CATICA“Esta obra é a minha filha e os pais nunca abandonam os filhos”

Por Cátia Pacheco
No passado dia 16 de Junho, o Centro de Assistência à Terceira Idade – CATICA comemorou o seu 20º aniversário. Grande parte do trabalho que têm vindo a ser desenvolvido por este centro, deve-se a Maria Elisa Esteves, Encarregada Geral.
Há vinte anos atrás, Maria Elisa Esteves fazia parte de um grupo de igreja, como
voluntária, que se deslocavam a “barracas” para fazerem a limpeza e para levarem comida aos mais necessitados, “trabalho do qual me orgulho muito” relembra.
Quando existiam dificuldades era à actual Encarregada Geral do CATICA que as pessoas recorriam.
Um dia, numa das muitas conversas que mantinha com uma Assistente Social de Palhais foi-lhe colocada a questão, “porque é que não pensas num lar de idosos, já que gostas tanto de ajudar os outros?”
Maria Elisa Esteves recorda, “esta foi a primeira porta, a partir daí, juntamente com mais quatro pessoas começámos a trabalhar para fundarmos a associação”. No início inscreveram-se trinta e três pessoas que trabalharam arduamente para que se pudesse desenvolver aquilo que é hoje o CATICA.
“Há elementos que eu nunca vou esquecer, como o Luís Filipe, que faleceu há pouco tempo, e que nos deu uma grande ajuda,” revela Maria Elisa Esteves.
No início o CATICA começou só por prestar assistência a idosos, mas por necessidade, há aproximadamente dezoito anos atrás, começou a aceitar jovens, de início mesmo sem autorização do Centro Regional. “A autorização só foi concedida depois de a Drª Irene Aleixo, visitar o centro e apoiar a nossa iniciativa”.
Neste momento o centro conta com cerca de quarenta jovens, dos 8 meses até aos 30 anos.
“Qualquer pessoa nos pode ajudar. Toda a ajuda é benvinda.”
São várias as actividades que são desenvolvidas, quer pelos jovens, quer pelos idosos. Existe um grupo de idosas que bordam, “fazem coisas lindíssimas,” diz orgulhosa Maria Elisa Esteves. Os jovens estão mais virados para o hip-hop, existindo mesmo, alguns já premiados. Neste momento o número de jovens aumentou, uma vez que os mais novos encontram-se em períodos de férias e como os pais são sócios do centro, são muitos aqueles que recorrem ao centro para passarem os tempos livres.
Sempre que necessário Maria Elisa Esteves garante que, o CATICA está sempre presente, quer para espectáculos, quer para exposições, como acontece actualmente nas festas da Coina.
Em termos de apoios, o CATICA depende totalmente do Centro Regional. Tem também o apoio dos idosos e jovens, que pagam uma mensalidade, embora nalguns casos seja mesmo uma pequena quantia, “as pessoas têm reformas baixas, depois tem de ser descontado a renda da casa, luz, água, e o dinheiro para os medicamentos, o que sobra é muito pouco. Temos idosos que pagam 50 euros por mês e comem o pequeno – almoço, o almoço, lanche, e levam o jantar para casa”. Contudo, Maria Elisa Esteves revela, “eu peço muito”.
O CATICA tem ainda o apoio de dois hipermercados, o Modelo e do Egos, que colocam de parte alimentos que, ou por estarem amaçados, ou pelo rótulo estar sujo, não podem ser vendidos, e são doados ao centro. O Banco Alimentar Contra a Fome também colabora com alimentos.
Os restantes apoios partem da “boa vontade” de particulares, que contribuem com verbas, com alimentos, e mesmo com o próprio voluntariado. A Encarregada Geral sublinha que “qualquer pessoa nos pode ajudar. Toda a ajuda é benvinda”.
Actualmente, o Centro de Assistência à Terceira Idade de Coina e Arredores está bem organizado, para isso, muito contribuí todo o trabalho desenvolvido por Maria Elisa Esteves, que para além de estar encarregue de efectuar todas as compras é também ela que orienta e organiza todo o trabalho desenvolvido no centro. “Graças a deus o CATICA está bem. Não está em crise, não temos dificuldades de maior”.
Contudo, existem no centro algumas dificuldades por satisfazer. A obtenção de carrinhas é neste momento uma prioridade, uma vez que as quatro existentes encontram-se em mau estado, pelo facto de terem de percorrer caminhos conturbados, para poderem prestar assistência domiciliária a locais “onde mais ninguém quer ir”.
O Projecto do CATICA
Maria Elisa Esteves revela, de forma emocionada que um dia gostaria muito de ter um lar, um lar para onde podessem ir todos aqueles que não têm ninguém, ou que os filhos não querem saber, “esta obra é a minha filha, e os pais nunca abandonam os filhos, mesmo nos momentos mais difíceis, por isso, não gostaria de ir embora sem conseguir construir um lar”.
Para poder realizar este “sonho”, Maria Elisa Esteves já dispõe do terreno, doado pela família desse “grande amigo” Luís Filipe, e do apoio da empresa “Tiba” que contribuirá com algum material.
“Tenho muita pena dos idosos, que já viveram a vida deles e que merecem pelo menos morrer com dignidade,” salienta a Encarregada.
Maria Elisa Esteves, não quis deixar passar esta oportunidade, para pedir aos leitores do “Rosto”, jovens e menos jovens que pensassem que um dia todos iremos ser velhos e “por isso é necessário tratar os idosos com mais dignidade, não os desamparar-mos e trata-los com muito amor, que desta forma serão felizes”.
Aqui fica o registo emocionado de uma mulher que tem dedicado grande parte da sua vida ao voluntariado, sobretudo a ajudar os mais necessitados.














