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José António Antunes- Presidente da Junta de Freguesia do Alto SeixalinhoUma freguesia próxima das pessoas

José António Antunes nasceu há 60 anos na Rua Fernão Tristão, na freguesia do Alto Seixalinho, onde desempenha hoje o papel de presidente de Junta. Como a maioria do barreirenses, é descendente de trabalhadores da CUF, e ao Barreiro liga-o uma vida inteira. Da freguesia que preside tem gratas recordações, como morador e como autarca. Nesta conversa com o Rostos, verificámos que as preocupações sociais estão na sua ordem do dia, e tenta, recorrendo a todos os esforços, fazer a sua freguesia e a sua população um pouco mais feliz.
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José António Antunes- Presidente da Junta de Freguesia do Alto Seixalinho Uma freguesia próxima das pessoas

Por Catarina Simão

Foi jogador profissional de futebol, e envergou com orgulho a camisola do Barreirense, bem como de outros clubes que representou. Quando regressou do Ultramar ingressou no Banco Espirito Santo (BES), 1971, onde está até hoje com um currículo vasto e invejável, não abandonando a paixão pelo futebol.
Dos tempos do antigo regime recorda uma história que gosta de contar, e que ilustra o que muitos barreirenses passaram. “Tinha os meus 17 ou 18 anos. Estava vestido com umas calças pretas e uma blusa vermelha, quando a Guarda Republicana me interpelou e me perguntou porque é que estava vestido com aquelas cores. Respondi que eram as cores da bandeira da minha terra. A minha sorte era ter comigo o Bilhete de Identidade, senão tinha sido preso só por isso”, relatou-nos José António Antunes.
O contacto formal com a política surge logo após o 25 de Abril, mais precisamente em Maio de 1974, ao serviço do Partido Comunista Português. “A minha actividade política foi sempre ligado ao PCP, do qual me orgulho muito de ser militante”, confessou-nos o autarca. Depois do 25 de Abril integrou a Comissão de Trabalhadores do BES durante 15 anos, onde “dediquei muito da minha vida à actividade sindical”.

“Estamos a cumprir e a ultrapassar o programa com que nos apresentámos ao eleitorado”

A presidência da Junta de Freguesia do Alto Seixalinho surgiu naturalmente. Já tinha integrado a Assembleia desta freguesia, e depois de debatido internamente pelo partido, José António Antunes aceitou o desafio que até hoje tem sido muito positivo. O contacto com as diferentes realidades que constituem a freguesia e a proximidade e o contacto com as pessoas são as melhores compensações da actividade que empreende na freguesia onde nasceu e onde continua a morar. “Estamos a cumprir e a ultrapassar o programa com que nos apresentámos ao eleitorado”, e o bom trabalho não é difícil de alcançar quando se “tem uma boa equipa de trabalho como a nossa”, releva orgulhoso da equipa que o acompanha.
Como em qualquer actividade, não há bela sem senão, e é na freguesia que primeiro aparecem os principais problemas dos cidadãos. “A minha maior angustia é que muitas vezes gostaríamos de ir mais além e não temos recursos para isso. Estamos tão próximos das pessoas e dos seus problemas e não temos os recursos necessários para intervir”. Mesmo assim, esta equipa coesa e proactiva que compõe a Junta de Freguesia do Alto Seixalinho luta por conseguir solucionar alguns problemas com o apoio de algumas empresas. Exemplo disso foram os 550 cabazes de Natal que foram entregues na ultima quadra natalícia a famílias cadenciadas da freguesia. “Foi uma óptima iniciativa e esperamos dar-lhe continuidade no próximo ano”.
Como principais problemas da freguesia aponta “as zonas importantes que ainda estão por urbanizar, apesar da evolução positiva na construção de várias urbanizações novas na freguesia, que têm melhorado a qualidade de vida”. A toxicodependencia, as carências sociais, e a recuperação de equipamentos na freguesia são outras das questões que o assolam diariamente. Para o presidente da Junta de Freguesia do Alto Seixalinho, nestes últimos dois anos “as obras municipais foram practicamente nulas”, tendo já expressado a sua opinião na Assembleia Municipal do Barreiro relativamente aos logradouros que “precisam de ser recuperados, aos parques infantis por recuperar e aos pavimentos que têm de ser reparados”.
Relativamente ao protocolo autárquico de descentralização de competências José António Antunes é peremptório “embora se tenham feito muitas reuniões o resultado foi praticamente nenhum”, já que nada de novo foi acrescentado a este assunto.
Até ao fim do mandato, o autarca “gostaria de ver muita coisa feita” na sua freguesia, nomeadamente dois equipamentos que considera “fundamentais”: a criação de um centro de saúde, já que existe terreno e população que justifique a sua criação, e um centro de dia que se justifica pela envelhecida população que habita a freguesia, população essa “que trabalhou muito e que merecia uma vida mais compensadora que não tem”. O investimento na comunidade escolar do Alto Seixalinho, que representa cerca de 50% da comunidade total do Barreiro, também parece relevante ao autarca. A melhoria dos parques infantis e dos recreios das escolas, a criação de polidesportivos e locais para lazer e desporto são algumas das necessidades. “Sabemos que os recursos não são muitos mas gostaríamos de ver alguma coisa feita”.

Festas do Alto Seixalinho promovem “As Regiões”

As festas do Alto Seixalinho realizaram-se pela primeira vez no ano passado. Os bons resultados alcançados favoreceram uma segunda edição, que este ano apresenta nomes sonantes do panorama artístico nacional.
José António Antunes considera da competência da Junta a dinamização de actividades culturais, pelo que no primeiro ano de mandato foi empreendido um programa de animação dos espaços públicos realizado em vários pontos da freguesia. No largo da Junta foi realizada uma iniciativa mais abrangente com artesanato, alfarrabismo, feira do livro, espectáculos, tasquinhas. Aí surgiu a ideia de proceder a uma festa destinada a toda a freguesia, mas com maiores dimensões.
Este ano o tema incide sobre “As Regiões”. As diversas e distintas ascendências da população que reside na freguesia tornou o tema apropriado: “a ideia das regiões serve para as pessoas se identificarem ainda mais com a freguesia”.
O local (na Avenida de Santa Maria) mantém-se, assim como a estrutura que possui uma vertente cultural e a participação do movimento associativo e da comunidade escolar da freguesia. Na opinião de José António Antunes “estas festas são diferentes das festas comuns já que temos 33 stands de empresas diversas, temos as tasquinhas do movimento associativo, ideia que lançámos o ano passado”, entre outros.
No balanço da primeira edição, “ a participação popular foi muito elevada, estimando-se cerca de 10 mil visitas durante os três dias de festa”. Para este ano, o autarca espera superar as expectativas, o que não será difícil face ao valioso programa que esta festa apresenta.

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