre trabalharam e sempre foram bastante participativas, tendo um papel determinante na sociedades barreirense da época”.
“Este presidente tem tido sempre a preocupação de reunir com os presidentes de junta, coisa que no mandato não existiu”
O balanço dos dois anos do segundo mandato é positivo, sendo “a continuação do trabalho empreendido no primeiro mandato”. “Tudo o que seja competência da Junta, vou continuar a trabalhar para que esta seja uma boa freguesia. Tudo o que seja a nível da Câmara Municipal do Barreiro vou continuar a «forçar» e a mostrar a minha preocupação para que os problemas sejam mais rapidamente resolvidos”. Para a autarca, os principais problemas da freguesia da Verderena são as consequências que advém da sua proximidade com o Terminal, entre elas, o trânsito, a poluição, o estacionamento, o ruído, entre outros. “Continuo a batalhar para que os limites da freguesia sejam revistos, mas tinham que estar as duas freguesias que fazem fronteira de acordo, para que isso fosse resolvido”. Outro problema apontado pela presidente de Junta é a ausência de espaços verdes nos grandes blocos habitacionais que constituem a freguesia, e que têm constituído uma das reivindicações de Anabela Mota junto dos serviços camarários.
Para Anabela Mota, a relação que existe com o actual executivo camarário “tem sido muito melhor do que com o anterior mandato”. “Este presidente tem tido sempre a preocupação de reunir com os presidentes de junta, coisa que no mandato não existiu”. “Hoje a Câmara tem a preocupação de dizer que vai fazer esta ou aquela intervenção. Podemos também falar dos problemas nas reuniões que existem com o presidente. Elas não existem só comigo, porque o presidente não reúne apenas com as freguesias socialistas. Ele reúne com todas as freguesias. E isso foi coisa que não foi feita no mandato anterior. Inclusive foram feitas determinadas coisas aqui na freguesia que eu só tive conhecimento no inicio das obras, e pelas pessoas que as estavam a fazer”.
Um dos desejos que Anabela Mota acalenta para a sua freguesia é o programa Polis: “gostava que ainda neste mandato o projecto avançasse”. A Passagem desnivelada na Recosta é outra das prioridades da autarca desta que é a freguesia mais pequena do concelho, mas a segunda maior em termos de população.














